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domingo, 9 de novembro de 2014

TRABALHOS NA DC

The Saga of the Swamp Thing 20-A
Comic Book by DC
Jan 1984

Em 1984, a revista Warrior faliu enquanto outra série de Moore começava a sair na 2000 AD: a elogiada A Balada de Halo Jones, história na qual uma mulher comum do futuro se envolve em importantes acontecimentos da galáxia. Em 1984, a convite do editor Len Wein, Moore começou a escrever o Monstro do Pântano, personagem da DC Comics. Com tramas recheadas de sexo, política, misticismo e drogas, as aventuras do Monstro do Pântano foram um marco nos quadrinhos americanos e manteve Moore no título por três anos, ao lado dos desenhistas Steve Bissete, John Todeben e Rick Veitch.


Miracleman (1985) 7-A
Comic Book by Eclipse
Apr 1986

Em 1985, enquanto o Monstro do Pântano conquistava público e crítica, a editora Eclipse comprou os direitos sobre o Marvelman de Moore e passou a relançá-lo nos EUA em capítulos mensais, mudando o nome do personagem para Miracleman, uma tática para evitar problemas com a Marvel, Moore pode, então, continuar a história de onde havia parado e terminar a saga de como seu herói consegue salvar o mundo de si mesmo.


Action Comics (1938) 583-A
Comic Book by DC
Sep 1986

Durante essa época, Moore escreveu também várias histórias dentro do universo DC, estreladas por personagens como Batman, Arqueiro Verde, Lanterna Verde, Vingador Fantasma e Vigilante. Porém, duas histórias lançadas em 1985 com o Superman até hoje figuram na galeria de clássicos do personagem. A primeira, desenhada por Dave Gibbons, foi Para o Homem que tem Tudo, em Superman Annual 11, em que o vilão Mogul faz o homem de aço pensar que Krypton nunca foi destruído e que o herói leva uma vida normal com sua mulher e filho no planeta onde nasceu. A outra história, O que Aconteceu com o Homem do Amanhã? foi apresentada nas revistas Action Comics 583 e em Superman 423 e mostrava a união de todos os grandes inimigos de Superman em um ataque mortal ao herói. O resultado foi a morte dos amigos mais próximos do Homem de Aço e uma última e dramática batalha.

Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS 4 - abril/maio de 2007

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O VOO DO FALCÃO

Captain America (1968) 117-A
Comic Book by Marvel
Sep 1969
1st app The Falcon

Antes que a década de 60 terminasse, Stan Lee ainda criaria outro personagem que teria vida longa: Falcão, o segundo personagem negro de destaque na Marvel. Sam Wilson surgiu em Captain America 117, em 1969, ajudando o Capitão a vencer vilões nazistas em uma ilha. Os nazistas dominavam os nativos e o herói convence Sam a usar um uniforme para inspirar os habitantes à revolução. Assim, ele criou um uniforme e adotou o nome de Falcão, inspirado por seu animal de estimação Asa Vermelha, um falcão treinado. O Falcão seria o parceiro do Capitão América por boa parte dos anos 70. Com o tempo adquiriu um par de asas gigantes que o permitiam voar e chegou a ter seu nome incluído no título da revista do herói patriótico, tal foi o sucesso que conseguiu.
Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #14 - Janeiro/Fevereiro de 2009 - Editora Europa

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O OUTRO TOCHA HUMANA

Fantastic Four Annual 4-A
Comic Book by Marvel
Nov 1966

No quarto anual do Quarteto Fantástico, lançado em novembro de 1966, Stan Lee atendeu a uma outra solicitação dos fãs e trouxe de volta à vida o Tocha Humana original, o androide flamejante criado por Carl Burgos para a revista Marvel Comics 1, lançada em outubro de 1939, e que tinha sido a inspiração óbvia para a criação do Tocha da super família. Na história, de Lee e Kirby, o Tocha original é encontrado e reativado pelo vilão Pensador Louco para enfrentar o Quarteto. Desenhado e colorido para ter, quando em chamas, uma aparência diferente do visual de Johnny Storm, o androide tenta levar a cabo sua missão, mas acaba revoltando-se contra o Pensador e é "morto" novamente em menos de 20 páginas. O personagem era um bom chamariz para vender uma única revista, mas Lee deve ter achado que ter dois Tochas à solta pelo Universo Marvel seria confuso demais para os leitores. Anos depois, o personagem voltaria a fazer aparições esporádicas nas revistas da editora.

