quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A MORTE DO SINDICATO DO CRIME / CRISIS ON INFINITE EARTHS 1, páginas 5 a 8

PÉREZ: A princípio, não entendi o que Marv estava fazendo começando pela Terra-3, com personagens que ninguém conhecia. Mas, à medida que ia desenhando, compreendi. Essas eram as versões malignas do Superman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde e o resto - e estavam sendo destruídos em massa. Ao matar tão rapidamente esses personagens que detinham os poderes dos arquétipos do Universo DC, a porta imediatamente se abre para mostrar que qualquer coisa podia acontecer em Crise nas Infinitas Terras.

WOLFMAN: Quis mostrar logo de cara que os heróis da DC eram incapazes de deter essa ameaça. Seus poderes, por maiores que fossem, não eram suficientes. Assim que a Supermulher é destruída, percebemos que há uma boa chance de os heróis não conseguirem se sair muito melhor. Era importante demais começar com um grande impacto e ir num crescendo a partir daí.

PÉREZ: Em poucas páginas, Marv conseguiu criar uma pequena história em que o Sindicato do Crime está morrendo e isso foi o máximo que nos preocupamos com esses personagens.

WOLFMAN: Recebi uma carta maravilhosa de Alan Moore após a primeira edição a respeito disso, de como ele adorou o jeito com que foi mostrada a morte do Sindicato do Crime.

Fonte: Wizard Brasil # 27 - Dezembro de 2005 - Panini Comics.

O QUE ACONTECERIA SE OS X-MEN TIVESSEM PERDIDO NA SAGA INFERNO?

(What If vol. 2 # 6; no Brasil, X-Men # 51, Abril)

What If...? 6-A
Comic Book by Marvel
Nov 1989

Equipe de criação: Danny Fingeroth (roteiro) Ron Lim (desenhos)

A história: Você acha que Wolverine se voltar para o lado do mal é ruim o bastante? Espere só até vê-lo se aliando a uma horda de demônios para dominar o planeta.

No megacrossover Inferno, do final dos anos 80, os X-Men e o X-Factor se unem para derrotar a ex-esposa ensandecida de Ciclope, Madelyne Pryor, e a fera demoníaca Sym. Mas nesta aventura alternativa as duas equipes, com exceção de Wolverine, são vencidos pelo poder da dupla maléfica.

Em seguida, Wolvie é transformado numa "mascote" pelos dois e é usado para massacrar milhares de pessoas, escravizando a raça humana e até mesmo se banqueteando com ela - como vemos quando devora um bebê recém-nascido. Isso mesmo: o mutante canadense devorou um bebê, e o Comics Code (o código de autocensura dos quadrinhos americanos) aprovou!

Poucos heróis sobrevivem ao holocausto dos demônios, mas o Dr. Estranho, a Mulher-Hulk, Homem-Aranha, Thor, Tocha Humana e o Capitão América continuam livres para tentar um último contragolpe.

Infelizmente, o Hulk demonizado e Wolverine descobrem o esconderijo do grupo e matam o Aranha, a Mulher-Hulk, o Dr. Estranho e até o poderoso Thor, numa violenta carnificina.

Entretanto, o momento mais chocante acontece quando Wolverine fatia em pedaços sua antiga parceira adolescente Kitty Pryde, numa fúria descontrolada que o leva a retornar à sua humanidade, mesmo que por um breve instante.

Com os heróis indefesos, só há uma força na Terra capaz de combater os demônios que agora infestam o planeta, mas será que a filha de Jean Grey, Rachel Summers, conseguirá controlar a entidade Fênix tempo suficiente para enfrentar o mundo maligno que ela agora habita?

By Mike Cotton

Fonte: Wizard Brasil - Ano 2 - Número 17 - Fevereiro de 2005 - Panini Comics

terça-feira, 5 de novembro de 2013

CRISE NAS INFINITAS TERRAS

Crisis on Infinite Earths 1-A
Comic Book by DC Apr 1985

"The Summoning"

OS COMENTÁRIOS DOS DIRETORES

Wolfman e Pérez revelam como bolaram o paradigma dos modernos crossovers - do final alternativo à morte da "Terra Anã"

Por Ben Morse

Hoje, a menção de Crise nas Infinitas Terras a um fã de quadrinhos de super-heróis evoca um trabalho monumental que mudou para sempre o Universo DC. Há 20 anos, tudo o que os co-criadores da saga, Marv Wolfman e George Pérez, queriam é que sua visão agradasse a uns poucos leitores.

"Naquela época, ninguém sabia que a minissérie ia vender", recorda-se Wolfman a respeito da saga publicada entre 1985 e 86. "Depois de todos os grandes crossovers feitos a partir dele, as pessoas podiam apontá-lo como um exemplo de que esse tipo de história vendia, mas nós não. Iniciamos todo o conceito porque simplesmente acreditávamos nele."

O conceito: recriar o Universo DC para um novo público. Para tanto, a editora pediu a Wolfman que limpasse 50 anos de sua cronologia e reformulasse seu multiverso de personagens e Terras alternativas em uma linha coerente.

