segunda-feira, 31 de agosto de 2009

COLEÇÃO FOLHA
GRANDES ESCRITORES BRASILEIROS

8

LIMA BARRETO

Triste Fim de
Policarpo
Quaresma

(1915)

2008

Titular dos direitos de edição: NOVA FRONTEIRA S.A.

É muito comum que se descreva o major Policarpo Quaresma como uma espécie de Dom Quixote tupiniquim. A analogia é bem aplicada. Após muitos anos levando uma vida pacata, imerso numa quantidade imensa de livros, um belo dia esse discreto personagem resolve sair por aí propondo soluções aparentemente fora de propósito para melhorar o mundo que o cerca. Causa incômodo e confusão e é logo tachado de idealista lunático.
Mas encaixar o protagonista de Triste Fim de Policarpo Quaresma apenas nessa definição é deixar para segundo plano o verdadeiro objetivo que a pena afiada do escritor carioca Lima Barreto (1881-1922) buscava atingir.
O romance é um retrato inconformado da parasitária e presunçosa sociedade suburbana do Rio de Janeiro e da situação política do Brasil durante os primeiros, e instáveis, tempos da República.
Quaresma é um nacionalista obcecado pela ideia de que pode melhorar o Brasil através do conhecimento de suas riquezas e do empreendimento voluntário. Aprende tupi e costumes indígenas com a intenção de disseminá-los. Estuda os rios e cultiva a terra com as próprias mãos. Enfrenta saúvas, ervas daninhas e o desânimo da gente do campo. Por fim, alia-se às forças do então presidente Floriano Peixoto, imaginando que a vitória do Marechal contra os oficiais revoltosos abriria espaço para a modernização do país. Uma vez conquistada sua confiança, imaginava Quaresma, suas propostas seriam ouvidas e, quiçá, implementadas.
Todas essas tentativas, porém, fracassam diante do desânimo e da incompreensão geral com que suas iniciativas são recebidas. Enfim, o espectro da loucura, que desde o começo espreitava o personagem - e que, na vida real do autor, sempre foi uma presença constante -, surge então como real ameaça a seus sonhos.


SYLVIA COLOMBO
Repórter da Ilustrada
(255 págs.)