Por Maurício Muniz

Marvel Comics # 1
November 10, 1939

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #14 - Janeiro/Fevereiro de 2009 - Editora Europa

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

MUNDOS FANTÁSTICOS


Ao misturar os estilos de Jack Kirby e de pintores renascentistas, o inglês Barry Windor-Smith criou uma infinidade de mundos fantásticos

Por Maurício Muniz

No mercado de quadrinhos o nome Barry Windsor-Smith é sempre relacionado à sofisticação. Mesmo que sua produção não seja das mais proliferas, por onde passa, o artista deixa sua marca em HQs muito cultuadas pelos fãs.

Nascido próximo à cidade de Londres, na região operária de Forest Gate, em 25 de maio de 1949, desde a infância Windsor-Smith mostrou inclinação às artes e seus pais o incentivaram a estudar. Passou três anos no East Ham Technical College, onde formou-se aos 18 anos em Design Industrial e Ilustração. Após ter lecionado desenho por um tempo na East Ham, o jovem artista sentiu-se preparado para trabalhar na área de quadrinhos, uma de suas paixões.

Windsor-Smith era fascinado pelo universo dos super-heróis. Entre seus artistas favoritos estavam Gil Kane, Carmine Infantino e Jack Kirby. O sonho de Windsor-Smith era seguir o mesmo caminho de seus ídolos.

Na década de 60, a editora Odhams republicava na Inglaterra, em preto e branco, vários títulos da Marvel. E foi à Odhams, em 1967, que o desenhista ofereceu seus trabalhos. Como era proibido à editora inglesa criar histórias com os personagens Marvel, Windsor-Smith teve que contentar-se em desenhar pin-ups dos heróis para as revistas Terrific e Fantastic. Mas logo aquilo seria muito pouco para alguém tão criativo, que ansiava por criar suas próprias histórias...

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #16 - Maio/Junho de 2009 - Editora Europa.

DETALHES DA TRAMA


O Homem de Aço começa em Krypton, planeta natal de uma antiga raça que domina alta tecnologia. Após usarem os recursos naturais do planeta à exaustão, os kryptonianos abalaram a própria estrutura do planeta, que está próximo de explodir. Além disso, o planeta passa por uma guerra civil e o cientista Jor-El (Russell Crowe), ciente de que Krypton corre perigo, resolve enviar seu filho para à Terra, que já foi visitada por seu povo antes.

O pequeno Kal-El é especial: ele não foi criado por manipulação genética como todos os kryptonianos, é a primeira criança gerada por métodos naturais no planeta em milhares de anos. Jor-El tem um inimigo, o belicoso General Zod (Michael Shannon, um pouco careteiro e histriônico), que almeja dominar o planeta e destruir o conselho kryptoniano para impedir que continuem a abusar do planeta. Mas Zod também é a favor da eliminação de kryptonianos que considera inferiores, e após um confronto entre ele e Jor-El, o militar e seus seguidores são enviados a uma nave-prisão.

Porém, quando Krypton é inevitavelmente destruído, os controles automáticos da nave libertam os prisioneiros, e o grupo sai pelo espaço em busca do filho de seu inimigo e da matriz genética que acreditam estar com o menino e que poderia restaurar a linhagem dos kryptonianos. Todo o prólogo passado no planeta natal do herói é quase um filme dentro do filme, um épico de ficção científica e muita ação com cenários, equipamentos e animais fantásticos. É a primeira vez no cinema (e talvez mesmo nos quadrinhos) que Krypton é mostrado de maneira tão interessante e dinâmica. E a maior surpresa é a representação de Jor-El, que assume o papel do herói destemido que corre tremendos riscos para salvar seu filho e deter Zod.

Paralelo a isso, o bebê Kal-El chega à Terra e é encontrado pelos Kent, Jonathan (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane), que decidem manter segredo sobre a origem do menino, batizado como Clark. À medida que cresce, Clark começa a notar que é dono de estranhos poderes e fica confuso sobre sua identidade. Os pais revelam que ele veio do espaço, e Clark, já adulto (Henry Cavill), resolve sair pelo mundo em uma jornada de autoconhecimento para entender sua origem e seus poderes.


