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domingo, 8 de dezembro de 2013

ROMANCES EM QUADRINHOS E FAROESTE CULTUADO

Boy Commandos #11
January 1, 1945

De volta a Nova York, Kirby achou que poderia continuar trabalhando nos títulos na DC, mas as coisas haviam mudado. Não só Boys Commandos deixou de ser um sucesso com o final da guerra, como também os donos da DC estavam menos inclinados a deixar que colaboradores terceirizados criassem conteúdo livremente para a empresa, sem que os editores coordenassem tudo. Kirby não gostou da nova situação. Mas ainda continuou desenhando Boys Commandos - onde ficaria até 1947 -, esperando Simon voltar de seu trabalho no exército e, juntos, foram procurar trabalho na Harvey Comics.

Lá, a dupla criou o super-herói Stuntman, que estreou em título próprio em abril de 1946, e trabalhou em revistas como Black Cat e Captain 3D. Paralelamente, criaram histórias para editoras menores como a Hilman e a Prize, em títulos como Real Clue Crime Stories, Airboy e Headline Comics. E foi na Prize que a carreira da dupla passaria por uma reviravolta.

Ao notar o sucesso dos livros e filmes românticos da época, Simon teve a ideia de criar revistas em quadrinhos que trouxessem casais apaixonados, romances impossíveis, namorados que se traem e todo tipo de contos sobre amores correspondidos ou não. Os amigos prepararam uma proposta e a ofereceram aos donos da Prize, que prontamente se interessaram pela revista. Na verdade, gostaram tanto que Simon e Kirby viram ali a oportunidade de fazer um acordo inédito: desenhariam e escreveriam a revista sem pagamento, mas receberiam 50% dos lucros. O acordo foi fechado.

Young Romance #1
Sept. 1947

Em setembro de 1947, a Prize lançou a primeira edição de Young Romance. Na capa, uma chamada avisava que aquela era uma revista "criada para os leitores adultos de quadrinhos". Ninguém poderia imaginar o sucesso que a publicação faria. Ao que consta, a primeira edição vendeu 92% de sua tiragem inicial, o que levou a Prize não apenas a transformar a revista num lançamento mensal, como também a pedir que Simon e Kirby criassem um segundo título, chamado Young Love. As vendas das duas revistas chegavam a dois milhões de exemplares e logo outros títulos do gênero foram lançados pela editora. Diferentemente de Martin Goodman, a Prize honrou seu acordo e Simon e Kirby ganharam muito dinheiro pela primeira vez em suas vidas. Agora um pai de família com dois filhos, Kirby logo tratou de comprar uma casa em Long Island, Nova York, para sua família.

Young Love #1
Feb, 1949

Em 1950, a dupla de astros dos quadrinhos ainda criou o título Boys' Ranch para a Harvey, sobre um grupo de garotos que tomam conta de um rancho. Com apenas seis edições lançadas, Boys' Ranch é um dos trabalhos mais cultuados de Simon e Kirby.

Por Mauricio Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #25 - Janeiro/Fevereiro de 2011 - Editora Europa.

VINGADORES NAS HQS

Como cada herói se relaciona no supergrupo da Marvel

Por Eduardo Marchiori e Mauricio Muniz

O líder incontestável

Brilhante estrategista com vasta experiência em combate, o Capitão América (Steve Rogers) foi o herói que mais vezes liderou os Vingadores. Criado por Jack Kirby e Joe Simon em 1941, o Sentinela da Liberdade estreou em revista própria de grande sucesso durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, com o fim do conflito, perdeu leitores e teve seu título cancelado. Só em 1964, quando os super-heróis da Marvel estavam a todo vapor, Kirby e Stan Lee trouxeram o personagem de volta para integrar os Vingadores.

