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sábado, 21 de dezembro de 2013

A PRECURSORA CORROMPIDA

Crisis On Infinite Earths 1, página 19

Precursora (Harbinger)

WOLFMAN: Com relação aos Demônios das Sombras, francamente, nós precisávamos de algo em que os personagens pudessem bater e sabíamos que os principais vilões só iriam dar as caras mais tarde na história.

PÉREZ: Tudo o que o argumento dizia era "Demônios das Sombras". Então, pensei imediatamente no Ladrão das Sombras e numa simples silhueta negra, mas fazendo o contorno parecer com o Monitor. Agradeço a Marv por ter me dado vilões fáceis de desenhar.

WOLFMAN: Conceitualmente falando, fazer a Precursora ser corrompida por um Demônio das Sombras na primeira edição foi outro jeito de complicar as coisas para os heróis. O principal cara tentando salvar os outros está indefeso de várias maneiras, e seu segundo em comando passa para o lado do inimigo logo de cara?

PÉREZ: Eu mesmo arte-finalizei o quadrinho em que a Precursora é possuída, porque nessa altura não tinha como traduzir o que queria apenas no traço.

Por Ben Morse

WIZARD BRASIL #27 - ANO 3 - Dezembro de 2005 - Panini Comics.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

BESOURO AZUL / Crisis On Infinite Earths 1, página 18

(N.E.: essa foi a primeira aparição do personagem na DC; a editora havia acabado de adquiri-lo e outros personagens, como o Capitão Átomo e o Questão, da Charlton Comics.)

Mystery Men Comics Vol 1 #7
Fox Comics
February, 1940

WOLFMAN: O Besouro Azul foi um dos personagens mais duradouros da história dos quadrinhos, com sua encarnação original datando do começo dos anos 40. A versão de Steve Ditko que usamos aqui é bastante divertida. Até essa página, a trama vinha sendo pesada, sombria e intensa. Precisávamos quebrar esse clima bem nesse ponto, e o Besouro Azul era perfeito para isso.


PÉREZ: Eu me diverti bastante desenhando um personagem que nunca pensei que fosse fazer profissionalmente. Não estava tão familiarizado assim com os gibis do Besouro Azul, mas usei o trabalho de Ditko com o Homem-Aranha como guia para desenhar essa cena. Afastei meu enfoque para retratar a ação integralmente. É como Fred Astaire costumava coreografar suas danças. Ele sempre insistia para que as câmeras enquadrassem seu corpo inteiro.

WOLFMAN: Vemos seus pés em todas as tomadas, eles nunca eram cortados.

PÉREZ: Na verdade, tive de desenhar uma tomada da sola do pé. Isso era uma marca registrada de Ditko.

WOLFMAN: Com certeza.

Fonte: Wizard Brasil # 27 - Dezembro de 2005 - Panini Comics.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A MORTE DO SINDICATO DO CRIME / CRISIS ON INFINITE EARTHS 1, páginas 5 a 8

PÉREZ: A princípio, não entendi o que Marv estava fazendo começando pela Terra-3, com personagens que ninguém conhecia. Mas, à medida que ia desenhando, compreendi. Essas eram as versões malignas do Superman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde e o resto - e estavam sendo destruídos em massa. Ao matar tão rapidamente esses personagens que detinham os poderes dos arquétipos do Universo DC, a porta imediatamente se abre para mostrar que qualquer coisa podia acontecer em Crise nas Infinitas Terras.

WOLFMAN: Quis mostrar logo de cara que os heróis da DC eram incapazes de deter essa ameaça. Seus poderes, por maiores que fossem, não eram suficientes. Assim que a Supermulher é destruída, percebemos que há uma boa chance de os heróis não conseguirem se sair muito melhor. Era importante demais começar com um grande impacto e ir num crescendo a partir daí.

PÉREZ: Em poucas páginas, Marv conseguiu criar uma pequena história em que o Sindicato do Crime está morrendo e isso foi o máximo que nos preocupamos com esses personagens.

WOLFMAN: Recebi uma carta maravilhosa de Alan Moore após a primeira edição a respeito disso, de como ele adorou o jeito com que foi mostrada a morte do Sindicato do Crime.