Em suas viagens, realiza grandes feitos para ajudar pessoas em perigo e via ao Ártico quando descobre que uma possível nave alienígena foi encontrada sob o gelo pelos militares. A descoberta também é investigada pela jornalista Lois Lane (Amy Adams), que numa noite percebe um homem que anda sozinho pelas paisagens e o segue. Lois acaba testemunhando o primeiro contato de Clark com essa nave deixada pelos kryptonianos na Terra e é salva por ele quando entra em contato com o sistema de segurança do veículo.

A jornalista tenta publicar a reportagem sobre o estranho que a salva, mas não consegue dados suficientes para convencer seu editor Perry White (Laurence Fishburne). Obcecada pelo assunto, Lois continua suas pesquisas para descobrir o paradeiro e a história de seu misterioso salvador.

Após anos no espaço, Zod descobre que Kal-El está na Terra. Logo, o General e seus seguidores, entre os quais a cruel Faora, chegam ao nosso planeta e lançam um ultimato a todo o planeta, exigindo que Kal-El seja entregue a ele - há inclusive uma versão da mensagem em português - ou ele lançará um ataque de grandes proporções.


A essa altura, o rapaz já entrou em contato com um holograma de seu pai e descobriu tudo sobre sua herança e história pregressa. Ciente da tensão enfrentada pelo mundo frente à ameaça de Zod, Kal-El veste um traje kryptoniano de batalha e deixa-se prender pelo exército terrestre para mostrar que está do lado da humanidade. Os militares chegam à conclusão de que a melhor opção é que o rapaz se entregue a Zod.

Kal-El concorda e logo é aprisionado na nave do tirano, que tem sobre ele o efeito da famosa kryptonita, já que a atmosfera interna reproduz as condições de seu planeta natal, tirando seus poderes. Na nave, o herói finalmente descobre a verdadeira intenção de Zod, algo que poderá causar a extinção da humanidade. A partir daí, começa um confronto devastador do Homem de Aço contra os invasores kryptonianos.

Por Mauricio Muniz, 
com colaboração de 
Eduardo Marchiori e Gustavo Vicola

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #44 - Junho de 2013 - Editora Europa.

BYRNE NA CHARLTON

O primeiro trabalho profissional de Byrne foi uma história de duas páginas para a revista de terror Nightmare 20, da Skywald Publications, em agosto de 1974. Em seguida, criou para a editora Charlton Comics uma série de aventuras curtas do robô Rog-2000, personagem concebido anos antes para um fanzine dos seus amigos - e também futuros quadrinhistas - Bob Layton e Roger Stern. O editor da Charlton, Nicola Cuti, gostou do personagem e convidou Byrne a desenhar histórias com ele para complementar a revista do super-herói E-Man, maior sucesso da editora na época. O próprio Cuti escrevia as aventuras de Rog-2000.

Doomsday + 1 (1975) 1-A
Comic Book by Charlton
Jul 1975

A seguir, Byrne desenhou para a Charlton adaptações de três programas de TV famosos: as séries Emergência e Espaço: 1999 e o desenho Carangos e Motocas. Ao lado de Joe Gill, idealizador do Capitão Átomo, Byrne criou a série Doomsday + 1, sobre um grupo de sobreviventes de um ataque atômico a Nova York.

Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #7 - Novembro/Dezembro de 2007 - Editora Europa.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A PARTIR DE 1940, A DC EXPANDE SEU UNIVERSO DE HERÓIS COM MUITOS LANÇAMENTOS


Eis alguns:

A editora All American, coligada à DC, lançou em janeiro de 1940 a primeira edição de Flash Comics, revista que apresentou dois personagens que entraram para o panteão das grandes criações dos gibis: Flash e o Gavião Negro - ambos criados por Gardner Fox, que se tornaria um dos principais nomes na história da DC.

O Flash era Jay Garrick, ex-jogador de futebol que se tornou cientista. Após inalar acidentalmente um liquido experimental, ganhou supervelocidade e a capacidade de vibrar suas moléculas para atravessar objetos sólidos. Também passou a envelhecer muito lentamente, algo muito útil nos 70 anos seguintes de cronologia da editora, já que ainda aparece relativamente jovem. Traduzido como Joel Ciclone no Brasil, o personagem alcançou enorme sucesso nas bancas.


