terça-feira, 3 de março de 2009

Os defeitos do Rato

O Rato fala mais do que a boca e muitas vezes não tem noção do perigo. Ele realmente acha que pode tudo. Como também é muito competitivo, o Rato está constantemente envolvido em ambiente hostil. A sorte dele é que é tão boa praça que todo mundo gosta dele e acaba perdoando sua boca enorme (que ele chama de sinceridade), sua falta de senso (que ele chama de criatividade) e sua falta de lógica (que ele chama de intuição).

Da mesma forma que uma qualidade vira defeito quando mal empregada, o Rato usa sua forma direta e honesta pra perguntar coisas constrangedoras. A pessoa inquirida, surpresa, às vezes é obrigada a mentir, o que deixa o Rato mais irritado ainda. O Rato precisa aprender a controlar sua língua e discernir uma pergunta direta de uma pergunta indelicada. Essa sua mesma característica direta pode fazê-lo um tanto rude também, magoando alguns mais sensíveis, como o Cão ou o Porco, e irritando outros mais perigosos, como o Dragão e o Tigre.


OS IMORTAIS
DA LITERATURA UNIVERSAL

20

Leão Tolstói

ANA KARÊNINA


1971

Título do original:
Ana Karenina


1ª Edição
Agôsto – 1971

Tradução de
João Gaspar Simões

Com licença da Editôra José Aguilar Ltda.
Rio de Janeiro, detentora do “copyright”
Para a língua portuguêsa.© – 1971.

Agradecemos ao Professor Boris Chnaiderman
a assistência, mui gentilmente concedida, para
o aprimoramento ortográfico das obras de
autores russos, publicadas nesta Coleção.
O Editor

Minha é a vingança, e a recompensa.
Deuteronômio, XXVII, 35

PRIMEIRA PARTE

CAPÍTULO I

Tôdas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.
Havia grande confusão em casa dos Oblonski. A espôsa acabava de saber das relações do marido com a preceptora francesa, e comunicara-lhe que não podiam continuar a viver juntos. Durava já há três dias a situação, para tormento não só do casal mas também dos demais membros da família, e da criadagem. Todos, na casa, se davam conta de que não havia mais razão alguma para manter aquêle convívio, sentindo que as pessoas que por acaso se encontrassem numa estalagem teriam talvez mais afinidades entre si. Ela, a espôsa, não saía dos seus aposentos; há três dias que o marido não parava em casa; as crianças corriam de um lado para o outro, como que perdidas; a preceptora inglêsa indispusera-se com a governanta e escrevera a uma amiga pedindo que lhe arranjasse outra colocação; na véspera o cozinheiro abandonara a casa à hora do jantar; o cocheiro e a copeira tinham pedido que lhes fizessem as contas.
No terceiro dia após a altercação, o Príncipe Stiepan Arcádievitch Oblonski – Stiva, como lhe chamavam os íntimos – acordou à hora do costume, ou seja, às 8 da manhã, não no quarto conjugal, mas no escritório, deitado no divã de couro. Revolveu o corpo, gordo e bem tratado, sôbre as molas do divã, como que quisesse adormecer de nôvo, e abraçou-se ao travesseiro, apertando-o contra a face. De repente, porém, sentou-se e abriu os olhos.
“Como? Como era?”, pensou, lembrando-se do sonho que tivera. “Como era aquilo? Ah, já sei! Alábin dava um jantar em Darmstadt; não; não era em Darmstadt, era na América. Sim, no sonho Darmstadt ficava na América. Alábin oferecia um jantar servido em mesas de cristal e as mesas cantavam Il Mio Tesoro! Talvez não fôsse Il Mio Tesoro, mas qualquer coisa melhor, e havia umas garrafinhas, que afinal eram mulheres.”
Os olhos de Stiepan Arcádievitch brilharam alegremente, e, sorrindo, ficou-se a cismar. “Sim, era muito bonito, estava muito bem. E havia muito mais coisas magníficas, mas não podia descrevê-las nem por palavras nem em pensamentos, nem mesmo desperto como estava.” Ao perceber um raio de luz que penetrava por um dos lados da cortina, retirou alegremente os pés do divã, procurando com êles, no chão, as chinelas de couro dourado que a mulher lhe oferecera no ano anterior (presente de aniversário) e, costume seu há nove anos, sem se levantar estendeu o braço para o roupão, geralmente dependurado à cabeceira da cama. Então lembrou-se sùbitamente do motivo por que não dormira no quarto conjugal; o sorriso desapareceu-lhe do rosto, e franziu as sobrancelhas.
- Ai, ai, ai! – queixou-se, ao lembrar-se do que sucedera. De novo se lhe representavam na memória todos os pormenores da disputa com a mulher, a posição insolúvel em que se encontrava e as culpas que tinha, e isto era o que mais o atormentava.
“Não! Não me perdoará, não pode perdoar-me. E o pior é que sou o causador de tudo, embora não seja culpado. Essa a tragédia”, pensava.
- Ai, ai, ai! – repetia, desesperado, ao recordar os momentos mais dolorosos da altercação.
O momento mais desagradável fôra aquêle em que, ao regressar do teatro, alegre e satisfeito, com uma bonita pêra para a mulher, não a encontrou no salão nem no escritório, coisa que o surpreendeu, mas no quarto de dormir, na mão o maldito bilhete que tudo lhe revelara.
Dolly, a mulher sempre diligente, cheia de preocupações e tão limitada, segundo pensava Oblonski, sentara-se com o bilhete na mão e olhava-o num misto de cólera, horror e desalento.
– Que é isto? Que é isto? – perguntou-lhe, mostrando o bilhete.
Ao lembrar o ocorrido, o que mais lhe doía, como sempre acontece, não era o fato em si, mas o modo por que respondera à sua mulher.
Naquele momento sucedeu-lhe o que sucede a qualquer pessoa obrigada a confessar algo vergonhoso. Não soube encontrar expressão adequada à situação. Em vez de ofender-se, negar, justificar-se, pedir perdão ou mesmo mostrar indiferença – qualquer coisa teria sido melhor –, apareceu-lhe de súbito, na fisionomia, involuntàriamente (“Reflexos cerebrais”, pensou Stiepan Arcádievitch, que era dado à fisiologia), o sorriso habitual, bondoso e estúpido. Não podia perdoar-se sorriso tão absurdo. Diante dêsse sorriso Dolly estremeceu, como se sentisse uma dor física, e, com o seu arrebatamento peculiar, rompeu numa torrente de palavras duras, acabando por sair, correndo, do quarto em que estava. Desde então não mais quisera ver o marido.
“Aquele estúpido sorriso é que teve a culpa de tudo. Mas que fazer? Que fazer?”, perguntava-se Stiepan Arcádievitch, sem encontrar resposta.

