terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Heath Ledger será consagrado como o maior vilão do cinema?

O Oscar póstumo só foi entregue uma vez na história e foi para Peter Finch, indicado como melhor ator por Rede de Intrigas. Trinta e dois anos depois, a Academia pode repetir o gesto e premiar o australiano Heath Ledger como melhor ator coadjuvante por seu trabalho em Batman – O Cavaleiro das Trevas. Se um desastre não tomar conta da noite, a entrega da estatueta para o ator (provavelmente representado pelo diretor Christopher Nolan), morto em janeiro de 2008 devido a uma overdose de drogas legais, não só representará a consagração de um jovem astro, como o batismo oficial que o seu Coringa precisava para se tornar o maior vilão da história do cinema.

Pode parecer exagero, mas não é. Hannibal Lecter poderia reclamar que já tem um Oscar de melhor ator, mas o personagem não fez parte de um fenômeno pop de proporções gigantescas. Não há como negar que o ingrediente trágico também influenciou para o Cavaleiro das Trevas se tornar a segunda maior bilheteria do cinema nos Estados Unidos, perdendo por 60 milhões de dólares para Titanic; e a quarta no mundo, atrás de Titanic, O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei e Piratas do Caribe: O Baú da Morte. Se o relançamento da produção estiver funcionando, há a chance de Batman e Coringa ultrapassarem a marca do bilhão de dólares. Se dinheiro não é tudo, o Coringa de Ledger tornou-se um símbolo e foi adotado pela geração digital – quem não tinha um amigo mala do escritório com a foto do MSN rabiscada com olhos esbugalhados e um sorriso branco?

A única peça que falta se encaixar na consagração total de Heath Ledger é o Oscar – que poderia ter acontecido há três anos com seu caubói gay de O Segredo de Brokeback Mountain. O ator já conquistou o Globo de Ouro, associações de críticos e, no fechamento desta edição, concorria ao BAFTA, o Oscar inglês, e ao Sindicato de Atores – sempre como favorito. Alguns alegam que a emoção da perda de um jovem promissor está atingindo os defensores do vilão. Pensamento mesquinho. Nenhum outro personagem em 2008 foi tão imitado e gerou tantas frases na cultura pop quanto o Coringa de Ledger. Dedicado à interpretações de método, o australiano construiu um assassino carismático e perigoso, caótico e filosófico. Deve ser aplaudido de pé e, dessa forma, quebrar parte do preconceito que a Academia tem contra filmes baseados em quadrinhos e lembrar a todos que nem sempre o filme “mais importante” é o melhor.


Ator coadjuvante por Batman – O Cavaleiro das Trevas


Fonte: SET (Fevereiro, 2009 - Ed. 260 - Ano 22)