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sábado, 9 de novembro de 2013

LIVRO ESTUDA O ATO DE COLECIONAR


O professor universitário, jornalista e colecionador de HQs Agnelo Fedel acaba de lançar Os Iconográfilos - Teorias, Colecionismo e Quadrinhos (LCTE Editora, 72 págs.), um estudo que aborda o ato de colecionar, em especial, revistas em quadrinhos.

A obra de Fedel recorre à psicanálise para entender o desejo de colecionismo, para depois se aprofundar em pesquisas e entrevistas com donos de lojas e fanáticos por gibis. O autor conta que colecionou um número tão grande de histórias que pretende escrever um próximo livro só com os melhores "causos" relatados. Entre eles, a negociação em São Paulo de um número 5 da revista brasileira do Pato Donald, de 1950, por - pasmem - cinco mil reais! Numa conversa com a Mundo dos Super-Heróis, ele dá algumas dicas para guardar corretamente uma coleção de gibis.

Quais as técnicas para conservar revistas antigas?

Revistas em quadrinhos são basicamente papel e tinta. A principal regra, caso você realmente queira conservá-las, é mantê-las sempre em local refrigerado, com baixa umidade e calor. Há quem coloque em saquinhos plásticos mas, se as revistas estiverem em local úmido, vão embolorar de qualquer maneira. Caixas de papelão com tampa são a melhor opção.

Existe uma técnica de conservação ideal para revistas com miolo em papel jornal, como aquelas em preto e branco da Ebal nas décadas de 50 a 80. Basta passar, delicadamente, uma camada fina de cera branca, aquela de assoalho. Além de conservar, a cera evita traças e mofo.

Fonte: Mundo dos Super-Heróis # 4 - Abril/Maio de 2007 - Editora Europa.

FEDEL, AGNELO

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo. Especialista em Teorias e Técnicas da Comunicação; Mestre em Comunicação e Mercado. Docente das disciplinas Teorias da Comunicação, Sociologia da Comunicação, Estética e História da Arte, Redação e Edição. Redige, produz e apresenta um programa semanal sobre cinema no Canal 25 - NET Jundiaí - o Cine Drops, desde 2005.

Fonte: Livraria Cultura 

quinta-feira, 30 de junho de 2011

NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, O Guia do Mochileiro das Galáxias vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado.

Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect.

A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário.

Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da "alta cultura" e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.


O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS
DOUGLAS ADAMS
204 págs.
7a. Edição
Editora Sextante

segunda-feira, 21 de março de 2011

Os Pilares da Terra

Volume II



Ken Follett, mestre do suspense e da ação, não poderia ter escolhido mais inusitado na sua trajetória literária, pautada por romances de espionagem: a construção de uma catedral gótica na Inglaterra do século XII. Impondo o seu ritmo ágil a uma história que recria uma época marcada pelo poder da igreja e dos cavaleiros, e pela arquitetura como máxima expressão artística, Follett escreve um romance que segue, inclusive estruturalmente, o levantamento do chão de uma obra-prima de pedra e delicados ornamentos.
No segundo volume o fio condutor da narrativa passa a ser Jack Shareburg, o filho de Ellen com um trovador injustamente condenado à morte na forca. Criado por Tom, Jack se vê impelido a correr mundo pela impossibilidade de se casar com Aliena, noiva de seu irmão, e pela incapacidade de se adaptar ao noviciado. Decidido a fazer o Caminho de Santiago de Compostela, ele entra em contato, no percurso, com a cultura sarracena e vai a Paris a tempo de ver construída a catedral de Saint-Denis. É ali que reencontra Aliena e o filho, e decide voltar à Inglaterra, para cumprir o que julga ser sua missão: levar as conquistas do gótico francês, a mistura de solidez e leveza, para a reconstrução da catedral de Kingsbridge.
As tramas paralelas, desenvolvidas por Follett no primeiro volume, ganham na segunda parte fôlego surpreendente. Movimentos camponeses, conspirações, procissões improvisadas, tudo reflete a agitação do final do século e a mudança galopante das feições da Inglaterra feudal. Os mistérios propostos no início do romance são desvendados, as peças do quebra-cabeças encaixam-se.

O AUTOR

Ken Follett vive em Londres com a mulher, Barbara, e seus filhos. Nascido no País de Gales em 1949, ele se projetou, aos 27 anos, ao lançar seu primeiro romance, O buraco da agulha. Desde então vem colecionando sucessos como O vôo da águia e Na toca do leão.

Título original:
THE PILLARS OF THE EARTH
1989

Tradução de
PAULO AZEVEDO

EDITORA ROCCO LTDA.

