terça-feira, 25 de agosto de 2009

COLEÇÃO FOLHA
GRANDES ESCRITORES BRASILEIROS

2

JOÃO CABRAL DE MELO NETO

Morte e Vida
Severina

(1956)

2008

Titular dos direitos de edição: NOVA FRONTEIRA S.A.

Este livro é eterno, feliz e infelizmente.
Felizmente porque são raríssimos os textos que se podem ler, depois de 30 anos, pouco mais ou pouco menos, com o mesmo prazer da primeira leitura, palavra por palavra, combinação delas uma depois da outra.
Infelizmente porque a história que o poema conta continua sendo vivida por incontáveis "severinos", meio século depois de o livro ter sido escrito. E não está à vista o momento em que cessará a saga de migrantes nordestinos buscando nova vida para fugir da

"morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida)."

É fuga que ganhou hofotes bem intensos em 2002, quando a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva fez com que toda a mídia fosse retirar do baú a história desse "severino" que virou presidente da República, embora já tivesse deixado fazia muito o traje de retirante e vestido ternos bem cortados.
O que ajuda mais a tornar o livro eterno é o fato de que ao texto do poeta João Cabral de Melo Neto colou-se a música de outro poeta, Chico Buarque de Hollanda, para uma peça teatral que é um dos maiores clássicos dos palcos brasileiros.
Pena que sejam ainda hoje poucos os que conseguem fugir da "morte severina" e chegam a viver uma vida menos cruel.


CLÓVIS ROSSI
Colunista da Folha
(133 págs.)