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domingo, 8 de dezembro de 2013

HISTÓRIAS DO INTERIOR


Ainda para os Diários Associados, Mauricio criou uma nova tira, em 1961, chamada Hiroshi e Zezinho, sobre dois garotos que viviam numa cidade do interior de São Paulo. O hoje conhecido Chico Bento faria sua estreia, meses depois, como personagem de apoio. Só que o jeito brincalhão e atrapalhado do coadjuvante acabou tomando o espaço dos certinhos Hiroshi e Zé da Roça. Os meninos do interior também marcavam presença em HQs para a Coopercotia, revista criada pela Cooperativa Agrícola da cidade de Cotia.


Segundo Mauricio, a inspiração veio de sua infância e das histórias contadas por sua avó Dita que, inclusive, foi transformada na avó do Chico nas HQs sobre a vida na fazenda. Na maioria das vezes, essas histórias tinham como protagonistas um certo tio-avô que o desenhista não chegou a conhecer, chamado Francisco Bento. Já o nome completo do Chico Bento dos quadrinhos é Francisco Antônio Felício Bento.

Por André Morelli

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #27 - Maio/Junho de 2011 - Editora Europa.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

PERSONAGENS PRÉ-HISTÓRICOS

[ANOS 1960]

Piteco

Em busca de novas ideias, Mauricio lançou uma tira bem diferente em 1960, pelos jornais do grupo Diários Associados. Inspirado pelas clássicas histórias do Brucutu, o artista criou Piteco, um divertido homem das cavernas que assinava seu nome completo como Pithecanthropus Erectus da Silva. E foi nas tiras do Piteco que o famoso dinossauro Horácio fez sua primeira aparição. Na história, Piteco encontra um ovo prestes a chocar, de onde surge o pequeno tiranossauro. Piteco chega a levar o filhote para sua aldeia, mas Horácio acaba sendo expulso por causar muita confusão.

O simpático tiranossauro vegetariano ganharia uma série própria de tiras em 1963. Repletas de mensagens pacifistas e filosóficas, as histórias do Horácio até hoje têm roteiros produzidos pelo próprio Maurício, que sente grande afinidade com o personagem.

Horácio

Fonte: Mundo dos Super-Heróis - Número 27 - maio/junho de 2011
pág. 24

domingo, 28 de agosto de 2011

UM GAROTO DIFELENTE

DOSSIÊ MAURICIO [ANOS 1960]



Foi um longo caminho até Mauricio publicar suas primeiras HQs

Por André Morelli

Em outubro de 1960, um garoto de cabelos espetados faria sua primeira aparição na tira do Bidu e, em pouco tempo, esse coadjuvante roubaria o lugar do Franjinha como o "dono" da turma. Era o Cebolinha, personagem inspirado mais uma vez nas memórias de infância de Mauricio. Tratava-se de um garoto de Mogi das Cruzes que sofria de dislalia, um distúrbio de fala em que o portador troca uma letra por outra, no caso o "r" pelo "l". O garoto também tinha o cabelo espetado, o que levou o pai de Mauricio a apelidar o menino de Cebola.


Com o sucesso inesperado, Mauricio passou a criar personagens de apoio para o menino de fala enrolada, como Floquinho, uma versão caricata de um cachorro da raça Lhasa Apso, tão peludo que não existia diferença entre seu rabo e sua cabeça. Logo a fama levou Cebolinha a se tornar a segunda tira produzida por Mauricio. Em suas histórias solo, o garoto ganhou a companhia de uma irmã mais nova, Maria Cebolinha, criação inspirada em Mariângela, a primeira filha de Mauricio.

Fonte: Revista Mundo dos Super-Heróis #27 - maio/junho de 2011
pág. 23

sexta-feira, 15 de julho de 2011

UM PASSO DE CADA VEZ

DOSSIÊ MAURICIO [1950-1960]



Foi um longo caminho até Mauricio publicar suas primeiras HQs

Por André Morelli

Mauricio Araújo de Sousa nasceu em 27 de outubro de 1935, em Santa Isabel, cidade no interior de São Paulo. Mas, desde cedo, sua família dividiria a vida entre mudanças para São Paulo e Mogi das Cruzes. Filho do barbeiro com diversas aptidões artísticas Antônio Mauricio de Sousa e da poetisa Petronilha Araujo de Sousa, Mauricio foi incentivado pelos pais a desenhar desde muito jovem.


O futuro artista teve seu primeiro contato com os quadrinhos aos cinco anos, quando ganhou do dono de um posto de gasolina uma edição sem capa de O Guri, publicação quinzenal de quadrinhos editada pelo jornal Diário da Noite. Mesmo sem saber ler, o garoto se encantou com a revista e pediu para seus pais comprarem outras, com o Globo Juvenil e O Gibi. Ao perceber o interesse do filho, a mãe de Mauricio passou a lhe dar aulas de alfabetização e, poucos meses depois, Mauricio já sabia ler e se tornou um apaixonado colecionador de HQs.

Entre os personagens favoritos de Mauricio, estavam o caipira Ferdinando, o pré histórico Brucutu, o cavaleiro medieval Tereré, o mágico Mandrake, o detetive Dick Tracy e o aventureiro Fantasma. Entre os super-heróis, gostava do Capitão América, por não ter nenhum poder, Capitão Marvel, e do Homem Borracha, heróis que sempre apresentaram boas doses de humor em suas histórias. Mas, entre os aventureiros, o Spirit, criação máxima de Will Eisner, sempre teve um lugar especial na sua coleção.

Influenciado por tantos artistas diferentes, Mauricio começou a escrever e desenhar suas primeiras histórias em quadrinhos. Eram revistas artesanais vendidas para seus amigos na escola. Aos 12 anos, criou o Capitão Picolé, seu primeiro personagem, um baixinho cabeçudo que usava uma capa. O jovem desenhista jamais poderia imaginar que, décadas depois, os roteiristas da Mauricio de Sousa Produções resgatariam o Capitão Picolé, transformando-o em um vilão que pretendia tomar o lugar da Turma da Mônica no especial Lostinho (Panini, 2010), uma sátira ao seriado Lost.

Fonte: Revista Mundo dos Super-Heróis #27 - maio/junho de 2011
pág. 20