domingo, 22 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Como O Leitor roubou o lugar de O Cavaleiro das Trevas?
Quando o anúncio dos indicados para melhor filme foi ao ar, na quinta-feira, dia 22 de janeiro, todos esperavam uma lista de indicados que daria um ar mais popular à maior festa do cinema americano. Afinal, desde O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei que um fenômeno de bilheteria e crítica não tinha chance de concorrer à estatueta e, por consequência, chamar mais audiência e ligar a cerimônia com uma nova geração de cinéfilos. As listas de sindicatos e jornalistas apontavam que 2009 seria diferente. Mas não foi o que aconteceu. Seguindo uma tradição que parecia extinta (ou adormecida) no novo século, a Academia deu um passo atrás, preferindo surpreender com a inclusão de O Leitor, drama de Stephen Daldry, ao lado de Quem Quer Ser Um Milionário?, de Danny Boyle; Milk – A Voz da Igualdade, de Gus Van Sant; Frost/Nixon, de Ron Howard; e O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher.
Mas a surpresa poderia ser menor ao desvendar os bastidores do filme. A começar pelo homem por trás do estúdio: Harvey Weinstein. Conhecido por suas atitudes agressivas em relação a premiação, o chefe da Weinstein Co. estava longe do Oscar desde que a sua Miramax foi apossada pela Disney. O sujeito que conseguiu liderar Shakespeare Apaixonado na vitória considerada absurda até hoje sobre O Resgate do Soldado Ryan em 1999, parecia ter perdido a vontade de retornar ao posto de lobista número 1 de Hollywood. O Leitor provou que não. Genial em suas campanhas, Harvey não poupou em seus discursos a lembrança que o longa era uma produção dois importantes diretores falecidos recentemente, Anthony Minghella e Sydney Pollack. Ressaltou os problemas das filmagens, com a saída de Nicole Kidman do papel principal (substituída brilhantemente por Kate Winslet), mulher acusada de ter matado 300 judeus na “Marcha da Morte”, durante a Segunda Guerra, e o desdobramento de Daldry para equilibrar o trabalho com seu musical em cartaz em Londres. Somando tudo isso a um tema (nazismo) que a Academia dificilmente deixa passar (até Um Ato de Liberdade, estrelado por Daniel Craig, foi lembrado), o caminho estava pavimentado para O Leitor. Uma dica para Christopher Nolan para o terceiro Batman: coloca o Homem-Morcego na Segunda Grande Guerra, matando nazistas, salvando crianças e depois ficando tetraplégico por causa do feito. Oscar fácil.
Fonte: SET (Fevereiro, 2009 - Ed. 260 - Ano 22)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Heath Ledger será consagrado como o maior vilão do cinema?
O Oscar póstumo só foi entregue uma vez na história e foi para Peter Finch, indicado como melhor ator por Rede de Intrigas. Trinta e dois anos depois, a Academia pode repetir o gesto e premiar o australiano Heath Ledger como melhor ator coadjuvante por seu trabalho em Batman – O Cavaleiro das Trevas. Se um desastre não tomar conta da noite, a entrega da estatueta para o ator (provavelmente representado pelo diretor Christopher Nolan), morto em janeiro de 2008 devido a uma overdose de drogas legais, não só representará a consagração de um jovem astro, como o batismo oficial que o seu Coringa precisava para se tornar o maior vilão da história do cinema.
Pode parecer exagero, mas não é. Hannibal Lecter poderia reclamar que já tem um Oscar de melhor ator, mas o personagem não fez parte de um fenômeno pop de proporções gigantescas. Não há como negar que o ingrediente trágico também influenciou para o Cavaleiro das Trevas se tornar a segunda maior bilheteria do cinema nos Estados Unidos, perdendo por 60 milhões de dólares para Titanic; e a quarta no mundo, atrás de Titanic, O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei e Piratas do Caribe: O Baú da Morte. Se o relançamento da produção estiver funcionando, há a chance de Batman e Coringa ultrapassarem a marca do bilhão de dólares. Se dinheiro não é tudo, o Coringa de Ledger tornou-se um símbolo e foi adotado pela geração digital – quem não tinha um amigo mala do escritório com a foto do MSN rabiscada com olhos esbugalhados e um sorriso branco?
A única peça que falta se encaixar na consagração total de Heath Ledger é o Oscar – que poderia ter acontecido há três anos com seu caubói gay de O Segredo de Brokeback Mountain. O ator já conquistou o Globo de Ouro, associações de críticos e, no fechamento desta edição, concorria ao BAFTA, o Oscar inglês, e ao Sindicato de Atores – sempre como favorito. Alguns alegam que a emoção da perda de um jovem promissor está atingindo os defensores do vilão. Pensamento mesquinho. Nenhum outro personagem em 2008 foi tão imitado e gerou tantas frases na cultura pop quanto o Coringa de Ledger. Dedicado à interpretações de método, o australiano construiu um assassino carismático e perigoso, caótico e filosófico. Deve ser aplaudido de pé e, dessa forma, quebrar parte do preconceito que a Academia tem contra filmes baseados em quadrinhos e lembrar a todos que nem sempre o filme “mais importante” é o melhor.
Ator coadjuvante por Batman – O Cavaleiro das Trevas
Fonte: SET (Fevereiro, 2009 - Ed. 260 - Ano 22)