607 págs.


domingo, 20 de março de 2011

O ALQUIMISTA



A OBRA

Livro brasileiro de maior sucesso no exterior, O Alquimista narra a história de um jovem pastor (Santiago) intrigado por um sonho recorrente: um tesouro oculto, guardado próximo das pirâmides do Egito. Disposto a decifrar seus sonhos, ele empreende uma longa viagem, em que se defronta com os grandes enigmas que acompanham a humanidade desde a Criação. Em sua jornada, encontra, entre outros personagens, um alquimista, que lhe ensina como penetrar na misteriosa Alma do Mundo e como identificar as pistas para chegar ao tão procurado tesouro.

O AUTOR

Um dos maiores autores mais lidos de todos os tempos - seus livros já foram traduzidos para 56 idiomas e publicados em mais de 150 países -, Paulo Coelho nasceu em 1947, no Rio de Janeiro. Antes de se tornar escritor, trabalhou como diretor e autor de teatro, compositor e jornalista. Como compositor, manteve uma parceria de sucesso com Raul Seixas e teve músicas gravadas por cantoras como Elis Regina e Rita Lee. Como escritor, tornou-se um fenômeno mundial e recebeu numerosos prêmios internacionais, dentre os quais se destaca a Legião de Honra, a mais importante condecoração francesa. Em 2002, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

PRÓLOGO

O Alquimista pegou um livro que alguém na caravana havia trazido. O volume estava sem capa, mas conseguiu identificar seu autor: Oscar Wilde. Enquanto folheava suas páginas, encontrou uma história sobre Narciso.
O Alquimista conhecia a lenda de Narciso, um belo rapaz que todos os dias ia comtemplar sua própria beleza num lago. Era tão fascinado por si mesmo que certo dia caiu dentro do lago e morreu afogado. No lugar onde caiu, nasceu uma flor, que chamaram de narciso.
Mas não era assim que Oscar Wilde acabava a história.
Ele dizia que quando Narciso morreu, vieram as Oréiades - deusas do bosque - e viram o lago transformado, de um lago de água doce, num cântaro de lágrimas salgadas.
- Por que você chora? - perguntaram as Oréiades.
- Choro por Narciso - disse o lago.
- Ah, não nos espanta que você chore por Narciso - continuaram elas. - Afinal de contas, apesar de contas, apesar de todas nós sempre corrermos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza.
- Mas Narciso era belo? - perguntou o lago.
- Quem mais do que você poderia saber disso? - responderam, surpresas, as Oréiades. - Afinal de contas, era em suas margens que ele se debruçava todos os dias.
O lago ficou algum tempo quieto. Por fim, disse:
- Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que Narciso era belo.
"Choro por Narciso porque todas as vezes que ele se deitava sobre minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, minha própria beleza refletida".

"Que bela história", disse o Alquimista.


192 págs.


Coordenação editorial desta edição:
Gold editora ltda.

domingo, 17 de janeiro de 2010

William Saroyan

A Comédia Humana

Tradução de Alex Viany

Título original:
The Human Comedy (1942)

Capa:
Ilustração de Norman Rockwell
(Under Sail, outubro de 1934)

Copyright desta edição, Abril S.A. Cultural e Industrial
São Paulo, 1980


Uma sequência de quadros simples, cotidianos, que emolduram as experiências humanas e de trabalho do adolescente Homero Macauley, estafeta de uma agência postal e telegráfica. Um retrato pungente, poético, de uma pequena cidade da Califórnia e o drama de um jovem sensível que se vê de repente chefe de uma família dizimada pela guerra. Algumas das páginas mais tocantes da moderna ficção americana.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

1984
Título Original
Nineteen Eighty-Four



George Orwell

(1949)


Direitos para a língua portuguesa adquiridos pela
COMPANHIA EDITORA NACIONAL
Edição: 1984

"A reação mesquinha e violenta que meu artigo sobre John Lennon e Yoko provocou nos rinocerontes, intelectuais menos, público mais, é um bom exemplo. É parte da cultura de massas, da sociedade de massas, a hostilidade à opinião complexa, nuançada, típica desse artigo meu. Ou o assunto é 'ídolo', ou 'canalha'. Isso era uma das componentes do que Orwell chamava totalitarismo."

(Paulo Francis, Folha de S. Paulo, 16/01/81)

"Para nós, entretanto, 1984 já é quase o presente e logo será parte do passado. O próprio século XX inteiro ficará inevitavelmente para trás. E o que complica ainda mais as coisas é que o universo político não é nunca sincrônico, mas diacrônico e, com frequencia, anacrônico. 1984 é uma espécie de carinho orwelliano que marcou (e marca ainda) anos diferentes em países diferentes, embora sem ter chegado nunca, ao menos até agora, a realizar-se inteiramente, isto é, ecumenicamente."