Numa história secundária da mesma Flash Comics, foi apresentado Carter Hall, o heroico Gavião Negro. Promovido como "um herói que enfrenta o mal do presente com armas do passado", ele era um príncipe egípcio reencarnado em nossa época com uniforme que lembrava uma ave de rapina e asas que o permitiam voar e combater o crime. Edições mais tarde, o personagem adotou uma parceira, Shiera Sanders, que se tornou a Mulher-Gavião.


Mais de sete anos depois, na edição 86 de Flash Comics (agosto de 1947), seria a vez da Canário Negro surgir. Criada por Robert Kanigher e Carmine Infantino, Dinah Drake era apenas uma coadjuvante nas histórias de um herói menor, Johnny Thunder. Lutadora de artes marciais e dona de um grito sônico poderoso, a personagem logo caiu nas graças do público e começou a ganhar cada vez mais espaço e destaque nas revistas da DC.

Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #23 - Setembro/Outubro de 2010 - Editora Europa.

domingo, 8 de dezembro de 2013

ROMANCES EM QUADRINHOS E FAROESTE CULTUADO

Boy Commandos #11
January 1, 1945

De volta a Nova York, Kirby achou que poderia continuar trabalhando nos títulos na DC, mas as coisas haviam mudado. Não só Boys Commandos deixou de ser um sucesso com o final da guerra, como também os donos da DC estavam menos inclinados a deixar que colaboradores terceirizados criassem conteúdo livremente para a empresa, sem que os editores coordenassem tudo. Kirby não gostou da nova situação. Mas ainda continuou desenhando Boys Commandos - onde ficaria até 1947 -, esperando Simon voltar de seu trabalho no exército e, juntos, foram procurar trabalho na Harvey Comics.

Lá, a dupla criou o super-herói Stuntman, que estreou em título próprio em abril de 1946, e trabalhou em revistas como Black Cat e Captain 3D. Paralelamente, criaram histórias para editoras menores como a Hilman e a Prize, em títulos como Real Clue Crime Stories, Airboy e Headline Comics. E foi na Prize que a carreira da dupla passaria por uma reviravolta.

Ao notar o sucesso dos livros e filmes românticos da época, Simon teve a ideia de criar revistas em quadrinhos que trouxessem casais apaixonados, romances impossíveis, namorados que se traem e todo tipo de contos sobre amores correspondidos ou não. Os amigos prepararam uma proposta e a ofereceram aos donos da Prize, que prontamente se interessaram pela revista. Na verdade, gostaram tanto que Simon e Kirby viram ali a oportunidade de fazer um acordo inédito: desenhariam e escreveriam a revista sem pagamento, mas receberiam 50% dos lucros. O acordo foi fechado.

Young Romance #1
Sept. 1947

Em setembro de 1947, a Prize lançou a primeira edição de Young Romance. Na capa, uma chamada avisava que aquela era uma revista "criada para os leitores adultos de quadrinhos". Ninguém poderia imaginar o sucesso que a publicação faria. Ao que consta, a primeira edição vendeu 92% de sua tiragem inicial, o que levou a Prize não apenas a transformar a revista num lançamento mensal, como também a pedir que Simon e Kirby criassem um segundo título, chamado Young Love. As vendas das duas revistas chegavam a dois milhões de exemplares e logo outros títulos do gênero foram lançados pela editora. Diferentemente de Martin Goodman, a Prize honrou seu acordo e Simon e Kirby ganharam muito dinheiro pela primeira vez em suas vidas. Agora um pai de família com dois filhos, Kirby logo tratou de comprar uma casa em Long Island, Nova York, para sua família.

Young Love #1
Feb, 1949

Em 1950, a dupla de astros dos quadrinhos ainda criou o título Boys' Ranch para a Harvey, sobre um grupo de garotos que tomam conta de um rancho. Com apenas seis edições lançadas, Boys' Ranch é um dos trabalhos mais cultuados de Simon e Kirby.

Por Mauricio Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #25 - Janeiro/Fevereiro de 2011 - Editora Europa.

MUITO TRABALHO NA DC

Green Lantern Vol 1 #28
October, 1947

Nos dois anos seguintes, Toth fez várias histórias curtas para a Eastern e outras empresas. Logo começou a procurar trabalhos em várias editoras até que, em 1947, após formar-se em Arte e Ilustração Industrial, foi contratado como desenhista exclusivo da DC. Sua estreia na empresa foi a edição 37 de All-Star Comics, de outubro daquele ano, com os capítulos 4 e 5 de uma HQ da Sociedade da Justiça. No mesmo mês, também foi lançada a edição 28 da revista Green Lantern, que trazia a capa e 12 páginas de Toth na história Os Truques do Mestre dos Esportes.

