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sábado, 5 de setembro de 2009

Gênios criativos

By Érico Borgo



Porém, uma coisa Disney e Marvel têm em comum: seu poderio é baseado no trabalho de mentes criativas que começaram praticamente do nada. Walt Disney e o irmão Roy tinham sonhos de fazer animação com um grau de qualidade além do conhecido nos anos 1920. Stan Lee e Jack Kirby, que iniciaram para valer a era Marvel nos anos 1960, introduziram um nível de realidade ao mundo fantástico dos super-heróis que fechou com as transformações sociais da época.

As diferenças também estão no mesmo exemplo. Disney era um self-made men ambiciosíssimo, que assumiu dívidas monstruosas para levar suas idéias à frente. Lee e Kirby não tinham pretensão alguma além de encher páginas de gibi, cuja produção é muito barata. Em qualquer entrevista, Lee derrama sua modéstia com frases tipo “eu escrevia, as pessoas gostavam e era isso”.

Hoje, vale a pena conferir o horário de saída do colégio para contar quantas mochilas têm um Homem-Aranha ou Wolverine e quantas têm Mickey ou Pateta (ou, vá lá, o Nemo). Pode apostar que pende para os primeiros. E é por essas e outras que a Marvel vale os tais 4 bilhões de dólares.



FONTE: OMELETE

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Padrão de qualidade Disney

By Érico Borgo



A segunda lição é: a Disney é chatíssima com conteúdo. A empresa carrega a tradição de Walt Disney simbolizada pelo parque Disney World: diversão para toda a família. Se papai John quiser assistir um canal com conteúdo inapropriado para os olhos do filho Johnny, vai ter que procurar outro conglomerado. Toda a família tem que poder assistir junta. A Disney odeia qualquer tipo de controvérsia quanto ao que diz, escreve, produz, publica, etc.

A Miramax é o melhor exemplo. A distribuidora, depois produtora, de filmes independentes (sexo mentiras & videotape, Pulp Fiction) foi comprada pela Disney em 1993. Seus fundadores, Harvey e Bob Weinstein, passaram a década seguinte brigando com os novos donos quanto aos filmes que podiam ou não podiam produzir (a Disney vetou, por exemplo, Dogma e Fahrenheit 11 de Setembro). Os Weinstein acabaram desligando-se da Miramax e fundando sua própria Weinstein Company, com liberdade para fazer Bastardos Inglórios, O Leitor e outros títulos dos quais a Disney não chegaria perto.

Há também exemplos positivos. A Pixar é o melhor de todos, pois seus criativos conseguem trabalhar muito bem dentro das restrições da Disney. Além disso, depois de uma negociação em que a produtora quase declarou independência, a Pixar conseguiu um alto nível de liberdade. Não foi à toa que Joe Quesada mencionou em seu Twitter a relação Disney/Pixar como algo ideal a se esperar de Disney/Marvel.

A Marvel já teve uma política de evitar controvérsias. Enquanto a DC era conhecida por radicalizar seus quadrinhos – Watchmen e Cavaleiro das Trevas, marcos dos anos 80, foram da DC; sem falar na linha Vertigo -, a Marvel sempre foi mais comedida. Quando buscou radicalizar suas HQ no início desta década – Grant Morrison nos X-Men, linha Max, cowboys gays -, tomou um safanão dos altos executivos. O gibi em que Nick Fury aparecia numa orgia com prostitutas foi considerado pivô da desistência de George Clooney em fazer um filme com o personagem – o que significou uma perda de milhões de dólares para a editora, que logo voltou a se segurar no que publicava.

Com esses antecedentes, a Marvel corre o risco de passar por uma nova pasteurização para agradar os novos donos.



FONTE: OMELETE


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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Compra da Marvel pela Disney deve ter reflexos nos quadrinhos

O que pode acontecer nos mercados em que as empresas atuam?

By Érico Borgo



A Disney vai comprar a Marvel. Na negociação de 4 bilhões de dólares, o grupo que começou como estúdio de animação e hoje é um dos maiores conglomerados de mídia do mundo vai adquirir a empresa que começou como editora de quadrinhos e hoje é uma das marcas mais fortes nos quadrinhos e no cinema.

