quinta-feira, 1 de outubro de 2009


Enquanto o sábio arreiga o pensamento
Nos fenômenos teus, ó Natureza,
Ou solta árduo problema, ou sobre a mesa
Volve o sutil geométrico instrumento;

Enquanto, alçando a mais o entendimento,
Estuda os vastos céus, e com certeza
Reconhece dos astros a grandeza,
A distância, o lugar e o movimento;

Enquanto o sábio, enfim, mais sabiamente
Se remonta nas asas do sentido
À corte do Senhor onipotente,

Eu louco, eu cego, eu mísero, eu perdido,
De ti só trago cheia, ó Jônia, a mente;
Do mais e de mim mesmo ando esquecido.

Bocage