Na DC e nas outras editoras de quadrinhos da época, era comum que os desenhistas fizessem dezenas de páginas por mês, nos mais diversos gêneros. Isso serviu de aprendizado para Toth e o trabalho para a DC lhe permitiu uma vida confortável, pois ganhava cerca de 30 dólares por página desenhada.

Flash Comics Vol 1 #102
December, 1948

Nos cinco anos em que trabalhou para a editora, Toth passou por inúmeros títulos. Além de ilustrar a Sociedade da Justiça e o Lanterna Verde, trabalhou em revistas de faroeste, como All-American Western, na qual desenhava aventuras do herói Johnny Thunder, e Dale Evans, sobre a mulher do famoso caubói Roy Rogers. Além disso ilustrou aventuras de astros caninos em Sensation Comics e Rex, the Wonder Dog; e histórias românticas em Romantic Marriage, Girls' Romances e Romance Trail. Toth ainda fez a história curta Barris do Crime para Flash 102, de dezembro de 1948, e participou da primeira edição da revista Mystery in Space, lançada em abril de 1951.

Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #26 - Abril/Maio de 2011 - Editora Europa.

PRIMEIROS PASSOS DO ARTISTA

O primeiro trabalho profissional de Ditko foi uma história curta de seis páginas chamada Paper Romance para a revista Daring Love 1, da Key Publications, lançada em setembro de 1953. Aos 26 anos, o jovem começava a realizar seu sonho.

Nos meses seguintes, outros trabalhos se seguiram, para diversas editoras, com histórias de cinco a dez páginas para revistas como Blazing Western, da Key, e Black Magic, da Prize Comics. A Prize era o selo de quadrinhos de Jack Kirby e Joe Simon, e Ditko trabalhou algum tempo no estúdio da famosa dupla, ajudando na produção das revistas da Prize e de outras editoras.

The Thing (1952) 12-A
Comic Book by Charlton
Feb 1954

Foi para a Charlton Comics que Ditko realizou a maior parte de seu trabalho no início dos anos 1950. Suas histórias curtas e capas apareceram em títulos como Racket Squad, The Thing, Crime and Justice, This Magazine is Haunted, Space Adventures, Strange Suspense Stories e From Here to Eternity. Seu estilo expressionista, com visuais fora do comum e humanos esquisitos, parecia encaixar-se bem nas tramas de suspense e terror. Da mesma forma, suas capas assustadoras convidavam os leitores a entrar em um mundo estranho e fantástico.

Black Magic (1953) 3-A
Comic Book by Prize
Nov 1953

Durante mais de um ano e meio, Ditko trabalhou quase que exclusivamente para a Charlton. Mas teve que fazer uma pausa forçada na carreira quando contraiu tuberculose e foi obrigado a volta à casa dos seus pais, em Johnstown, para se recuperar. Mais de um ano depois, já curado, o artista voltou à Nova York atrás de trabalho. Após desenhar algumas histórias sob o pseudônimo de J. Kotdi para a editora L. Miller & Son - uma HQ sobre o cavalo de um caubói, publicada na revista Rocky Lane's Black Jack -, o desenhista achou trabalho constante novamente na Charlton e numa outra editora, a pequena Atlas que, nos anos seguintes, viria a se chamar Marvel Comics.

Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #28 - Julho/Agosto de 2011 - Editora Europa.

SUCESSO ARREBATADOR


Star Wars estreou em 25 de maio de 1977 em apenas 32 salas de cinema nos Estados Unidos. Para não encarar um possível fracasso, Lucas tirou férias naquela semana e foi para o Havaí com o amigo Steve Spielberg. Ninguém, nem mesmo Lucas ou a Fox, imaginava o destino comercial de Star Wars. Inesperadamente, a bilheteria inicial foi muito boa. Tudo graças à divulgação boca a boca e a uma boa parcela do público que voltou repetidas vezes para assistir a ele.

