quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Vinicius de Moraes


Nome:
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes

Nascimento: Rio de Janeiro (RJ), 19 de outubro de 1913

Morte: Rio de Janeiro (RJ), 9 de julho de 1980

Instrumentos: voz, poesia e uísque

Epíteto: Poetinha

O ANEL NA CAUDA

Muito antes de ficar famoso como o letrista de "Garota de Ipanema" (com Tom Jobim), "Minha Namorada" (com Carlos Lyra), "Berimbau" (com Baden Powell), "Arrastão" (com Edu Lobo) ou "Tarde em Itapoã" (com Toquinho), o nome de Vinicius de Moraes já dizia alguma coisa a milhares de brasileiros. Em meados dos anos 50, ele era associado a uma improvável combinação de poesia, uísque e mulher. Ou seja, sabia-se que Vinicius era um poeta e, no caso, ironicamente romântico - não fora ele que escrevera, a respeito do amor, "Não seja imortal, posto que é chama/ Mas que infinito enquanto dure"?
Não se comentava sobre se era casado ou solteiro. Mas, numa época em que a imprensa não se atrevia a expor a vida pessoal de ninguém e chamava todo mundo de Sr., as fotos nas revistas às vezes o mostravam numa boate, vestido a rigor, cercado de garrafas (mesmo que de água mineral) e ao lado de uma mulher bonita. Havia ao seu redor um halo de boemia e prazer que não se via em torno de, por exemplo, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, os dois grandes poetas "modernos" brasileiros, que só apareciam em fotos nos suplementos literários e, mesmo assim, de cara amarrada. Mas podia ser também porque, como diplomata (os mais informados sabiam que Vinicius era do Itamaraty e tinha sido cônsul em Los Angeles), ele fosse obrigado a levar uma vida mundana que, no fundo, talvez desprezasse.
Mal desconfiavam esses admiradores que o poeta estava apenas começando a perder a pele - e que o anel na cauda, que já se adivinhava, seria apenas o primeiro. Da bossa nova em diante, a partir de 1958, o Vinicius que surgiria de seus primeiros sucessos com Antonio Carlos Jobim - "Se Todos Fossem Iguais a Você", "Chega de Saudade", "A Felicidade", "Brigas Nunca Mais", "Eu Sei Que Vou Te Amar" - faria mais do que popularizá-lo entre as grandes massas. Iria torná-lo também um modelo para toda uma legião de rapazes e moças com aspirações artísticas.
Vinicius era um carioca de 1913. Em 1958, portanto, estava com 45 anos, idade em que seus companheiros de geração já estavam se convertendo ao pijama, ao reumatismo e à aposentadoria. Ele, não. Na crista de uma música também nova, nascia um novo Vinicius, para mostrar que a alternativa à criação não era a morte - mas a própria vida.
E que os anéis na cauda seriam muitos, cada qual simbolizando uma pele que ele iria deixar para trás.