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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Os cabalistas acreditam em Deus?


SIM, mas é um Deus um pouco diferente daquele com o qual estamos acostumados. Dentro das religiões tradicionais, Deus é visto como um ser onipotente, criador de todas as coisas. A cabala tem outra visão: Deus, que eles preferem chamar de Ein Sof, ou Deus-Infinito, não tem corpo ou forma, e nem pode ser pensado de maneira separada do Universo. Quer dizer; não existe Criador e Criação: a Criação faz parte de Deus. Segundo uma das correntes cabalísticas mais difundidas, a luriânica, o Universo teria surgido da seguinte forma: em algum momento, Deus-Infinito decidiu criar o mundo. Para isso, teve que se contrair, abrindo mão de um espaço dentro de si mesmo. Nesse vácuo, ele teria lançado um raio de luz, que se partiu. Boa parte dele voltou para a fonte; o restante caiu como centelhas, que ficaram presas no mundo material - são os seres humanos, que passam toda a sua vida tentando retornar à luz divina.

Fonte: Especial Cabala edição #281-A
pág. 7

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

CABALA É RELIGIÃO?


NÃO. Mas tem tudo a ver com religião. Explica-se: a cabala é uma leitura mística das tradições do judaísmo. Quer dizer, todos os ensinamentos e postulados estão diretamente ligados à tradição judaica. Segundo os cabalistas, a Torá (a bíblia hebraica) traria ensinamentos ocultos, que seriam uma revelação de Deus sobre os segredos da Criação e do Universo. Mas, para devendá-los, é necessário fazer uma nova leitura do texto sagrado, usando técnicas sofisticadas como a guematria (que combina letras hebraicas e números). Com base nessa interpretação, surgiria uma nova sabedoria, com regras e textos próprios: a cabala, que tem como livros sagrados o Zohar e o Sefer Yitizirah. Mas até que ponto é possível separar a cabala do judaísmo? O assunto é polêmico. Alguns estudiosos consideram um perigo estudar a cabala de forma independente, desvinculada da religião judaica. "Se você estuda cabala sem antes conhecer o bê-á-bá do judaísmo, corre o risco de perder o principal", diz Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista. Já os cabalistas mais modernos acreditam que não é preciso ter contato com as tradições judaicas para entender os princípios básicos. "Desde o início, a cabala sempre foi pensada como sabedoria, não como religião", diz o rabino Yehuda Berg, diretor do Kabbalah Centre International. "Qualquer um pode estudar, seja qual for o seu credo."

Fonte: Especial Cabala edição #281-A
pág. 6