Rapidamente, Star Wars se transformou num fenômeno, arrecadando mais de 133 milhões de dólares em três meses - um valor surpreendente para a época, ainda mais levando-se em conta que foi exibido em poucas salas. Frente ao sucesso, a Fox começou a aumentar o número de cópias por todos os Estados Unidos. As filas para ver o filme dobravam esquinas e a produção ficou em cartaz por mais de um ano, arrecadando incríveis 265 milhões de dólares. Uma das explicações para o sucesso era que, finalmente, um filme apresentava o que só existia, até então, nos quadrinhos e nos livros: batalhas espaciais em alta velocidade, duelos com laser, naves colossais, planetas destruídos... O filme foi indicado a vários Oscars e chegou a ganhar alguns nas categorias mais técnicas.

Star Wars teve outros relançamentos oficiais: em 1978, em 1980 (quando ganhou o complemento Episódio IV: Uma Nova Esperança) e em 1997 (com acréscimos de efeitos especiais computadorizados). A essa altura, era claro para o mundo que Lucas e a Fox fariam mais filmes passados há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante. Somando-se a bilheteria de outros relançamentos, o total arrecadado pelo filme chegou a 460 milhões. Atualizados os valores, Star Wars é a segunda bilheteria da história do cinema nos EUA, perdendo apenas para ...E o Vento Levou.

Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #29 - Editora Europa.

ALÉM DE QUALQUER FRONTEIRA

Poucos quadrinhistas europeus fascinaram tanto os leitores como o francês Jean Giraud, que ganhou fama sob o pseudônimo Moebius

Por Mauricio Muniz


Ficção científica. Fantasia. Faroeste. Super-heróis. O ilustrador e roteirista Jean Giraud dominou praticamente todos os gêneros de quadrinhos e ainda se aventurou pelo mundo do cinema e dos livros. Falecido em março, foi um dos artistas mais completos e mais influentes que as HQs já tiveram. Obras como Blueberry, Arzach e Incal não só conquistaram uma legião de fãs, mas extrapolaram alguns limites da própria linguagem narrativa.

Nascido em um subúrbio na região leste de Paris em 8 de maio de 1938, Jean Henri Gaston Giraud passou por um trauma logo aos três anos de idade, quando seus pais se divorciaram e seguiram rumos distintos. Na ausência deles, o menino ficou sob os cuidados dos avós, que o criaram por mais de uma década. Para distrair o garoto da triste situação, o casal passou a presenteá-lo com gibis. Logo, o pequeno Jean já copiava os desenhos. Com o passar dos anos, aperfeiçoou seu traço e tornou-se um bom artista amador. Foi aí que surgiram suas primeiras HQs, geralmente relatos pessoais que, talvez por timidez ou insegurança, ele mostrava a poucas pessoas.

Segundo revelou em uma entrevista dada ao Comics Journal, em 1987, aos 14 anos Giraud já tinha planos de desenhar quadrinhos pelo resto da vida. Em 1954, aos 16 anos, matriculou-se em um curso de desenho na tradicional École Nationale Supérieure des Arts Appliqués, em Paris. Esse curso de um ano foi o único aprendizado artístico convencional que teria em sua longa, prolífera e criativa carreira.


MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #32 - Abril de 2012 - Editora Europa.

VINGADORES NAS HQS

Como cada herói se relaciona no supergrupo da Marvel

Por Eduardo Marchiori e Mauricio Muniz

O líder incontestável

Brilhante estrategista com vasta experiência em combate, o Capitão América (Steve Rogers) foi o herói que mais vezes liderou os Vingadores. Criado por Jack Kirby e Joe Simon em 1941, o Sentinela da Liberdade estreou em revista própria de grande sucesso durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, com o fim do conflito, perdeu leitores e teve seu título cancelado. Só em 1964, quando os super-heróis da Marvel estavam a todo vapor, Kirby e Stan Lee trouxeram o personagem de volta para integrar os Vingadores.

The Avengers (1963) 4-A
Comic Book by Marvel
"Captain America Joins the Avengers"

Isso aconteceu em The Avengers 4, de maio de 1964. Durante uma missão no Atlântico Norte, a equipe formada por Homem de Ferro (Tony Stark), Thor, Gigante (Hank Pym) e Vespa (Janet Van Dyne) encontram o corpo recentemente descongelado de Rogers, que ficara em animação suspensa dentro de um bloco de gelo desde 1945. Em sua missão durante a guerra, o Capitão foi lançado no mar gelado enquanto tentava salvar o amigo Bucky. Os efeitos do soro do supersoldado impediram sua morte e o preservaram durante tantos anos. Perdido e deslocado no mundo moderno, o Capitão América logo se juntou aos Vingadores, tomando o lugar do Hulk, que abandonara o grupo um pouco antes. Logo em sua primeira aventura na equipe, o Capitão América salvou os outros membros de uma alienígena que os transformou em estátuas. Não demorou para que assumisse a liderança do grupo.