Fonte: Wizard Brasil # 27 - Dezembro de 2005 - Panini Comics.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

CRISE NAS INFINITAS TERRAS

Crisis on Infinite Earths 1-A
Comic Book by DC Apr 1985

"The Summoning"

OS COMENTÁRIOS DOS DIRETORES

Wolfman e Pérez revelam como bolaram o paradigma dos modernos crossovers - do final alternativo à morte da "Terra Anã"

Por Ben Morse

Hoje, a menção de Crise nas Infinitas Terras a um fã de quadrinhos de super-heróis evoca um trabalho monumental que mudou para sempre o Universo DC. Há 20 anos, tudo o que os co-criadores da saga, Marv Wolfman e George Pérez, queriam é que sua visão agradasse a uns poucos leitores.

"Naquela época, ninguém sabia que a minissérie ia vender", recorda-se Wolfman a respeito da saga publicada entre 1985 e 86. "Depois de todos os grandes crossovers feitos a partir dele, as pessoas podiam apontá-lo como um exemplo de que esse tipo de história vendia, mas nós não. Iniciamos todo o conceito porque simplesmente acreditávamos nele."

O conceito: recriar o Universo DC para um novo público. Para tanto, a editora pediu a Wolfman que limpasse 50 anos de sua cronologia e reformulasse seu multiverso de personagens e Terras alternativas em uma linha coerente.

Por exemplo, a Liga da Justiça vivia na Terra-1, enquanto a Sociedade da Justiça residia na Terra-2; e estas eram apenas duas das incontáveis realidades que só serviam para confundir os novos leitores.

Para consolidar o Universo DC, Wolfman, ao lado de seu frequente co-conspirador Pérez, planejou uma história ininterrupta de grande amplitude que esteve amarrada a praticamente todos os títulos da editora no decorrer de um ano inteiro.

Crise abriu uma nova fronteira e estabeleceu o padrão para crossovers modernos como House of M e Crise de Identidade. E seu sucesso suplantou até mesmo as expectativas de Wolfman e Pérez. Duas décadas depois, a dupla de criação por trás do sucesso dos Novos Titãs fica surpresa de ainda falar a respeito da saga.

"Para mim, foi apenas uma desculpa para desenhar todo mundo no Universo DC", admite Pérez. "O fato de que estamos aqui, 20 anos depois, ainda falando sobre isso, certamente não é algo com que eu contava."

Fantastic Four (1961) 49-A
Comic Book by Marvel
Apr 1966

"If This be Doomsday" 

"Sempre amei a 'Trilogia de Galactus' em Fantastic Four (vol. 1 48 a 50 - o título original do Quarteto Fantástico), mas sempre me incomodou o fato de que, fora o Quarteto, ninguém apareceu para ajudar", diz Wolfman. "Com Crise, eu queria uma história que tocasse todo mundo em todos os cantos do Universo DC, de heróis a vilões, da aurora ao fim dos tempos."

Às vésperas da publicação de Crise Infinita, uma espécie de sequencia desse épico produzida pela DC, a Wizard reuniu os dois arquitetos para refletirem como foi produzir Crise nas Infinitas Terras.

Crisis on Infinite Earths 1, páginas 2 e 3 / O COMEÇO

WOLFMAN: O que gosto de fazer, e George e eu já fizemos muitas vezes em New Teen Titans (a revista original dos Novos Titãs), é deixar os leitores saberem que a ameaça está bem diante do nariz deles, e não tentar ocultá-la. A ideia não era avançar num crescendo até a Crise, mas que ela já estivesse acontecendo desde o princípio.

Daí, as pessoas se perguntaram: "Ah, meu Deus, se eles estão começando desse jeito, onde isso vai chegar?"

PÉREZ: É, você com certeza não perde tempo com preparativos desnecessários, entra direto na história. O mais fascinante é que, mesmo saltando com os dois pés imediatamente na trama, e com duas edições duplas e sem nenhuma página de anúncio na primeira edição, ainda tínhamos nossas dúvidas se 12 edições seriam suficientes.

WOLFMAN: E lembre-se que originalmente não eram 12 números, eram apenas 10. As edições 11 e 12 iriam contar uma nova história do Universo DC, mas nós precisamos desse números, então A História do Universo DC se tornou um projeto à parte.

PÉREZ: Mesmo quando a DC pediu um 13o. número isso não estava previsto. Tínhamos atingido o ponto de esgotamento total da trama com a edição 12. A essa altura, Marv e eu estávamos cansados de lidar com a natureza política muitas vezes volátil de ter de trabalhar com tantos outros criadores, em vários títulos, para fazer a história funcionar.

Fonte: Wizard Brasil # 27 - Dezembro de 2005 - Panini Comics.