quinta-feira, 27 de agosto de 2009

COLEÇÃO FOLHA
GRANDES ESCRITORES BRASILEIROS

7

MANUEL BANDEIRA

Libertinagem
&
Estrela
da Manhã

(1930/1936)

2008

Titular dos direitos de edição: NOVA FRONTEIRA S.A.

Não sei exatamente quando conheci ou descobri Bandeira, mas sei que isso aconteceu há muito tempo, e que a poesia dele mudou a minha maneira de ver a vida - mudou a minha vida. Estrela da (minha) vida inteira, Bandeira me fez antever, constatar, confirmar ou consolidar sentimentos que, inexoráveis, os encontros e desencontros vicissitudinários se encarregaram de me apresentar: o da admissão do próprio fracasso ("Andorinha, Andorinha, minha cantiga é mais triste! / Passei a vida à toa, à toa"), o da absoluta impotência diante do sofrimento do ser amado ("Ah se em troca de tanta felicidade que me dás / Eu te pudesse repor / -Eu soubesse repor- / No coração despedaçado / As mais puras alegrias de tua infância!") e, sobretudo, o da aguda consciência da miséria humana ("Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade / Que a vida é traição").
Sou dos que crêem que os poetas são seres eleitos pelos deuses para traduzir a alma de um povo ou a própria essência da alma humana. Bandeira é um deles. Em poemas muitas vezes curtos, pequenos, o grande Poeta expõe gotas sintéticas e densas, muito densas, de todas as nossas belezas e mazelas, virtudes e incoerências, glórias e fracassos. Nas páginas desta obra, o leitor encontrará boa parte dessas pequenas maravilhas que a pena de Bandeira lavrou.


PASQUALE CIPRO NETO
Colunista da Folha
(102 págs.)