The Avengers (1963) 16-A
Comic Book by Marvel
May 1965
"The Old Order Changeth"

Após algumas edições, a formação dos Vingadores mudou. Thor e companhia afastaram-se da equipe por razões pessoais em The Avengers 16 (maio de 1965), e o Capitão América ganhou três novos parceiros: os irmãos mutantes Mercúrio (Pietro Maximoff) e Feiticeira Escarlate (Vanda Maximoff), além do encrenqueiro Gavião Arqueiro (Clint Barton). Os dois primeiros eram ex-membros do grupo radical Irmandade dos Mutantes, enquanto o último já enfrentara o Homem de Ferro e chegou a ser procurado pela polícia. Essa formação ficou conhecida pelo público como "os esquisitos do Capitão" ou até "a quadrilha do Capitão".

Civil War 1-B
Comic Book by Marvel
Jul 2006

O próprio Capitão América afastou-se dos Vingadores em algumas ocasiões ao longo das décadas seguintes, mas sempre voltou ao grupo. Uma de suas fases mais importantes na equipe ocorreu em 2007, durante a Guerra Civil, um conflito que dividiu os heróis do universo Marvel entre os que defendiam os planos do governo para criar um registro de todos os superseres e os que eram contra essa medida. O Capitão liderou uma equipe paralela de Vingadores, que lutava contra as ordens governamentais, até que foi preso pelas autoridades e, posteriormente, assassinado graças a um plano de seu velho inimigo, o Caveira Vermelha. Em memória de seu líder morto, os autodenominados Novos Vingadores continuaram a atuar contra o governo.

Quase dois anos depois, o Capitão América voltou à vida. Obviamente, ele não tinha morrido de verdade, apenas foi lançado em uma viagem no tempo através do tempo. Com o cancelamento dos planos para registrar os super-heróis, Steve Rogers mais uma vez uniu-se a seus companheiros e liderou uma equipe paralela dos Vingadores, que age em missões clandestinas. Nas primeiras aventuras, ele tinha dispensado seu clássico uniforme e combatia sem máscara. Mas, nas HQs publicadas nos Estados Unidos, retornou seu visual clássico.

The Ultimates (2002) 3-A
Comic Book by Marvel
May 2002
"21st Century Boy"

No universo Ultimate, uma realidade paralela em que os personagens da Marvel têm uma mitologia diferente, o Capitão foi encontrado pela SHIELD, após quase sessenta anos congelado. Ele se une ao grupo Os Supremos, que equivale aos Vingadores nesse universo. Sua postura, porém, é mais violenta que a do Capitão convencional, o que é apropriado, já que seu grupo é considerado uma unidade paramilitar.

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #33 - Maio de 2012 - Editora Europa.

Captain America (2013) 14-A
Comic Book by Marvel
Feb 2014

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A JORNADA DO HERÓI


Dessa vez, a missão não é só salvar Metrópolis e o mundo. Cabe ao Homem de Aço ressuscitar todo o universo cinematográfico da Warner/DC

Por Mauricio Muniz, 
com colaboração de 
Eduardo Marchiori e Gustavo Vicola

A ideia para um novo filme do Superman surgiu em 2010, quando o roteirista David Goyer discutia com o diretor Christopher Nolan os detalhes da trama do que se tornaria O Cavaleiro das Trevas Ressurge, a terceira aventura do Batman. Por alguma razão, o assunto enveredou para o universo do herói de Krypton, e Goyer comentou que tinha uma ideia de como apresentar o clássico personagem às novas audiências, tão acostumadas com heróis mais durões, realistas e humanos. Após muitas discussões e um complicado processo judicial contra a Warner, o Homem de Aço ganhou nova chance de alçar voo em Hollywood.

O estúdio resolveu investir numa visão mais moderna e inédita, que coloca Superman no lugar de destaque que deveria ocupar por direito, mas que foi usurpado recentemente pelos heróis da Marvel. Segundo prega a Warner, é um Superman como nunca se viu antes, como se fosse o primeiro filme do personagem para o cinema.

