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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ETERNO PROFESSOR

Joe Kubert era um dos poucos representantes ainda vivos da Era de Ouro dos quadrinhos e foi responsável pelo surgimento de vários artistas

Por Gustavo Vícola

Muitos quadrinhistas se destacaram nos últimos 70 anos, mas poucos foram tão influentes quanto Joseph "Joe" Kubert, falecido em agosto. Afinal, além de contribuir para o sucesso de inúmeras HQs, foi dono de um estilo admirado por vários profissionais e perpetuado em sua própria escola de arte.

Nascido em 1926, iniciou cedo na carreira, por volta dos 11 anos como aprendiz no MLJ Studios. No final da década de 30. Já desenhava para várias editoras e logo teve sua grande oportunidade: a All-American Publications, para a qual trabalhava em 1944, foi absorvida pelo grupo que deu origem à DC Comics e, aos 18 anos, viu-se na maior produtora de quadrinhos da época.

Our Army At War (1952) 83-A
Comic Book by DC
Jun 1959

Apesar de um breve hiato - pois serviu na Guerra da Coreia e atuou como editor na St. John Publications -, ficou na DC pela maior parte de sua carreira e trabalhou com personagens como Flash e Gavião Negro. Mas destacou-se de fato nas HQs de guerra em parceria com o roteirista e editor Robert Kanigher, com quem criou o Sargento Rock. O herói estreou em Our Army at War 81, de 1959, curiosamente não desenhado por Kubert. O artista e o soldado se encontrariam somente na edição 83 e a partir de então o nome de ambos sempre estaria relacionado.

Tarzan (1972) 212-A
Comic Book by DC
Sep 1972

Nas duas décadas seguintes, desenhou várias capas e séries de super-heróis e se tornou diretor de arte da DC. Foi responsável ainda pela série Tarzan, na qual adaptou alguns dos livros escritos pelo criador do personagem, Edgar Rice Burroughs, outro acerto de sua carreira. Só a partir de 1976, foi obrigado a diminuir seu ritmo de produção quando realizou um antigo sonho: criar a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art, uma escola de arte especializada em quadrinhos. Com ela, influenciou e ensinou vários artistas, entre os quais alguns nome importantes da atualidade como Rags Morales (Action Comics), Scott Kolins (The Flash) e Tom Mandrake (Batman), além de dois de seus cinco filhos: Adam (1602) e Andy Kubert (Wolverine: Origem).

Apesar da grande dedicação a sua escola, Kubert não se afastou por completo das HQs. Continuou a desenhar o Sargento Rock e Tarzan na década de 1970, fez tiras para jornais nos anos de 1980 - entre eles Terry e os Piratas, série que era fã quando garoto -, e trabalhou com várias empresas como a Marvel e a Dark Horse nos anos de 1990. Foi nesta última que lançou Faxes from Sarajevo em 1996, a graphic novel que lhe rendeu os prêmios Eisner e Harvey no ano seguinte como Melhor Álbum Gráfico. Na última década, continuou com capas e pin-ups para outras editoras, mas dedicou a maior parte de seu tempo à DC, na qual finalizou a arte do filho Adam mais de uma vez e desenhou o sargento Rock em outras três ocasiões. Joe Kubert tinha mielomas múltiplos e, apesar disso, desenhou até seus últimos anos de vida. O artista morreu em 12 de agosto aos 85 anos.

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #36 - Agosto/Setembro de 2012 - Editora Europa.

domingo, 6 de março de 2011

PRIMEIRAS HQS

Um dos artistas mais completos das HQs, Joe Kubert desenhou todos os gêneros de gibis e ajudou a formar novas gerações de quadrinhistas

Por Maurício Muniz


O início da carreira de Kubert é um tanto confuso, pois o próprio desenhista já contou diferentes versões sobre qual foi seu primeiro trabalho. A história mais aceita é de que conseguiu uma vaga como aprendiz no estúdio MLJ e, após pouco tempo aprendendo como trabalhar com os profissionais de lá, recebeu a tarefa de realizar uma HQ curta do famoso personagem juvenil Archie.

Durante sua adolescência, Kubert frequentou a High School of Music and Art, de Manhattan, mas costumava faltar às aulas para visitar editoras e oferecer seus trabalhos. Graças à insistência, conseguiu alguns serviços. Um deles foi uma história de seis páginas para o super-herói Volton na revista Catman Comics 8, da extinta Holyoke Publishing, lançada em março de 1942. Com apenas 15 anos de idade e já capaz de desenhar e artefinalizar páginas por conta própria, o rapaz começou a chamar a atenção dos editores daquele mercado um tanto maluco na época, em que as revistas precisavam ser produzidas em tempo recorde. Kubert desenhou aventuras de Volton até a edição 11 e, para a mesma editora, ainda desenhou, nos meses seguintes, histórias curtas na revista Blue Beetle.

Fonte:
Mundo dos SUPER-HERÓIS # 20
janeiro/fevereiro de 2010
pág. 76

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

VELHO DE GUERRA

Um dos artistas mais completos das HQs, Joe Kubert desenhou todos os gêneros de gibis e ajudou a formar novas gerações de quadrinhistas

Por Maurício Muniz


De origem judaica, a família Kubert quase não tinha dinheiro após o fim da Primeira Guerra Mundial, mas estava melhor do que a maioria de seus vizinhos graças à mercearia que o comerciante Simon Kubert possuía. Mesmo assim, seu filho Jakob começou a acalentar sonhos de uma vida melhor, o que na época significava - para boa parte do mundo - mudar-se para os Estados Unidos.

Em 1926, Jakob já era casado com a jovem Etta e da união surgira a pequena Ida. Mas a família iria aumentar em breve, pois o casal já esperava a chegada de um novo filho. Jakob queria que seu novo rebento nascesse nos Estados Unidos, mas o processo de imigração era demorado e Yosaif Kubert fez sua entrada triunfal no mundo pela Polônia em 18 de setembro de 1926. A família só chegou aos Estados Unidos em 13 de novembro de 1926.

Os Kubert se instalaram em Nova York, no bairro "barra pesada" do Brooklyn, onde moraram outros grandes nomes dos quadrinhos como Will Eisner e Jack Kirby. Aos quatro anos, o menino Yosaif - que teve o nome americanizado para Joseph - ganhou uma caixa de gizes e começou a desenhar pelas calçadas de toda a vizinhança. Seus pais notaram o talento do garoto e seu interesse pelas páginas dominicais de quadrinhos nos jornais e o incentivam a ir atrás do sonho de trabalhar com artes. O menino, que tinha como personagens favoritos o Príncipe Valente, de Hall Foster, e Terry e os Piratas, de Milton Caniff, começou a perseguir ainda muito jovem o objetivo de tornar-se desenhista, começando a trabalhar no mercado de quadrinhos com apenas 11 anos de idade. Era o início da carreira do grande Joe Kubert.

Fonte:
Mundo dos SUPER-HERÓIS # 20
janeiro/fevereiro de 2010
pág. 76