The Avengers (1963) 4-A
Comic Book by Marvel
"Captain America Joins the Avengers"

Isso aconteceu em The Avengers 4, de maio de 1964. Durante uma missão no Atlântico Norte, a equipe formada por Homem de Ferro (Tony Stark), Thor, Gigante (Hank Pym) e Vespa (Janet Van Dyne) encontram o corpo recentemente descongelado de Rogers, que ficara em animação suspensa dentro de um bloco de gelo desde 1945. Em sua missão durante a guerra, o Capitão foi lançado no mar gelado enquanto tentava salvar o amigo Bucky. Os efeitos do soro do supersoldado impediram sua morte e o preservaram durante tantos anos. Perdido e deslocado no mundo moderno, o Capitão América logo se juntou aos Vingadores, tomando o lugar do Hulk, que abandonara o grupo um pouco antes. Logo em sua primeira aventura na equipe, o Capitão América salvou os outros membros de uma alienígena que os transformou em estátuas. Não demorou para que assumisse a liderança do grupo.

The Avengers (1963) 16-A
Comic Book by Marvel
May 1965
"The Old Order Changeth"

Após algumas edições, a formação dos Vingadores mudou. Thor e companhia afastaram-se da equipe por razões pessoais em The Avengers 16 (maio de 1965), e o Capitão América ganhou três novos parceiros: os irmãos mutantes Mercúrio (Pietro Maximoff) e Feiticeira Escarlate (Vanda Maximoff), além do encrenqueiro Gavião Arqueiro (Clint Barton). Os dois primeiros eram ex-membros do grupo radical Irmandade dos Mutantes, enquanto o último já enfrentara o Homem de Ferro e chegou a ser procurado pela polícia. Essa formação ficou conhecida pelo público como "os esquisitos do Capitão" ou até "a quadrilha do Capitão".

Civil War 1-B
Comic Book by Marvel
Jul 2006

O próprio Capitão América afastou-se dos Vingadores em algumas ocasiões ao longo das décadas seguintes, mas sempre voltou ao grupo. Uma de suas fases mais importantes na equipe ocorreu em 2007, durante a Guerra Civil, um conflito que dividiu os heróis do universo Marvel entre os que defendiam os planos do governo para criar um registro de todos os superseres e os que eram contra essa medida. O Capitão liderou uma equipe paralela de Vingadores, que lutava contra as ordens governamentais, até que foi preso pelas autoridades e, posteriormente, assassinado graças a um plano de seu velho inimigo, o Caveira Vermelha. Em memória de seu líder morto, os autodenominados Novos Vingadores continuaram a atuar contra o governo.

Quase dois anos depois, o Capitão América voltou à vida. Obviamente, ele não tinha morrido de verdade, apenas foi lançado em uma viagem no tempo através do tempo. Com o cancelamento dos planos para registrar os super-heróis, Steve Rogers mais uma vez uniu-se a seus companheiros e liderou uma equipe paralela dos Vingadores, que age em missões clandestinas. Nas primeiras aventuras, ele tinha dispensado seu clássico uniforme e combatia sem máscara. Mas, nas HQs publicadas nos Estados Unidos, retornou seu visual clássico.

The Ultimates (2002) 3-A
Comic Book by Marvel
May 2002
"21st Century Boy"

No universo Ultimate, uma realidade paralela em que os personagens da Marvel têm uma mitologia diferente, o Capitão foi encontrado pela SHIELD, após quase sessenta anos congelado. Ele se une ao grupo Os Supremos, que equivale aos Vingadores nesse universo. Sua postura, porém, é mais violenta que a do Capitão convencional, o que é apropriado, já que seu grupo é considerado uma unidade paramilitar.

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #33 - Maio de 2012 - Editora Europa.

Captain America (2013) 14-A
Comic Book by Marvel
Feb 2014

sábado, 4 de fevereiro de 2012

CAPITÃO AMÉRICA

Capa da segunda edição da revista

Em 20 de dezembro de 1940 (mas com data de março de 1941) chegou às bancas dos Estados Unidos o primeiro gibi do Capitão América. A revista era publicada pela editora Timely - nome da Marvel Comics na época - e, ao contrário de outros gibis da empresa, Capitão não era criado por um estúdio terceirizado. Sua criação era responsabilidade de Joe Simon e Jack Kirby, ambos judeus e funcionários da própria Timely.

"O Capitão América foi criado para uma época que necessitava de figuras nobres", declarou Kirby certa vez. "A gente ainda não estava em guerra, mas todo mundo sabia que era viria. Foi por isso que o Capitão América nasceu: a América precisava de um superpatriota", explicou.