(Fernando Pedreira, Jornal do Brasil, 28/09/80)

"(...) Várias vezes o próprio Orwell insistirá, a respeito de 1984, que o romance não era um ataque ao socialismo, mas 'uma antevisão das perversões a que uma economia centralizada pode conduzir e que já foram realizadas em parte pelo fascismo e pelo comunismo'. Orwell mostrou, com 1984, que o pesadelo é mais real do que imaginamos, mas o romance não é somente isso: ele também provou que a literatura política pode ser uma arte."

(Paulo Sérgio Pinheiro, Isto É, 24/09/81)

Tradução de
Wilson Velloso

(277 págs.)

domingo, 18 de outubro de 2009

operação CAVALO DE TRÓIA
HERMON

Título Original
CABALLO DE TROYA 6 - HERMÓN


6

J. J. BENÍTEZ

Editorial Planeta, Barcelona
(Espanha)

(1999)


Todos os direitos reservados à
Editora Mercuryo Ltda.
Edição: 2000

Este sexto volume da série Cavalo de Tróia, continuando o diário do major norte-americano, traz, entre milhares de dados técnicos e históricos rigorosamente comprovados, novos capítulos que foram ocultados pelos evangelistas.
  • Aparições de Jesus de Nazaré depois de sua Ressurreição: você sabia que foram muitas mais do que as relatadas nos Evangelhos?

  • O primeiro cisma entre os discípulos: por que ninguém falou disso?

  • Análise do DNA: outra demolidora "surpresa"...

  • O reencontro com o Mestre, no terceiro "salto" no tempo.

  • Um livro duro, valente e terno, no qual o Filho do Homem aparece de novo, fascinando com suas palavras e sua irresistível humanidade.

    "Se algum dia contar toda a verdade sobre Cavalo de Tróia, ninguém acreditará em mim: sou apenas um transmissor", adverte o escritor.

    (461 págs.)

    quinta-feira, 17 de setembro de 2009

    COLEÇÃO FOLHA
    GRANDES ESCRITORES BRASILEIROS

    3

    JORGE AMADO

    Tocaia Grande
    A FACE OBSCURA

    (1988)

    2008

    Titular dos direitos de edição: NOVA FRONTEIRA S.A.

    Era inevitável que Jorge Amado escreveria, na maturidade literária a que chegou, no início dos anos 80 do século passado, um livro como Tocaia Grande. Até certo ponto seria a síntese e não o resumo de sua obra. Já havia escrito Terras do sem fim e São Jorge de Ilhéus, nos quais a personagem principal eram comunidades, embora formadas por intérpretes que ocupavam o primeiro plano da narrativa. Mais tarde, o autor nos daria as grandes protagonistas, Gabriela, Dona Flor e Tieta, em torno das quais movimentaria o seu universo social.
    Tocaia Grande era uma terra de ninguém, sua face obscura é o imenso painel de misérias humanas, barro e sangue, pólvora e facão, o tradicional embate de coronéis e jagunços, traições e fidelidades, e mais um turco e uma artista russa, dois frades que tentam salvar a alma daqueles infiéis - tudo narrado com a suculenta prosa de um dos maiores narradores da literatura universal.
    Assim como José Lins do Rego que, em Fogo morto, visitou todo o seu ciclo da cana-de-açúcar, em Tocaia Grande Jorge Amado percorre os "punti luminosi" de sua obra anterior, a saga dos cacaueiros, das prostitutas, da violência, da vingança e do distancimento de qualquer mandamento legal.
    Não temos o panfleto social de seus primeiros livros, a divisão entre bons e maus, a falsa consciência de que um dia todos poderão ser irmãos. A face obscura de Tocaia Grande é a própria face obscura da sociedade humana, desprezada pela historiografia oficial, comprometida em exaltar hipotéticos feitos de hipotéticos heróis.


    CARLOS HEITOR CONY
    Colunista da Folha
    (553 págs.)

    segunda-feira, 14 de setembro de 2009

    MUSASHI
    Título Original
    Miyamoto Musashi


    VOLUME II

    Eiji Yoshikawa

    Copyright - Fumiko Yoshikawa
    (1935/1939)


    Todos os direitos reservados à
    Editora Estação Liberdade Ltda.
    Edição: 1999

