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domingo, 8 de dezembro de 2013

PRIMEIROS PASSOS DO ARTISTA

O primeiro trabalho profissional de Ditko foi uma história curta de seis páginas chamada Paper Romance para a revista Daring Love 1, da Key Publications, lançada em setembro de 1953. Aos 26 anos, o jovem começava a realizar seu sonho.

Nos meses seguintes, outros trabalhos se seguiram, para diversas editoras, com histórias de cinco a dez páginas para revistas como Blazing Western, da Key, e Black Magic, da Prize Comics. A Prize era o selo de quadrinhos de Jack Kirby e Joe Simon, e Ditko trabalhou algum tempo no estúdio da famosa dupla, ajudando na produção das revistas da Prize e de outras editoras.

The Thing (1952) 12-A
Comic Book by Charlton
Feb 1954

Foi para a Charlton Comics que Ditko realizou a maior parte de seu trabalho no início dos anos 1950. Suas histórias curtas e capas apareceram em títulos como Racket Squad, The Thing, Crime and Justice, This Magazine is Haunted, Space Adventures, Strange Suspense Stories e From Here to Eternity. Seu estilo expressionista, com visuais fora do comum e humanos esquisitos, parecia encaixar-se bem nas tramas de suspense e terror. Da mesma forma, suas capas assustadoras convidavam os leitores a entrar em um mundo estranho e fantástico.

Black Magic (1953) 3-A
Comic Book by Prize
Nov 1953

Durante mais de um ano e meio, Ditko trabalhou quase que exclusivamente para a Charlton. Mas teve que fazer uma pausa forçada na carreira quando contraiu tuberculose e foi obrigado a volta à casa dos seus pais, em Johnstown, para se recuperar. Mais de um ano depois, já curado, o artista voltou à Nova York atrás de trabalho. Após desenhar algumas histórias sob o pseudônimo de J. Kotdi para a editora L. Miller & Son - uma HQ sobre o cavalo de um caubói, publicada na revista Rocky Lane's Black Jack -, o desenhista achou trabalho constante novamente na Charlton e numa outra editora, a pequena Atlas que, nos anos seguintes, viria a se chamar Marvel Comics.

Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #28 - Julho/Agosto de 2011 - Editora Europa.

domingo, 1 de dezembro de 2013

A HISTÓRIA SECRETA DA MARVEL COMICS

Fantastic Four (1961) 1-A
Comic Book by Marvel
Nov 1961

ANTES DO HOMEM-ARANHA USAR SUAS TEIAS, AS LENDAS DO MUNDO REAL DOS QUADRINHOS TRABALHAVAM EM SALAS APERTADAS, ENCARANDO DEMISSÕES EM MASSA, AMEAÇAS DE MORTE E O PREÇO AMARGO DA FAMA

Por Jim Arehart
e a equipe da Wizard

O homem de meia-idade entrou em sua pequena sala num edifício de Manhattan segurando uma pilha de contas saídas da caixa de correio e sentou em sua cadeira. O aquecedor assobiava ao seu lado, mas ele estava prestando tanta atenção nisso quanto no sanduíche intocado sobre a prancheta. Passando a mão pelos cabelos finos, fitava o bloco de anotações, sem saber direito o que fazer em seguida. E esse pensamento o deixou profundamente deprimido.

A pilha de contas pesava ainda mais sobre a situação financeira da empresa, que recentemente havia passado por uma crise, com seus concorrentes batendo de todos os lados. Ele havia sido encarregado de reverter esse quadro - mesmo que isso significasse imitar a concorrência - e não sabia se queria tomar parte nisso. Pela primeira vez na vida, sentiu que colocaria em risco uma carreira de 20 anos.

Finalmente, decidiu que não queria terminar dessa maneira. Então, deu voltas e mais voltas na sala apertada, bloco nas mãos, pensando: "O que poderia fazer para salvar meu emprego?"

Bem-vindo ao verão de infortúnios de Stan Lee em 1961.

Em novembro daquele ano, a solução que Lee encontrou foi lançar Fantastic Four 1 (a revista original do Quarteto Fantástico), segundo a visão do artista Jack Kirby. E desde então os quadrinhos nunca mais foram os mesmos.

