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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PINTOU SUJEIRA



Cascão fez sua estreia nas tiras de jornal do Cebolinha, em 1961. A inspiração para o personagem veio das lembranças de Mauricio sobre um garoto que andava junto com o Cebola de Mogi das Cruzes e estava sempre sujo. Mais uma vez, o apelido Cascão havia sido dado ao garoto pelo pai de Mauricio. O desenhista afirma que Cebolinha e Cascão foram criados juntos, mas o segundo só estreou um ano depois pelo medo da recepção negativa do público a um menino que adora sujeira.

Mas, apesar das reclamações de alguns pais, o menino que tem pavor de água se tornou um dos membros mais populares da turma, ao lado de seu amigo Cebolinha. Desde cedo, Mauricio buscou mostrar pontos positivos do garoto, como a habilidade em fazer brinquedos com sucata e a paixão por futebol. Mas, em suas primeiras histórias, Cascão não era corintiano e sim santista. E algumas vezes chegou até mesmo a tomar banho. O nome completo do personagem é Cascão Alvo Araújo.

Fonte: Mundo dos Super-Heróis - Número 27 - maio/junho de 2011
pág. 24

domingo, 21 de agosto de 2011

PRIMEIRAS REVISTAS

DOSSIÊ MAURICIO [ANOS 1960]



Foi um longo caminho até Mauricio publicar suas primeiras HQs

Por André Morelli

Mauricio iniciou sua nova rotina de visitas a jornais na tentativa de vender suas tiras. No início, o campo de atuação era limitado - cerca de 100 km ao redor de Mogi das Cruzes -, pois o desenhista não tinha dinheiro para viajar até cidades mais distantes. Outro problema era a concorrência com as tiras norte-americanas, vendidas aos jornais a preços muito baixos. Mas, mesmo lentamente, os resultados começaram a aparecer.


Nesse período, o mercado de quadrinhos vivia uma fase de boas vendas, impulsionadas pelas histórias de terror produzidas por artistas nacionais. Mesmo sem ter intimidade com o tema, Mauricio escreveu e desenhou uma HQ de terror e tentou vendê-la para o quadrinista português Jayme Cortez, que trabalhava como diretor de arte na Continental, uma pequena editora paulistana.

Cortez detestou o material mas, ao descobrir que Mauricio era o autor das tiras do Bidu, fez uma proposta irrecusável: produzir um gibi da Turma do Franjinha que, na época, já contava com a presença de Titi, Jeremias e Chaveco - anos depois, esse último viraria Xaveco, com "X".

A primeira história em quadrinhos de Franjinha e Bidu foi publicada no número 4 da Zaz-Traz, uma publicação da Continental que testava novos autores. Meses depois, foi lançada Bidu, primeira revista oficial de Mauricio de Sousa. Mas a experiência não foi bem-sucedida. Somada à tarefa de criar e vender tiras, a produção da revista se mostrou inviável. Tanto que, em 1961, a publicação foi cancelada, após oito edições. Seria necessário quase uma década para o artista monstar uma estrutura mais preparada para o desafio de produzir revistas mensais.

Fonte: Revista Mundo dos Super-Heróis #27 - maio/junho de 2011
pág. 22

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PRIMEIRA TIRA PUBLICADA

DOSSIÊ MAURICIO [1950-1960]



Foi um longo caminho até Mauricio publicar suas primeiras HQs

Por André Morelli

Em 1959, Mauricio teve sua grande oportunidade quando o cardeno de variedades da Folha da Manhã encomendou ao desenhista uma tira semanal. Inspirado por sua infância, Mauricio desenvolveu um tema simples, com pequenas situações envolvendo um menino e seu cachorro. O cachorro foi baseado em Cuíca, um pequeno Schnauzer que Mauricio teve quando garoto. Já o dono do cachorro tinha um pouco do próprio autor e também características de um dos sobrinhos de Mauricio. Era a primeira vez que ele usava um parente como inspiração, prática que se tornaria comum nos anos seguintes. Ao contrário de outras tiras, as histórias eram na vertical e não apresentavam texto.


Tanto a tira quanto seus personagens não tinham sequer um nome, situação que se estendeu por meses, até Mauricio fazer uma enquete com seus companheiros de jornal. Para o cachorro, um repórter sugeriu Bidu - uma gíria da época que designava alguém esperto -, enquanto o próprio Mauricio usou a característica mais marcante do menino - sua franja - como nome de batismo. E dessa forma a tira ganhou o nome de Bidu e Franjinha, título que estreou junto com a mudança de formato do material. De histórias mudas e verticais publicadas uma vez por semana, a tira passou para o formato horizontal, ganhou diálogos e começou a ser publicada diariamente. Detalhe: em suas primeiras histórias, Franjinha ainda não era o conhecido garoto apaixonado por ciências.

Durante um ano, Mauricio continuou como repórter-policial, já que as tiras ainda rendiam pouco para sustentar sua família. Mas, em 1960, com a certeza de que acharia uma forma de se manter, o artista abandonou as matérias sobre crimes para investir em seus personagens.

Fonte: Revista Mundo dos Super-Heróis #27 - maio/junho de 2011
pág. 21

terça-feira, 26 de julho de 2011

INÍCIO FRUSTADO

DOSSIÊ MAURICIO [1950-1960]



Foi um longo caminho até Mauricio publicar suas primeiras HQs

Por André Morelli

Em 1954, aos 19 anos e com a experiência de produzir cartazes e ilustrações para o comércio de Mogi das Cruzes, Mauricio já imaginava estar preparado para a carreira de desenhista profissional. Reuniu seus melhores desenhos numa pasta e saiu para oferecer seu trabalho ao jornal Folha da Manhã (depois rebatizado como Folha de São Paulo). O resultado não poderia ser pior: Orlando Mattos, o chefe de arte do jornal, disse ao jovem que desenho não dava futuro e que era melhor se dedicar a outra profissão.


A entrevista só não foi pior porque Mauricio acabou conseguindo um emprego na Folha da Manhã como copidesque, uma espécie de assistente de texto. Em pouco tempo, fez teste para jornalista e conseguiu uma promoção para repórter-policial. Durante cinco anos, Mauricio escreveu reportagens sobre crimes bárbaros durante o dia e buscou aperfeiçoar seu traço à noite. Insistiu tanto com os editores que conseguiu a chance de criar pequenas ilustrações para as matérias do jornal. Mas esse era apenas o primeiro passo.

Fonte: Revista Mundo dos Super-Heróis #27 - maio/junho de 2011
pág. 21