    Neste segundo volume, após o violento e histórico duelo de Ichijoji, Mushashi procura abrigo num templo do monte Hiei para recuperar-se física e mentalmente de seus ferimentos. Depois, segue seu caminho de samurai peregrino na rota do aperfeiçoamento filosófico e guerreiro, e também se envolve em duelo particular com a natureza, ao tentar dominá-la, o que não consegue apesar de todo o seu empenho.
    O jovem guerreiro incorporando força e agilidade ímpares torna-se também mais humano: desenvolve profunda amizade com um habilíssimo manejador do bastão que por muito pouco não o derrota, além de procurar formar um discípulo à sua imagem na pessoa de um garoto que passa a acompanhá-lo por longo trecho de sua missão. Para não falar da bela jovem que conquistou seu coração, amor que revela o lado sensível de Musashi, e que na verdade não logra dominar e fazer frutificar.
    As imagens de Edo, a futura Tóquio, em frenético desenvolvimento, cujo palpitante submundo deixa antever a metrópole que mais tarde virá a ser, constituem a incursão urbana desta obra predominantemente bucólica e com forte presença de um feudalismo em sofrida modernização.
    Toda a trama, no entanto, com suas múltiplas reviravoltas, está inscrita na lógica do esperado e inevitável duelo da ilha de Funashima com Sasaki Kojiro, o outro grande espadachim da época e rival de Musashi em habilidade, tenacidade e sabedoria guerreira. Para o eventual vencedor, não será apenas necessária a melhor técnica, mas também a maior nobreza de espírito.
    Eiji Yoshikawa dividiu sua obra em sete livros: A Terra, A Água, O Fogo, O Vento, O Céu, As Duas Forças e A Harmonia Final. Destes, os cinco primeiros são uma referência ao gorin, os cinco elementos básicos de que se compõe, segundo o Budismo, toda e qualquer matéria, ou ainda os ciclos por que passa o espírito humano para alcançar a perfeição, começando pela terra impura até atingir o estágio mais alto, o céu, ou segundo a concepção budista, a paz do nada, o nirvana.
    Yoshikawa compõe portanto ao longo dessa extensa obra uma magistral metáfora dos duros estágios por que tem de passar um guerreiro para alcançar a perfeição técnica que lhe permita lutar com uma espada em cada mão. De garoto selvagem e sanguinário, Musashi transforma-se aos poucos em guerreiro equilibrado, um espírito evoluído capaz de entender e amar tanto a esgrima quanto as artes, tornando-se assim o maior e mais sábio dos samurais.
    Musashi é a obra literária mais vendida da história do Japão - mais de 120 milhões de exemplares em suas diversas edições, além de cerca de 15 versões cinematográficas ou televisivas. Seus principais personagens passaram a integrar o cotidiano, e a obra tornou-se livro de cabeceira e guia da arte de viver para gerações de japoneses.

    O Volume I contém os livros A Terra, A Água, O Fogo, O Vento (1a. parte).
    O Volume II contém os livros O Vento (2a. parte), O Céu, As Duas Forças e A Harmonia Final.

    Tradução integral do japonês de Leiko Gotoda

    (887 págs.)

    domingo, 13 de setembro de 2009

    DOSSIÊ
    DRUMMOND


    Geneton Moraes Neto

    Copyright © 2007 by Geneton Moraes Neto
    (1994)


    Todos os direitos reservados à
    Editora Globo S.A.
    2a. Edição rev. e ampl: 2007

    DOSSIÊ DRUMMOND: UMA SOBERBA REPORTAGEM

    Dono de um texto fluente, claro e objetivo, Geneton Moraes Neto é um desses profissionais que qualquer editor gostaria de ter preso na redação, na ingrata e frustante condição de copy-desk - reescrevedor e enxugador de matérias que chegam ao jornal "in natura", com suas gorduras prescindíveis e atropelada construção. Um outro editor mais afortunado já conseguiu eventualmente fisgar Geneton, imobilizando-o na redação e dando-lhe tarefas que repugnam à sua condição de repórter, o que de fato ele é. Mas logo ele dá um jeito de escapar do mundo confinado da redação e ganhar a rua e seu amplo e imensurável universo povoado de fatos, gentes e falas - em suma, de tudo isso que é a notícia, da qual o grande repórter, como é o caso de Geneton, é ao mesmo tempo servidor incondicional e crente convicto.

    A condição de repórter em Geneton é imbatível, é nele uma segunda natureza e, como profissional, a própria razão de ser. Disto estou tão convicto (afinal, já trabalhamos juntos e o conheço muito bem, a pessoa e o profissional) que se por acaso me perguntassem qual é hoje em nossos meios de comunicação a cara da reportagem, eu não vacilaria em responder: Geneton Moraes Neto. Ele tem aquelas duas qualidades que o lendário Herbert Mathews apontava como essenciais num repórter: a humildade e a paciência. No trato com a notícia, que ele respeita e trata com unção, Geneton é impecável. Nada de brincar com ela, "enriquecê-la" por conta própria ou simplesmente deformá-la.

    O Dossiê Drummond não é mais que uma grande, uma soberba reportagem. Em páginas repletas de depoimentos, revelações e acurado estudo do homem e do poeta, a notícia "Drummond" é tratada neste livro em toda a sua extensão e em toda a sua exatidão. Com este Dossiê Drummond, acredito que Geneton chegou ao ponto máximo de sua carreira de repórter - dos maiores que o Brasil já conheceu.