Por exemplo, a Liga da Justiça vivia na Terra-1, enquanto a Sociedade da Justiça residia na Terra-2; e estas eram apenas duas das incontáveis realidades que só serviam para confundir os novos leitores.

Para consolidar o Universo DC, Wolfman, ao lado de seu frequente co-conspirador Pérez, planejou uma história ininterrupta de grande amplitude que esteve amarrada a praticamente todos os títulos da editora no decorrer de um ano inteiro.

Crise abriu uma nova fronteira e estabeleceu o padrão para crossovers modernos como House of M e Crise de Identidade. E seu sucesso suplantou até mesmo as expectativas de Wolfman e Pérez. Duas décadas depois, a dupla de criação por trás do sucesso dos Novos Titãs fica surpresa de ainda falar a respeito da saga.

"Para mim, foi apenas uma desculpa para desenhar todo mundo no Universo DC", admite Pérez. "O fato de que estamos aqui, 20 anos depois, ainda falando sobre isso, certamente não é algo com que eu contava."

Fantastic Four (1961) 49-A
Comic Book by Marvel
Apr 1966

"If This be Doomsday" 

"Sempre amei a 'Trilogia de Galactus' em Fantastic Four (vol. 1 48 a 50 - o título original do Quarteto Fantástico), mas sempre me incomodou o fato de que, fora o Quarteto, ninguém apareceu para ajudar", diz Wolfman. "Com Crise, eu queria uma história que tocasse todo mundo em todos os cantos do Universo DC, de heróis a vilões, da aurora ao fim dos tempos."

Às vésperas da publicação de Crise Infinita, uma espécie de sequencia desse épico produzida pela DC, a Wizard reuniu os dois arquitetos para refletirem como foi produzir Crise nas Infinitas Terras.

Crisis on Infinite Earths 1, páginas 2 e 3 / O COMEÇO

WOLFMAN: O que gosto de fazer, e George e eu já fizemos muitas vezes em New Teen Titans (a revista original dos Novos Titãs), é deixar os leitores saberem que a ameaça está bem diante do nariz deles, e não tentar ocultá-la. A ideia não era avançar num crescendo até a Crise, mas que ela já estivesse acontecendo desde o princípio.

Daí, as pessoas se perguntaram: "Ah, meu Deus, se eles estão começando desse jeito, onde isso vai chegar?"

PÉREZ: É, você com certeza não perde tempo com preparativos desnecessários, entra direto na história. O mais fascinante é que, mesmo saltando com os dois pés imediatamente na trama, e com duas edições duplas e sem nenhuma página de anúncio na primeira edição, ainda tínhamos nossas dúvidas se 12 edições seriam suficientes.

WOLFMAN: E lembre-se que originalmente não eram 12 números, eram apenas 10. As edições 11 e 12 iriam contar uma nova história do Universo DC, mas nós precisamos desse números, então A História do Universo DC se tornou um projeto à parte.

PÉREZ: Mesmo quando a DC pediu um 13o. número isso não estava previsto. Tínhamos atingido o ponto de esgotamento total da trama com a edição 12. A essa altura, Marv e eu estávamos cansados de lidar com a natureza política muitas vezes volátil de ter de trabalhar com tantos outros criadores, em vários títulos, para fazer a história funcionar.

Fonte: Wizard Brasil # 27 - Dezembro de 2005 - Panini Comics.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O QUE ACONTECERIA SE O FERA REALMENTE SE TORNASSE UMA FERA?

(What If vol. 1 # 37; no Brasil, Incrível Hulk # 37, Abril)

What If? 37-A
Comic Book by Marvel
Feb 1983

"What If ... The Beast Continued To Mutate?"

Equipe de criação: Alan Weiss (roteiro e desenhos)

A história: O Fera dos X-Men desce um degrau na escala evolucionária numa das mais comoventes histórias alternativas já feitas.

Baseado dos eventos mostrados em Amazing Adventures 11 (inédita no Brasil), a trama começa com o Dr. McCoy tomando uma poção criada por ele mesmo, na tentativa de impedir que chegasse às mãos de espiões industriais.

Contudo, em vez de se tornar o Fera que os fãs aprenderam a amar, McCoy involui para um monstro selvagem azul e peludo, retendo muito pouco de sua inteligência.

Depois de se afastar de seus amigos X-Men ("Não sou seu X-Man, sou meu único homem, diz o insano Fera ao Professor Xavier), McCoy se isola nas matas do Central Park, em Nova Iorque, mas seus antigos companheiros vão ao seu encalço, na esperança de mantê-lo a salvo das autoridades.

Encontrado pelo Anjo, o Fera reage como um cão raivoso e quase liquida o mutante alado, quando uma rajada psíquica de Jean Grey obriga o ex-cientista a recuar. Mas esse não é o seu fim.

Em fuga pelos becos da cidade, ele nocauteia Ciclope e Jean e se prepara para devorar a carne tenra da Garota Marvel. Para sorte dela, o Professor X aparece a tempo e obriga o Fera a se confrontar com o que se tornou.

