segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Star Wars - parte I

A MAIOR DE TODAS
AS SAGAS


Entenda como a série Guerra nas Estrelas transformou-se em objeto de adoração mística de milhões em todo o mundo.
Quais são os símbolos e mitos que compõem as aventuras criadas por George Lucas? Com você, os bastidores daquela que pode ser a primeira religião surgida na era do entretenimento.

POR LEANDRO SARMATZ
COM DESIGN DE LUIZ IRIA

"Se há apenas um Deus, por que há tantas religiões?", perguntou o menino de apenas 10 anos à mãe. Não se sabe a resposta que a senhora Lucas deu ao curioso filho. A do moleque todos nós sabemos. George Lucas criou sua própria religião.
Desde 1977, quando Guerras nas Estrelas ganhou as telas de cinema do planeta, legiões de fãs de todas as idades e credos são continuamente mesmerizadas a cada novo episódio - o mais recente deles, O Ataque dos Clones, já pode ser conferido em todo o Brasil - pelas aventuras intergalácticas de Luke Skywalker contra o tenebroso Darth Vader. Uma odisséia permeada de elementos caros ao imaginário pop: história em quadrinhos, faroestes e ficção científica a granel.
Mas os fãs também arregalam os olhos para um detalhe: mais do que qualquer outro artefato da indústria do entretenimento, a saga do diretor e produtor George Lucas parece recheada com o material de que são feitos os mitos: o eterno embate entre o Bem e o Mal, a iniciação do herói, a busca por um sentido universal. Tudo isso, é claro, hollywoodianamente empacotado com os últimos avanços em efeitos especiais e editado na medida para tirar o fôlego da audiência.
"Com Guerra nas Estrelas, eu conscientemente tenho fixado minha ideia sobre recriar mitos e motivos mitológicos clássicos. Eu quis lidar com assuntos que existem hoje", afirmou o diretor numa famosa entrevista com o jornalista Bill Moyers na revista Time. Ou seja: o propósito de Lucas é fazer com que as multidões de hoje possam conhecer a si mesmas através de mitos ancestrais sobre a condição humana.
Talvez essa ambição tenha começado há mais de trinta anos, quando George Lucas era apenas estudante de Cinema na Universidade de Southern Califórnia. (A escolha por cinema rendeu boas dores de cabeça ao futuro diretor. Seu pai era dono de uma papelaria e sonhava ser sucedido no negócio pelo filho assim como Darth Vader deseja que Luke se bandeie para o lado escuro da Força. Quando saiu de casa, crivado de rancores, Lucas prometeu ao pai ficar milionário antes dos 30. A relação difícil entre pais e filhos é um dos grandes temas de Guerra nas Estrelas e, quem sabe, um dos maiores fatores de identificação com o público).