    Joel Silveira
    Repórter, ex-correspondente de guerra na Itália

    (469 págs.)

    domingo, 6 de setembro de 2009

    MUSASHI
    Título Original
    Miyamoto Musashi


    VOLUME I

    Eiji Yoshikawa

    Copyright - Fumiko Yoshikawa
    (1935/1939)


    Todos os direitos reservados à
    Editora Estação Liberdade Ltda.
    Edição: 1999

    Este romance épico baseado diretamente na história japonesa narra um período da vida do mais famoso samurai do Japão, que viveu presumivelmente entre 1584 e 1645. O início é antológico: Musashi recupera os sentidos em meio a pilhas de cadáveres do lado dos vencidos na famosa batalha de Sekigahara. Perambula a seguir em meio a um Japão em crise onde samurais condenados ao desemprego e à miséria por senhores feudais desbaratados semeiam a vilania ditando a lei do mais forte. Musashi será mais um dentre estes pequenos tiranos, derrotando impiedosamente quem encontra pela frente até que um monge armado apenas de sua malícia e de alguns preceitos filosóficos zen-budistas consegue capturá-lo e pô-lo rudemente à prova. Musashi foge graças a uma jovem admiradora, para ser novamente capturado, e agora fica três anos confinado numa masmorra onde uma longa penitência toda feita de leituras e reflexões o fará ver um novo sentido para a vida, assim como novos usos para sua força e habilidade descomunais. Os caminhos rumo à plenitude do ser jamais são fáceis, e em seus anos de peregrinação em busca da perfeição tanto espiritual quanto guerreira enfrentará os mais diversos adversários, tendo inclusive que sair-se várias de situações desesperadoras. É numa dessas situações que, totalmente acuado, usará pela primeira vez, em meio ao calor da luta e quase inconscientemente de início, a surpreendente técnica das duas espadas, o estilo Niten ichi que o tornaria famoso pelo resto dos tempos.
    Eiji Yoshikawa dividiu sua obra em sete livros: A Terra, A Água, O Fogo, O Vento, O Céu, As Duas Forças e A Harmonia Final. Destes, os cinco primeiros são uma referência ao gorin, os cinco elementos básicos de que se compõe, segundo o Budismo, toda e qualquer matéria, ou ainda os ciclos por que passa o espírito humano para alcançar a perfeição, começando pela terra impura até atingir o estágio mais alto, o céu, ou segundo a concepção budista, a paz do nada, o nirvana.
    Yoshikawa compõe portanto ao longo dessa extensa obra uma magistral metáfora dos duros estágios por que tem de passar um guerreiro para alcançar a perfeição técnica que lhe permita lutar com uma espada em cada mão. De garoto selvagem e sanguinário, Musashi transforma-se aos poucos em guerreiro equilibrado, um espírito evoluído capaz de entender e amar tanto a esgrima quanto as artes, tornando-se assim o maior e mais sábio dos samurais.
    Musashi é a obra literária mais vendida da história do Japão - mais de 120 milhões de exemplares em suas diversas edições, além de cerca de 15 versões cinematográficas ou televisivas. Seus principais personagens passaram a integrar o cotidiano, e a obra tornou-se livro de cabeceira e guia da arte de viver para gerações de japoneses.

    O Volume I contém os livros A Terra, A Água, O Fogo, O Vento (1a. parte).
    O Volume II contém os livros O Vento (2a. parte), O Céu, As Duas Forças e A Harmonia Final.

    Tradução integral do japonês de Leiko Gotoda

    (921 págs.)

    quarta-feira, 2 de setembro de 2009

    operação CAVALO DE TRÓIA
    Os Outros Mundo

    Título Original
    CABALLO DE TROYA 5


    5

    J. J. BENÍTEZ

    Editorial Planeta, Barcelona
    (Espanha)

    (1996)


    Todos os direitos reservados à
    Editora Mercuryo Ltda.
    Edição: 1996

    Depois de um silêncio de seis anos - justificado no prefácio -, J.J. Benítez retoma a saga dos Cavalos.
    Jasão, preso num subterrâneo, sem a "vara de Moisés", estava enterrado vivo. Teria encontrado seu fim? Durante seis anos o leitor ficou imaginando o que lhe aconteceria.
    Não só escapa, mas segue com sua missão, na Palestina do ano 30, nas pegadas de Jesus de Nazaré.
    Operação Cavalo de Tróia 5 é um relato vibrante, cheio de surpresas e emoções - não recomendado aos cardíacos, no dizer do autor -, onde nos é aberta a porta do mundo silenciado pelos evangelistas. Por exemplo, quem poderia ter imaginado que Pôncio Pilatos era, na verdade, um louco?
    Como nos anteriores, este livro ficará na memória de todos, baseado que está em meticulosas pesquisas de várias fontes. Como J.J. mesmo nos diz, os Cavalos constituem uma obra mágica, e documentos estão sempre lhe chegando às mãos.
    E, quando chegar ao final, um conselho: não se assuste nem se zangue, porque J.J. Benítez é assim mesmo...