O Capitão simbolizava o sonho americano. Mas, ao contrário do que Kirby deu a entender, o herói não foi o primeiro personagem de quadrinhos com o uniforme baseado na bandeira dos Estados Unidos. Publicado pela editora MLJ (hoje Archie), o Escudo, de Irv Novick e Harry Shorten, tinha a data de janeiro de 1940 na capa.

Na trama de Capitão América, Steve Rogers é recusado pelo Exército por ser muito franzino. Mas o rapaz acaba colaborando com o projeto do governo, liderado pelo Professor Reinstein, de criar quimicamente o primeiro supersoldado. Recebendo uma injeção experimental do genial cientista, Rogers ganha, como num passe de mágica, o físico de um super-homem. Com o sucesso da experiência, Reinstein - também chamado de Erskine no decorrer da série - planeja um exército de superagentes cujas habilidades mental e física levaria terror a espiões e sabotadores que infestavam o país. Porém, um agente da Gestapo infiltrado no laboratório atira no cientista, acabando com o projeto. Rogers liquida o velhaco e constata que é o único beneficiado do projeto. Adotando a identidade de Capitão América, ele se lança numa cruzada contra os nazistas.

O inimigo mais recorrente na série era o Caveira Vermelha, um macabro nazista cujo símbolo era sua máscara escarlate em forma de crânio. Mais tarde, revelou-se que o Caveira era uma espécie de agente particular de Hiltler, que obedecia às suas ordens diretas.

A galeria de vilões era meio surrealista, como praxe nas HQs do Capitão na época, que bebia naqueles filmes de terros dos anos 30. Ele enfrentava tipos como zumbis orientais, corcundas, cães fantasmas, bruxas, homens de cera e outros de arrepiar - em comum, eles eram, na maioria, agentes a serviço de Hitler. Este, por sua vez, era retratado da forma mais caricata possível, inclusive em situações cômicas: saindo da sauna enrolado numa toalhinha que deixava à mostra suas pernas finas e tortas, caindo como otário em trotes telefônicos dos heróis, se escondendo de medo debaixo da mesa de seu bunker... Mas o Capitão não sacaneava apenas Hitler: Benito Mussolini e Hirohito também eram ridicularizados, como em Capitan America Comics 28, de 1942.

Capitan America Comics 28

Mundo dos Super-Heróis 22
Editora Europa
julho/agosto 2010
págs. 14-15

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

NASCE UMA LENDA

DOSSIÊ CAPITÃO AMÉRICA - ANOS 40

Criado para inspirar os americanos durante a 2a. Guerra, o Capitão se tornou o mais famoso dos heróis patrióticos

Por Antônio Luiz Ribeiro


O COMEÇO DE TUDO

Em dezembro de 1940 (mas com data de março de 1941) chegou às bancas a primeira revista do Capitão América. Ao contrário de seus antecessores (Superman, Batman e Capitão Marvel), ele estreou em revista própria - na época, os personagens eram lançados em títulos experimentais e só ganhavam um título solo quando caíam no gosto do público.

Captain America Comics era publicado pela Timely (nome da Marvel na época) e, ao contrário de outros títulos da editora - Príncipe Submarino e Tocha Humana, produzidos pelo estúdio Funnies - era inteiramente feito dentro da Timely, por Joe Simon e Jack Kirby.

"A gente não estava na guerra ainda, mas todo mundo sabia que ela viria. Foi por isso que o Capitão América nasceu. A América precisava de um superpatriota", declarou certa vez Jack Kirby.

Mas o personagem não foi o primeiro super-herói de quadrinhos com o uniforme baseado na bandeira americana. Esse título pertence ao Escudo, um herói criado pela editora MLJ, cuja primeira edição traz na capa a data de janeiro de 1940. Kirby, porém, afirmava que sua criação era melhor: "Tire a bandeira e ele fica bom mesmo assim. Nós demos a ela uma camiseta de cotton e um escudo, como um cavaleiro cruzado moderno. As asas no elmo eram de Mercúrio. O Capitão América simbolizava o sonho americano".

FONTE: MUNDO DOS SUPER-HERÓIS # 17 - JULHO/AGOSTO 2009