quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Como O Leitor roubou o lugar de O Cavaleiro das Trevas?

Quando o anúncio dos indicados para melhor filme foi ao ar, na quinta-feira, dia 22 de janeiro, todos esperavam uma lista de indicados que daria um ar mais popular à maior festa do cinema americano. Afinal, desde O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei que um fenômeno de bilheteria e crítica não tinha chance de concorrer à estatueta e, por consequência, chamar mais audiência e ligar a cerimônia com uma nova geração de cinéfilos. As listas de sindicatos e jornalistas apontavam que 2009 seria diferente. Mas não foi o que aconteceu. Seguindo uma tradição que parecia extinta (ou adormecida) no novo século, a Academia deu um passo atrás, preferindo surpreender com a inclusão de O Leitor, drama de Stephen Daldry, ao lado de Quem Quer Ser Um Milionário?, de Danny Boyle; Milk – A Voz da Igualdade, de Gus Van Sant; Frost/Nixon, de Ron Howard; e O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher.

Mas a surpresa poderia ser menor ao desvendar os bastidores do filme. A começar pelo homem por trás do estúdio: Harvey Weinstein. Conhecido por suas atitudes agressivas em relação a premiação, o chefe da Weinstein Co. estava longe do Oscar desde que a sua Miramax foi apossada pela Disney. O sujeito que conseguiu liderar Shakespeare Apaixonado na vitória considerada absurda até hoje sobre O Resgate do Soldado Ryan em 1999, parecia ter perdido a vontade de retornar ao posto de lobista número 1 de Hollywood. O Leitor provou que não. Genial em suas campanhas, Harvey não poupou em seus discursos a lembrança que o longa era uma produção dois importantes diretores falecidos recentemente, Anthony Minghella e Sydney Pollack. Ressaltou os problemas das filmagens, com a saída de Nicole Kidman do papel principal (substituída brilhantemente por Kate Winslet), mulher acusada de ter matado 300 judeus na “Marcha da Morte”, durante a Segunda Guerra, e o desdobramento de Daldry para equilibrar o trabalho com seu musical em cartaz em Londres. Somando tudo isso a um tema (nazismo) que a Academia dificilmente deixa passar (até Um Ato de Liberdade, estrelado por Daniel Craig, foi lembrado), o caminho estava pavimentado para O Leitor. Uma dica para Christopher Nolan para o terceiro Batman: coloca o Homem-Morcego na Segunda Grande Guerra, matando nazistas, salvando crianças e depois ficando tetraplégico por causa do feito. Oscar fácil.



Fonte: SET (Fevereiro, 2009 - Ed. 260 - Ano 22)