    (320 págs.)

    terça-feira, 1 de setembro de 2009

    COLEÇÃO FOLHA
    GRANDES ESCRITORES BRASILEIROS

    14

    NELSON RODRIGUES

    Vestido
    de Noiva

    (1943)

    2008

    Titular dos direitos de edição: NOVA FRONTEIRA S.A.

    Converteu-se em clichê afirmar que Nelson Rodrigues é o Shakespeare brasileiro. A frase tem um sentido óbvio: Nelson Rodrigues ocupa no teatro brasileiro a centralidade do bardo no teatro inglês.
    Mas existe um sentido menos óbvio: tal como Shakespeare, o teatro de Nelson Rodrigues procura expressar a complexidade e as contradições da natureza humana. Nunca somos o que julgamos ser. Nunca somos o que os outros acreditam que somos.
    Vestido de Noiva (1943), escrito por um dramaturgo qualquer, seria fácil de resumir: Alaíde, caprichosa e leviana, rouba o namorado de sua irmã; casa com ele; mas, certo dia, é atropelada e morre. Desce o pano sobre este folhetim moralista?
    Para um dramaturgo qualquer, sem dúvida. Mas Nelson Rodrigues não é um dramaturgo qualquer. O atropelamento de Alaíde é o princípio do fim do princípio -e, no momento em que os médicos a procuram salvar no hospital e a cidade noticia a gravidade do seu caso, abrem-se na mente de Alaíde dois planos. Um plano de alucinação e um plano de memória que nos apresentam Alaíde como ela realmente é: os seus desejos mais reprimidos, desdobrados no fascínio por Clessi (uma prostituta) e na vontade subterrânea de matar Pedro (o marido); a forma velhaca como atraiçoou sua irmã Lucia; e a projeção futura de que Pedro e Lúcia acabarão juntos em matrimônio sepulcral.
    Nelson Rodrigues definia-se como um anjo pornográfico que espreita pelo buraco da fechadura. Vestido de Noiva, título irônico ao evocar uma pureza interdita, é a visão através da fechadura: um mundo sem salvação onde aquilo que escondemos é mais real do que a própria realidade.


    JOÃO PEREIRA COUTINHO
    Colunista da Folha
    (85 págs.)

    segunda-feira, 31 de agosto de 2009

    COLEÇÃO FOLHA
    GRANDES ESCRITORES BRASILEIROS

    8

    LIMA BARRETO

    Triste Fim de
    Policarpo
    Quaresma

    (1915)

    2008

    Titular dos direitos de edição: NOVA FRONTEIRA S.A.

    É muito comum que se descreva o major Policarpo Quaresma como uma espécie de Dom Quixote tupiniquim. A analogia é bem aplicada. Após muitos anos levando uma vida pacata, imerso numa quantidade imensa de livros, um belo dia esse discreto personagem resolve sair por aí propondo soluções aparentemente fora de propósito para melhorar o mundo que o cerca. Causa incômodo e confusão e é logo tachado de idealista lunático.
    Mas encaixar o protagonista de Triste Fim de Policarpo Quaresma apenas nessa definição é deixar para segundo plano o verdadeiro objetivo que a pena afiada do escritor carioca Lima Barreto (1881-1922) buscava atingir.
    O romance é um retrato inconformado da parasitária e presunçosa sociedade suburbana do Rio de Janeiro e da situação política do Brasil durante os primeiros, e instáveis, tempos da República.
    Quaresma é um nacionalista obcecado pela ideia de que pode melhorar o Brasil através do conhecimento de suas riquezas e do empreendimento voluntário. Aprende tupi e costumes indígenas com a intenção de disseminá-los. Estuda os rios e cultiva a terra com as próprias mãos. Enfrenta saúvas, ervas daninhas e o desânimo da gente do campo. Por fim, alia-se às forças do então presidente Floriano Peixoto, imaginando que a vitória do Marechal contra os oficiais revoltosos abriria espaço para a modernização do país. Uma vez conquistada sua confiança, imaginava Quaresma, suas propostas seriam ouvidas e, quiçá, implementadas.
    Todas essas tentativas, porém, fracassam diante do desânimo e da incompreensão geral com que suas iniciativas são recebidas. Enfim, o espectro da loucura, que desde o começo espreitava o personagem - e que, na vida real do autor, sempre foi uma presença constante -, surge então como real ameaça a seus sonhos.


    SYLVIA COLOMBO
    Repórter da Ilustrada
    (255 págs.)

    domingo, 30 de agosto de 2009

    CYNTHIA
    Título Original
    CYNTHIA



    E. V. CUNNINGHAM

    Copyroght by William
    Morrow and Company, Inc.