Com produção de Christopher Nolan e direção de Zack Snyder (300, Wathmen), o novo filme - batizado criativamente como O Homem de Aço (The Man of Steel) - tem tudo para mudar os rumos da Warner/DC no cinema com uma versão realista do herói de Krypton. Isso bem resumido em um depoimento do diretor Snyder à revista inglesa Total Film, que parodia a propaganda do clássico filme de 1978: "Você vai acreditar que um homem é capaz de voar, mas mantendo os pés no chão."

Logo que surgiram as primeiras fotos promocionais de O Homem de Aço, em 2012, foi possível notar que o herói não usava mais seu famoso calção vermelho por cima do uniforme. Segundo Snyder, foram pensadas muitas maneiras de manter a clássica vestimenta, mas conclui-se que era um item desnecessário. Esse é apenas um exemplo das mudanças na mitologia e no perfil do personagem que o filme traz.

Várias HQs e momentos da vida do herói inspiraram o filme. Mas três obras influenciaram mais o roteiro: 

Superman: O Legado das Estrelas,
Superman: Terra Um e
Superman: Origem Secreta.

Em entrevistas, Snyder citou Grandes Astros: Superman, de Grant Morrison e Frank Quitely, como uma de suas histórias favoritas.

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #44 - Junho de 2013 - Editora Europa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

GÊNIO INDOMADO

Talentoso e briguento, John Byrne foi um dos maiores astros dos quadrinhos nos anos 70 e 80

Por Maurício Muniz

No começo dos anos 60, quando morava com seus pais no Canadá, John Byrne descobriu nas bancas as primeiras revistas do Quarteto Fantástico. Impressionado com a energia e modernidade do gibi, principalmente no traço de Jack Kirby, Byrne decidiu ali que gostaria de trabalhar com quadrinhos. Em 1970, essa paixão levou o rapaz de 20 anos a se matricular na Alberta College of Art e Design, na cidade canadense de Calgary. Mesmo sem completar a faculdade, foi lá que Byrne produziu um de seus primeiros trabalhos em quadrinhos, a tira humorística Gay Guy, para o jornal da instituição. A partir daí, o desenhista entrou lentamente no mercado de quadrinhos norte-americano, primeiro com vários trabalhos menores, até começar a ser notado pela Marvel. Era o começo de uma carreira ímpar nos comics de super-heróis. Acompanhe seus principais feitos.

Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #7 - Novembro/Dezembro de 2007 - Editora Europa.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ARTISTA COMPLETO


Alex Toth influenciou diversos autores de quadrinhos e criou alguns dos personagens mais famosos dos desenhos animados

Por Maurício Muniz

Com impecável domínio da narrativa sequencial e traços leves e fluidos, Alex Toth é considerado um dos melhores desenhistas da história das HQs. Não bastasse isso, também esteve envolvido na criação de famosos desenhos animados, como Jonny Quest e Space Ghost.

Oriundo de uma família de origem húngara, Alexander Toth - pronuncia-se "tôlss" - nasceu em 25 de junho de 1928, em Nova York. Na infância foi fascinado pelas tiras dos jornais, tornando-se fã de séries hoje consideradas clássicas, como Terry e os Piratas, de Milton Caniff; e Flash Gordon, de Alex Raymond. O estilo de desenho de Toth mais admirava era o de Noel Sickles, da tira Scorchy Smith, que influenciou bastante seu traço. Ao entrar na adolescência, já sabia o que queria fazer da vida: seria desenhista de tiras de jornais.

Por volta dos 13 anos, de tanto copiar desenhos de seus ídolos, Toth já havia aprendido bastante sobre essa arte. Quando um de seus professores notou esse talento, incentivou o garoto a estudar ilustração. Com isso, sua aptidão natural foi aprimorada o bastante para que, com apenas 16 anos, se tornasse profissional nos quadrinhos. Sua estreia ocorreu na revista Heroic Comics 32, da editora Eastern Color Printings, lançada em setembro de 1945. Para essa edição, Toth fez uma ilustração que acompanhava um conto e desenhou uma HQ curta de guerra. Porém, o sonho de trabalhar com tiras de jornais não se realizaria tão facilmente. Por volta dessa época, a indústria de tiras já não tinha a mesma força de antes e o espaço que os jornais dedicavam a elas tornou-se menor. Ainda não havia lugar para o jovem Toth naquele segmento.


Mundo dos Super-Heróis 26
Editora Europa
abril/maio 2011
pág. 13