Lutando para vencer a guerra evolucionária entre sua mente brilhante e o coração da fera, McCoy finalmente encontra forças para falar quando desmaia aos pés de Xavier. "Prr-professor... por favor... não deixe... eu me tornar... isso", balbucia o herói caído. Obrigado a tomar uma decisão impossível, e sem nenhuma maneira de reverter sua transformação, os X-Men tem de decidir o destino final do Fera.

By Mike Cotton

Fonte: Wizard Brasil - Ano 2 - Número 17 - Panini Comics

domingo, 3 de novembro de 2013

Druuna

By Paolo Serpieri

O QUE ACONTECERIA SE O CAPITÃO AMÉRICA TIVESSE SIDO REVIVIDO HOJE?

(What If vol. 1 # 44; no Brasil, Almanaque do Capitão América # 66, Abril)

What If? 44-A
Comic Book by Marvel
Apr 1984

"What If ... Captain America Were Revived Today?"
Cover Art by Bill Sienkiewicz

Equipe de criação: Peter B. Gillis (roteiro) e Sal Buscema (desenhos)

A história: Wolverine e Homem-Aranha podem ter mais popularidade, mas o Capitão América é o coração do Universo Marvel - e esta aventura alternativa prova isso.

Tomando como ponto de partida a revista americana Avengers vol. 1 # 4 (no Brasil, Os Vingadores 2, Bloch, Almanaque do Capitão América # 64 e Origens dos Super-Heróis Marvel # 1, Abril), a trama começa com Namor mudando seu curso sobre os mares árticos ao tentar se esquivar do Gigante, Homem de Ferro, Thor e Vespa, e assim jamais descobrindo o Capitão América aprisionado em animação suspensa próximo à calota polar.

Em vez disso, ele permanece no gelo, e os Vingadores - que nunca foram liderados pelo Sentinela da Liberdade, nem se beneficiaram de sua experiência - se desfazem depois de alguns meses. Os anos passam até que um misterioso zelador (sério!) liberta os substitutos do Capitão e de Bucky dos anos 50 (aprisionados por serem mentalmente instáveis) da animação suspensa, enquanto o verdadeiro herói continuava virando picolé.

O novo Capitão e seu parceiro passam a servir a uma facção ultradireitista e neoconservadora do governo que discrimina minorias, usa os militares para manter Nova Iorque sob controle e obriga todos os cidadãos americanos a usarem carteiras de identidade fornecidas pelo Estado para melhor controlá-los. Naturalmente, uma convulsão social toma conta do país e as minorias se revoltam.

O governo reage silenciando os jornais e confinando o Harlem (bairro negro de Nova Iorque) dentro de um enorme muro de pedra. Nesse momento, o verdadeiro Capitão América é encontrado por um submarino americano e é revivido.

Com seu amado país mais parecendo a Alemanha nazista que combateu na Segunda Guerra Mundial, o Capitão América se une a um bando de heróis (incluindo um Homem-Aranha guerrilheiro e Nick Fury) para dar fim ao plano maluco dos líderes do governo de implantar uma monarquia.

Mas o que temos quando misturamos dois Vingadores estrelados com uma visão disparatada do que a América poderia ser? Exatamente: o Capitão América em ação!

By Mike Cotton

Fonte: Wizard Brasil - Ano 2 - Número 17 - Panini Comics

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A LINHA ABC

(DC/WildStorm, 1999-2004)

Tom Strong 1-A
Comic Book by America's Best Comics
Jun 1999

O mais recente trabalho de Moore, a linha America's Best Comic representou sua última investida no gênero dos super-heróis. Mas, dessa vez, ele preferiu fazer à sua maneira. De aventuras místicas em Promethea a histórias super-científicas em Tom Strong, passando por um drama criminal no estilo Nova York Contra o Crime em Top 10, o autor produziu uma linha de revistas que encheu os olhos dos fãs e deixou os leitores pedindo por mais.

Quando comecei com a linha ABC, estava tentando sintetizar uma série de gibis que, para mim, pareciam ser o que o mercado editorial precisava naquela época. Criei vários personagens que, embora possam ter uma vaga semelhança com super-heróis, não saíram da mesma faixa estreita de influências que eles parecem ter saído.

Eu procurei me inspirar nos heróis dos pulps. Se preferir, retrocedi a fita para um período anterior a Action Comics # 1 (a revista onde estreou o Superman), e procurei imaginar como teria sido se as coisas tivessem seguido um rumo diferente.

O que tentei fazer foi criar uma espécie de Arca de Noé, em que algumas de minhas ideias favoritas estariam protegidas em meio à tempestade que estava então se abatendo sobre a indústria dos quadrinhos.

Agora, essa experiência está chegando ao fim e não conseguimos salvar o universo. Provavelmente, não fizemos nem metade do que pretendíamos. Mesmo assim, estou muito contente. Não tenho a pretensão de dizer que a linha ABC teve algo a ver com a recuperação da indústria de quadrinhos. Tenho certeza de que apareceram vários outros títulos que venderam muito mais e que, provavelmente, atraíram mais pessoas para as bancas. Mas creio que, em termos gerais, contribuímos para melhorar um pouco a qualidade.

Fonte: Wizard Brasil 5 - Fevereiro de 2004.