    (1968)


    Todos os direitos reservados à
    Círculo do Livro.
    Edição: 1974

    Capítulo um

    Alex Hunter, meu chefe, admira a coerência. Até hoje, ninguém o acusou de incoerente; ele é desagradável quando deseja ser e também ao pretender mostrar-se agradável. Correm rumores de que, em algum lugar, tem mulher e filhos. Não os invejo. Hunter é chefe do departamento de investigações da terceira mais importante companhia de seguros do mundo, e eu ainda continuo trabalhando para ele porque, quando me demite, os lá de cima conversam com ele e o abrandam, e também porque tenho de pagar aluguel e pensão alimentar, principalmente pensão alimentar. Está com quase sessenta anos, grisalho e ranzinza, e tem mentalidade de tira.
    Cumprimentou-me com o tédio habitual nessa manhã de princípios de março e fez seu comentário sobre o tempo.
    - Março é um mês chato pra burro - disse.
    Interpretei isso como uma observação amigavelmente exploratória, e sabia que ele desejava alguma coisa que resultasse em dinheiro. Eu não fazia a mínima ideia do que pudesse ser. Nenhum grande desvio de jóias ultimamente, nenhum iate roubado, nenhum Picasso surripiado furtivamente de museu... Adotei minha expressão estupidificada, inocente e infantil, e disse com jovialidade:
    - Bom dia, Mr. Hunter. Tem razão, senhor, em março o tempo aqui em Nova York é bastante inclemente.

    tradução de Luiz Fernandes

    (224 págs.)
    O
    TESTAMENTO
    DE SÃO JOÃO

    Título Original
    EL TESTAMENTO DE SAN JUAN



    J. J. BENÍTEZ

    Editorial Planeta, Barcelona
    (Espanha)

    (1989)


    Todos os direitos reservados à
    Editora Mercuryo Ltda.
    Edição: 1996

    Setenta e três anos após a morte e ressurreição de Jesus Cristo, João de Zebedeu, então com cem anos de idade, e vendo próxima a sua morte, resolver escrever de Efeso sua última Epístola, depois de observar que as várias correntes do cristianismo estavam falseando e pondo em risco a grande mensagem Crística.
    Nesta derradeira mensagem o Evangelista confessa seus erros e os daqueles que formaram o primigênio colégio apostólico, Segundo João, a mensagem de Jesus Cristo foi manipulada e deformada, o que terminou por ocasionar a ruptura entre os apóstolos. Seus relato encanta o leitor pela magia e poesia das visões dos mundos e das criaturas celestiais descritos pelo "filho do trovão."
    O assunto e a estrutura da obra lembram muito o próprio Apocalípse, do mesmo João Evangelista, e alguns apócrifos - do Velho e do Novo Testamento - quando ele descreve essas visões celestiais.
    A leitura desta obra proporciona-nos um pouco mais de conhecimento sobre o "discípulo amado".


    (243 págs.)

    sábado, 29 de agosto de 2009

    operação CAVALO DE TRÓIA
    Kennereth

    Título Original
    CABALLO DE TROYA 3


    3

    J. J. BENÍTEZ

    Editorial Planeta, Barcelona
    (Espanha)

    (1987)


    Todos os direitos reservados à
    Editora Mercuryo Ltda.
    Edição: 1996

    Os dois primeiros volumes de Operação Cavalo de Tróia relatam a impressionante viagem do Major norte-americano que, a bordo de um módulo projetado pela USAF, desloca-se no tempo até a Palestina do ano 30 e acompanha ativamente os último onze dias da vida terrena de Jesus, sua Paixão e morte e as primeiras evidências de sua Ressureição.
    Em Operação Cavalo de Tróia 3, o cenário é a Galiléia, região de pescadores, onde o Nazareno acolheu seus apóstolos e onde pregou e viveu por muitos anos. Jamais foi feita uma narração com tanta riqueza de detalhes sobre suas aparições às margens do Tiberíades, o Kennereth.
    Sobre a infância de Jesus - uma época totalmente omitida pelos evangelistas - ficamos sabendo como era sua vida em Nazaré com os pais, irmãos, quem eram seus amigos, sua sensibilidade para as artes e como se passou o episódio de sua discussão com os doutores do Templo.
    A minuciosa descrição do "Corpo Glorioso", ou seja, a constituição do corpo ressuscitado de Jesus, segundo a análise feita por cientistas, é outra instigante surpresa.


    (456 págs.)

    sexta-feira, 28 de agosto de 2009

    COLEÇÃO FOLHA
    GRANDES ESCRITORES BRASILEIROS

    9

    VINICIUS DE MORAES

    Para Viver um
    Grande Amor

    (1962)

    2008

    Titular dos direitos de edição: NOVA FRONTEIRA S.A.