As incríveis contribuições de Lee - como editor da Marvel durante três décadas, co-criador dos ícones da editora e roteirista de mais de mil edições - ajudaram a catapultar a "Casa de Ideias" para o topo da indústria, embora nem ele, nem seus desenhistas soubessem disso naquela época. A genialidade daquele novo universo veio de histórias que usavam heróis do mundo real com problemas reais e vivendo no mundo real - em Nova York, na maior parte das vezes.

Mas a Big Apple foi também o cenário para outras pessoas com um imenso poder, o de contar histórias fantásticas, de suspense, incríveis! Hoje eles são os gigantes da indústria dos quadrinhos - homens como Jack Kirby, Steve Ditko, John Romita -, mas naquele momento não passavam de desconhecidos lutando para sobreviver.

Portanto, prepare-se, fiel leitor! As lendas vivas estão aqui para recordar as origens da Marvel Comics. É hora de saber por que um simples poster do Homem-Aranha formou uma multidão na Avenida Madison, por que o FBI foi chamado para atender à primeira ameaça de morte feita à editora e por que Stan Lee costumava comer um sanduíche de queijo quente todo dia.

continua...

WIZARD BRASIL #20 - Maio de 2005 - Panini Comics.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O OUTRO PAI DO HOMEM-ARANHA


Discreto e misterioso, Steve Ditko, o cocriador do Aranha, é um dos artistas mais singulares dos gibis

Por Maurício Muniz

Dono de estilo e imaginação ímpares, ele foi bem mais do que um simples desenhista, como muitos imaginam. Em sua passagem pelo título do Homem-Aranha, Steve Ditko desenvolveu as principais tramas do herói e, após sair da Marvel, criou alguns dos mais conhecidos personagens do mercado, em um legado que perdura até hoje.

Filho de pais tchecos, Stephen J. Ditko nasceu em 2 de novembro de 1927 na cidade de Johnstown, estado da Pensilvânia. Apesar da infância marcada pela pobreza, o artista teve bons momentos graças ao amor do pai, um carpinteiro também chamado Stephen, e às histórias em quadrinhos, principalmente as do Príncipe Valente, de Hal Foster. Desde cedo, o garoto foi exposto aos heróis de papel e seu interesse intensificou-se com o surgimento de Batman, em 1939, e Spirit, em 1940.

O Homem-Morcego logo ocupou um lugar especial na imaginação de Ditko, a ponto de pedir para sua mãe, Anna, que lhe criasse uma roupa igual à do herói. Para Mike, o melhor amigo do garoto, Anna costurou uma réplica do uniforme de Robin, e os dois meninos divertiam-se pelas ruas de Johnstown em aventuras imaginárias. Logo, o jovem Ditko tornou-se um grande admirador do trabalho de Jerry Robinson, o desenhista principal das HQs de Batman. Adolescente, passou a desenvolver seus dons artísticos e decidiu que se tornaria um artista dos quadrinhos.

Ditko formou-se no colegial em 1945 e, como estava em idade de prestar o serviço militar, foi mandado por algum tempo para a Alemanha. Quando voltou, tentou perseguir a carreira artística, embora o pai fosse contra, por achar que o jovem não conseguiria se sustentar. Por influência de Stephen, fez um curso que ensinava a criar letreiros para placas e cartazes. Mesmo assim, continuava a se aprimorar, criando ilustrações com grande influência do estilo de Jerry Robinson.

Nova York sempre foi o maior pólo de criação de quadrinhos nos Estados Unidos. Assim, em 1950, Ditko resolveu mudar para lá para estudar desenho. Para tanto, fez uso de um fundo do governo que ajudava nos estudos de ex-soldados. Mas o rapaz não queria frequentar qualquer escola. Ao descobrir que Jerry Robinson começara a lecionar na famosa Cartoonists and Illustrators School, inscreveu-se nela e passou a ter aulas diretamente com seu ídolo, um dos homens que o influenciara a seguir carreira nos quadrinhos. Logo, Ditko destacou-se com seus estilo dinâmico e sua criatividade. Após dois anos de estudos, começou a procurar trabalho em diversas editoras.

Primeiro trabalho profissional de Ditko
Daring Love 1 - setembro de 1953

Fonte: Mundo dos Super-Heróis - Número 28 - julho/agosto de 2011
pág. 59