A primeira coisa que os fãs querem saber é: quando o Superpateta vai unir-se aos Vingadores? Ou quando Howard o Pato vai encontrar Pato Donald? Mas o negócio tem ramificações que, sim, além de poder impactar no conteúdo dos seus gibis, tem um significado muito maior para a organização do mundo do entretenimento.

Os conglomerados de mídia são empresas descomunais com investimentos em cinema, TV, games, quadrinhos, livros e o que mais tiver a ver com entretenimento. A Disney, por exemplo, responde não só por gibis do Tio Patinhas, pelos parques de diversão e pelas animações da Pixar. Ela engloba também o canal ABC (de Lost e Desperate Housewives), um dos líderes em audiência nos EUA, as produtoras de cinema Touchstone e Miramax, canais de TV a cabo como Jetix e The History Channel, a editora Hyperion Books e a maior parte da ESPN.

A Marvel Entertainment – que é soma da Marvel Publishing (quadrinhos) com Marvel Studios (filmes e TV), a Marvel Animation, a Marvel Toys e outras divisões - era uma das poucas empresas do mundo do entretenimento com alta rentabilidade que ainda não fazia parte de um dos grandes conglomerados. Agora vai virar mais um estrelinha na constelação Disney.

A maior concorrente da Marvel, a DC Comics, também faz parte de um conglomerado, a Time Warner, que – por acaso ou não – disputa diariamente com a Disney a posição de maior do mundo. Time Warner, novamente, não é só Superman e Pernalonga, mas a America Online, os canais HBO (de Família Soprano e True Blood), The CW (de 90210 e Smallville), Cartoon Network, uma parte da CNN, a revista Time e uma série de outras divisões.

A DC, é claro, é administrada separadamente do resto da Warner. Jeffrey Bewkes, presidente da Time Warner, não dá opinião sobre o que a DC publica ou deixa de publicar. Mas pode ter certeza que Paul Levitz, presidente da DC, não vai publicar algo que vá contra os interesses do conglomerado – pois seu cargo é, em grande parte, fazer justamente isso.

A primeira lição vem daí: a Marvel deve continuar a ser administrada independentemente. Mas Isaac Perlmutter, presidente da Marvel Entertainment, terá o rabo preso com Bob Iger, chefão da Disney, assim como David Maisel, presidente da Marvel Studios, e Dan Buckley/Joe Quesada, da Marvel Publishing, terão rabo preso com Perlmutter. Se todos estes nomes mantiverem seus cargos, claro.



FONTE: OMELETE


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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Walt Disney Company compra a Marvel Entertainment

Notícia pegou o mundo do entretenimento de surpresa

By Érico Borgo



A notícia pegou o mundo do entretenimento de surpresa nesta segunda-feira: a Walt Disney Company comprou a Marvel Entertainment, Inc. e seu catálogo de mais de 5 mil personagens. Sim, Homem-Aranha e Mickey Mouse agora são parte do mesmo grupo empresarial.

A aquisição, segundo comunicado oficial, é parte de uma estratégia da Disney de foco em "conteúdo de marcas de qualidade, inovação tecnológica e expansão internacional".

A compra foi efetuada por aproximadamente 4 bilhões de dólares. Com isso, a Disney passa a ter um portfolio de personagens que inclui alguns dos mais lucrativos do mercado do entretenimento hoje, como Homem de Ferro, X-Men, Capitão América, Quarteto Fantástico e Thor. O que isso significa para os acordos de publicação, distribuição e adaptação em mídias diversas ainda é incerto - mas os contratos atuais devem ser honrados, com mudanças a médio e longo prazo.

O board de diretores das duas empresas já aprovou a aquisição, mas ela ainda deve ser submetida às leis antitruste dos Estados Unidos.

O Omelete publicará um artigo analisando o assunto ainda hoje. Aguarde.

Atualização - 12h20 - Como esperado, a Disney informou que todos os contratos vigentes serão honrados, incluindo aí os acordos cinematográficos com Sony (Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma), Paramount (Vingadores, Homem de Ferro) e Fox (Wolverine, X-Men). Além disso, John Lasseter, diretor criativo da Disney Animation e chefão da Pixar, declarou que encontrou-se com representantes da Marvel para discutir possibilidades criativas de trabalho entre as duas empresas.



FONTE: OMELETE