    O Vinicius cronista, em Para Viver um Grande Amor - tão mestre das palavras quanto o Vinicius poeta ou o Vinicius letrista. E tão apaixonado quanto.
    Foi este o deslumbramento provocado por seu primeiro livro de prosa, em fins de 1962. Era composto de crônicas escritas, quase todas, para o jornal Última Hora, de 1959 até aquela data. Mas, hoje, pode-se perguntar: escritas para a Última Hora ou apenas publicadas pelo vespertino carioca?
    Sim, porque uma coisa era ler essa crônicas dia sim, outro não, no jornal. Outra era tê-las em livro, para serem lidas em sequência, várias de cada vez, ou todas, de uma sentada. Pois, como diz o próprio Vinicius na introdução, havia uma "unidade evidente" que enfeixava o material: "a de um grande amor". E havia mesmo. Porque eram crônicas escritas para a mulher com quem, naquele exato período, ele vivia um de seus mais inspiradores casamentos: a bela Maria Lucia Proença.
    Quando Vinicius escreve sobre sua infância na ilha, a casa de sua mãe ou a morte de seu pai, é para Lucia que ele escreve. São poemas em prosa, em que ele se abre sem pudor, e nenhum é mais confessional que a crônica-título "Para Viver um Grande Amor", um de seus maiores textos em prosa ou poesia. Mas há também o genial dadaísmo de "Smith-Corona Versus Var-69", a classificação das mulheres em "Química Orgânica" e o adeus a Paul Éluard em "Sobre os Degraus da Morte", todos dignos de antologia.
    Que bom para os cronistas que Vinicius não quisesse ser um deles em tempo integral...


    RUY CASTRO
    Colunista da Folha
    (205 págs.)
    operação CAVALO DE TRÓIA
    Segunda Viagem

    Título Original
    CABALLO DE TROYA 2


    2

    J. J. BENÍTEZ

    Editorial Planeta, Barcelona
    (Espanha)

    (1986)


    Todos os direitos reservados à
    Editora Mercuryo Ltda.
    Edição: 1996

    Quem se deixou envolver pela magia da Operação Cavalo de Tróia, certamente se verá atraído pela continuação do diário do major norte-americano.
    Ao descrever fatos surpreendentes da intriga internacional, J.J. Benítez prepara o espírito do leitor para as mais emocionantes etapas que sucederão ao lançamento do módulo americano, em sua segunda grande viagem no tempo.
    Desta vez, o "berço" parte de Massada, ao sul de Israel, levando Jasão e Eliseu novamente de volta ao ano 30, ao encontro de Jesus de Nazaré.
    Nesta segunda exploração, o diário do Major registra fatos acontecidos após a Ressurreição do Mestre e revela o conteúdo da "gravação" realizada durante a Última Ceia com os apóstolos.
    Quantas surpresas e quantos fatos não revelados pelos quatro evangelistas!
    Aqueles que se interessam pelo que existe de mais transcendental no tema e abrirem seu coração para sentir, serão inevitalmente tocados por um sentimento de profunda reverência e uma emoção indescritível.


    (496 págs.)

    quinta-feira, 27 de agosto de 2009

    COLEÇÃO FOLHA
    GRANDES ESCRITORES BRASILEIROS

    7

    MANUEL BANDEIRA

    Libertinagem
    &
    Estrela
    da Manhã

    (1930/1936)

    2008

    Titular dos direitos de edição: NOVA FRONTEIRA S.A.

    Não sei exatamente quando conheci ou descobri Bandeira, mas sei que isso aconteceu há muito tempo, e que a poesia dele mudou a minha maneira de ver a vida - mudou a minha vida. Estrela da (minha) vida inteira, Bandeira me fez antever, constatar, confirmar ou consolidar sentimentos que, inexoráveis, os encontros e desencontros vicissitudinários se encarregaram de me apresentar: o da admissão do próprio fracasso ("Andorinha, Andorinha, minha cantiga é mais triste! / Passei a vida à toa, à toa"), o da absoluta impotência diante do sofrimento do ser amado ("Ah se em troca de tanta felicidade que me dás / Eu te pudesse repor / -Eu soubesse repor- / No coração despedaçado / As mais puras alegrias de tua infância!") e, sobretudo, o da aguda consciência da miséria humana ("Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade / Que a vida é traição").
    Sou dos que crêem que os poetas são seres eleitos pelos deuses para traduzir a alma de um povo ou a própria essência da alma humana. Bandeira é um deles. Em poemas muitas vezes curtos, pequenos, o grande Poeta expõe gotas sintéticas e densas, muito densas, de todas as nossas belezas e mazelas, virtudes e incoerências, glórias e fracassos. Nas páginas desta obra, o leitor encontrará boa parte dessas pequenas maravilhas que a pena de Bandeira lavrou.


    PASQUALE CIPRO NETO
    Colunista da Folha
    (102 págs.)