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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

DETALHES DA TRAMA


O Homem de Aço começa em Krypton, planeta natal de uma antiga raça que domina alta tecnologia. Após usarem os recursos naturais do planeta à exaustão, os kryptonianos abalaram a própria estrutura do planeta, que está próximo de explodir. Além disso, o planeta passa por uma guerra civil e o cientista Jor-El (Russell Crowe), ciente de que Krypton corre perigo, resolve enviar seu filho para à Terra, que já foi visitada por seu povo antes.

O pequeno Kal-El é especial: ele não foi criado por manipulação genética como todos os kryptonianos, é a primeira criança gerada por métodos naturais no planeta em milhares de anos. Jor-El tem um inimigo, o belicoso General Zod (Michael Shannon, um pouco careteiro e histriônico), que almeja dominar o planeta e destruir o conselho kryptoniano para impedir que continuem a abusar do planeta. Mas Zod também é a favor da eliminação de kryptonianos que considera inferiores, e após um confronto entre ele e Jor-El, o militar e seus seguidores são enviados a uma nave-prisão.

Porém, quando Krypton é inevitavelmente destruído, os controles automáticos da nave libertam os prisioneiros, e o grupo sai pelo espaço em busca do filho de seu inimigo e da matriz genética que acreditam estar com o menino e que poderia restaurar a linhagem dos kryptonianos. Todo o prólogo passado no planeta natal do herói é quase um filme dentro do filme, um épico de ficção científica e muita ação com cenários, equipamentos e animais fantásticos. É a primeira vez no cinema (e talvez mesmo nos quadrinhos) que Krypton é mostrado de maneira tão interessante e dinâmica. E a maior surpresa é a representação de Jor-El, que assume o papel do herói destemido que corre tremendos riscos para salvar seu filho e deter Zod.

Paralelo a isso, o bebê Kal-El chega à Terra e é encontrado pelos Kent, Jonathan (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane), que decidem manter segredo sobre a origem do menino, batizado como Clark. À medida que cresce, Clark começa a notar que é dono de estranhos poderes e fica confuso sobre sua identidade. Os pais revelam que ele veio do espaço, e Clark, já adulto (Henry Cavill), resolve sair pelo mundo em uma jornada de autoconhecimento para entender sua origem e seus poderes.


Em suas viagens, realiza grandes feitos para ajudar pessoas em perigo e via ao Ártico quando descobre que uma possível nave alienígena foi encontrada sob o gelo pelos militares. A descoberta também é investigada pela jornalista Lois Lane (Amy Adams), que numa noite percebe um homem que anda sozinho pelas paisagens e o segue. Lois acaba testemunhando o primeiro contato de Clark com essa nave deixada pelos kryptonianos na Terra e é salva por ele quando entra em contato com o sistema de segurança do veículo.

A jornalista tenta publicar a reportagem sobre o estranho que a salva, mas não consegue dados suficientes para convencer seu editor Perry White (Laurence Fishburne). Obcecada pelo assunto, Lois continua suas pesquisas para descobrir o paradeiro e a história de seu misterioso salvador.

Após anos no espaço, Zod descobre que Kal-El está na Terra. Logo, o General e seus seguidores, entre os quais a cruel Faora, chegam ao nosso planeta e lançam um ultimato a todo o planeta, exigindo que Kal-El seja entregue a ele - há inclusive uma versão da mensagem em português - ou ele lançará um ataque de grandes proporções.


A essa altura, o rapaz já entrou em contato com um holograma de seu pai e descobriu tudo sobre sua herança e história pregressa. Ciente da tensão enfrentada pelo mundo frente à ameaça de Zod, Kal-El veste um traje kryptoniano de batalha e deixa-se prender pelo exército terrestre para mostrar que está do lado da humanidade. Os militares chegam à conclusão de que a melhor opção é que o rapaz se entregue a Zod.

Kal-El concorda e logo é aprisionado na nave do tirano, que tem sobre ele o efeito da famosa kryptonita, já que a atmosfera interna reproduz as condições de seu planeta natal, tirando seus poderes. Na nave, o herói finalmente descobre a verdadeira intenção de Zod, algo que poderá causar a extinção da humanidade. A partir daí, começa um confronto devastador do Homem de Aço contra os invasores kryptonianos.

Por Mauricio Muniz, 
com colaboração de 
Eduardo Marchiori e Gustavo Vicola

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #44 - Junho de 2013 - Editora Europa.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ETERNO PROFESSOR

Joe Kubert era um dos poucos representantes ainda vivos da Era de Ouro dos quadrinhos e foi responsável pelo surgimento de vários artistas

Por Gustavo Vícola

Muitos quadrinhistas se destacaram nos últimos 70 anos, mas poucos foram tão influentes quanto Joseph "Joe" Kubert, falecido em agosto. Afinal, além de contribuir para o sucesso de inúmeras HQs, foi dono de um estilo admirado por vários profissionais e perpetuado em sua própria escola de arte.

Nascido em 1926, iniciou cedo na carreira, por volta dos 11 anos como aprendiz no MLJ Studios. No final da década de 30. Já desenhava para várias editoras e logo teve sua grande oportunidade: a All-American Publications, para a qual trabalhava em 1944, foi absorvida pelo grupo que deu origem à DC Comics e, aos 18 anos, viu-se na maior produtora de quadrinhos da época.

Our Army At War (1952) 83-A
Comic Book by DC
Jun 1959

Apesar de um breve hiato - pois serviu na Guerra da Coreia e atuou como editor na St. John Publications -, ficou na DC pela maior parte de sua carreira e trabalhou com personagens como Flash e Gavião Negro. Mas destacou-se de fato nas HQs de guerra em parceria com o roteirista e editor Robert Kanigher, com quem criou o Sargento Rock. O herói estreou em Our Army at War 81, de 1959, curiosamente não desenhado por Kubert. O artista e o soldado se encontrariam somente na edição 83 e a partir de então o nome de ambos sempre estaria relacionado.

Tarzan (1972) 212-A
Comic Book by DC
Sep 1972

Nas duas décadas seguintes, desenhou várias capas e séries de super-heróis e se tornou diretor de arte da DC. Foi responsável ainda pela série Tarzan, na qual adaptou alguns dos livros escritos pelo criador do personagem, Edgar Rice Burroughs, outro acerto de sua carreira. Só a partir de 1976, foi obrigado a diminuir seu ritmo de produção quando realizou um antigo sonho: criar a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art, uma escola de arte especializada em quadrinhos. Com ela, influenciou e ensinou vários artistas, entre os quais alguns nome importantes da atualidade como Rags Morales (Action Comics), Scott Kolins (The Flash) e Tom Mandrake (Batman), além de dois de seus cinco filhos: Adam (1602) e Andy Kubert (Wolverine: Origem).

Apesar da grande dedicação a sua escola, Kubert não se afastou por completo das HQs. Continuou a desenhar o Sargento Rock e Tarzan na década de 1970, fez tiras para jornais nos anos de 1980 - entre eles Terry e os Piratas, série que era fã quando garoto -, e trabalhou com várias empresas como a Marvel e a Dark Horse nos anos de 1990. Foi nesta última que lançou Faxes from Sarajevo em 1996, a graphic novel que lhe rendeu os prêmios Eisner e Harvey no ano seguinte como Melhor Álbum Gráfico. Na última década, continuou com capas e pin-ups para outras editoras, mas dedicou a maior parte de seu tempo à DC, na qual finalizou a arte do filho Adam mais de uma vez e desenhou o sargento Rock em outras três ocasiões. Joe Kubert tinha mielomas múltiplos e, apesar disso, desenhou até seus últimos anos de vida. O artista morreu em 12 de agosto aos 85 anos.

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #36 - Agosto/Setembro de 2012 - Editora Europa.

MASCARADOS EM ANÁLISE


Escrita pelo quadrinhista Grant Morrison, o livro Superdeuses é uma boa referência para quem deseja conhecer a história dos super-heróis

Por Gustavo Vícola

São poucos os livros sobre quadrinhos escritos por roteiristas dessa área, e ainda mais raras as obras que ganham versão em português. Por esse motivo, Superdeuses, do escocês Grant Morrison (Arkham Asylum e All Star Superman), merece atenção. Publicada no Brasil pela Seoman, o selo de cultura pop da editora Pensamento, a obra apresenta uma análise aprofundada sobre os heróis e a publicação do gênero ao longo de seus 70 anos de existência.

Na obra, Morrison traça um paralelo entre a sociedade norte-americana de cada época e o surgimento das HQs de super-heróis. Desse modo, esclarece como alguns personagens, revistas e editoras tiveram sucesso enquanto outras, bastante semelhantes, não.

Entre os fatos abordados, há, por exemplo, a explicação de como a economia arruinada dos Estados Unidos na década de 1930 contribuiu para o surgimento do gênero e de que maneira a euforia pós-Guerra quase acabou com as publicações dos heróis nos anos 1990.

Segundo o editor Adílson Silva Ramachandra, a publicação do livro no Brasil foi motivada pelo crescimento de leitores que são apresentados aos super-heróis pelo cinema e chegam às HQs com pouco conhecimento sobre eles. "É um livro para os novatos conhecerem o universo dos super-heróis quanto para os fãs antigos aprofundarem-se no assunto", disse Ramachandra à Mundo. O material é enriquecido com detalhes autobiográficos do processo criativo e da vida de Morrison.


Logo que foi divulgada na internet, a capa da versão brasileira de Superdeuses foi alvo de muitas críticas - os fãs consideraram a arte muito pobre. Ramachandra explicou que não foi possível usar a imagem da obra original devido ao alto valor dos direitos autorais. "Não era a capa que desejamos no início, então tentamos criar uma alternativa".

Quem não se importar com a capa nacional pode ter uma bela surpresa com o conteúdo. A tradução do jornalista Érico Assis, do site Omelete, é muito fiel à obra de Morrison e vai além: devido a seu bom conhecimento de quadrinhos, o tradutor teve o cuidado de adaptar os nomes dos personagens conforme o padrão dos gibis brasileiros. Superdeuses está à venda nas livrarias, tem 500 páginas e custa R$ 59,90.

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #37 - Outubro de 2012 - Editora Europa.