Págs. 13-14

(749 págs.)


Ana Karênina, romance (1875/77) de Leon Tolstói, um clássico sobre adultério feminino, notável sobretudo pelo seu conteúdo psicológico.

Carnaval - Milênios de folia

O carnaval nasceu na Antiguidade, resistiu à Idade Média e chegou aos tempos atuais com formas diversas, mas com o mesmo fundamento: a suspensão dos estatutos sociais. Paradoxalmente, as tentativas de controle religioso quase sempre se converteram em mais diversão

por Véronique Dumas

A palavra carnaval, do latim carnis levale, significa “retirar a carne”. O sumiço desse item do cardápio representa uma preparação para a quaresma, período dedicado à abstinência, ao jejum e, simbolicamente, ao resguardo do cristão em relação a prazeres mundanos. A quaresma vai da quarta-feira de Cinzas ao domingo de Páscoa, no calendário móvel dos católicos.

Tomou o mundo, entretanto, a interpretação de que os três dias que antecedem o suposto sacrifício do prazer deveriam ser um elogio ao excesso, e não uma preparação ritual do jejum. E isso está ligado às longínquas origens pagãs da folia.

Desde a Antigüidade, festas populares em várias culturas propunham algo muito parecido com o que se vê hoje no Brasil e no mundo: a suspensão momentânea do estatuto social, a inversão de papéis, de sexos e de valores, tudo com data marcada para terminar.

Só muito mais tarde essa catarse popular foi assimilada pelo calendário cristão, operação que resultou mais em fracassos do que em vitórias. No balanço geral, a derrota da religião diante do carnaval é retumbante. O cristianismo, por exemplo, jamais conseguiu esterilizar totalmente os loucos dias anteriores à quaresma, nem mesmo na Idade Média.

Máscaras da liberdade: reputação a salvo na rua ou no salão
Os palhaços apaixonados, afresco, Giovanni Domenico Tiepolo, 1793, Camera dei Pulcinella – Villa Tiepolo, Zianigo


fonte: História Viva.

SUAS OBRAS

Foram suas obras, além da Commedia: Vita Nuova, escrita aos 27 anos, espécie de livro de lembranças, evocando a juventude e poetando o seu amor por Beatriz. São 25 sonetos, 5 canções e uma balada. Um comentário em prosa elucida o leitor acerca das circunstâncias em que os versos foram escritos e do estado da alma do poeta, ao versejar.

Convívio é obra de homem de quarenta anos, trabalhado pelas esperanças, paixões e desenganos. Porém, trata mais de cultura que de política. No entanto, querem-na das mais requintadas obras políticas de longo alcance. Dante teria elegido a cultura para refúgio e consolação das amarguras a que as derrotas e o exílio o submeteram. Trabalhava quase simultaneamente a De Vulgari Eloquentia, Convívio foi composta em vernáculo e desenvolve a tese de ser a cultura elemento necessário e vital. Projetada para 15 livros ou volumes, teve apenas três deles realizados.

De Vulgari Eloquentia, escrito em latim é, contudo, a defesa da linguagem popular – digamos que de uma língua popular comum à península itálica: planejada para quatro volumes, ficou no décimo quarto capítulo do segundo deles. Constitui o primeiro estudo, com pretensão científica, de uma língua moderna.

Monarquia, eminentemente tese política, elaborada para ida à Itália de Henrique VII. Levanta o problema da participação do homem na atividade política, da qual, bem entendida e praticada, dependem o progresso da comunidade e o aperfeiçoamento do indivíduo.

Quaestio de Aqua et Terra, a versão escrita e pouco alongada de aula ministrada pelo poeta em Verona (20.1.1320) sobre a então apaixonante e discutida questão de não poder a água, em lugar algum, superar, em altura, a terra imersa. Os comentadores ressaltam, deste tratado, a dialética precisa, a linguagem escorreita.

Epístolas. Restam treze das cartas, todas em latim, a diferentes destinatários. Guardam interesse pelo que representam como estilo e demonstração de erudição.

Que equipamentos bizarros Batman já tirou do batcinto?

Como o Batman não tem nenhum superpoder, para caçar seus inimigos ele se tornou um mestre em todos os tipos de lutas, estudou criminologia e desenvolveu o raciocínio a ponto de ser considerado o maior detetive do planeta. Além disso, sempre contou com um arsenal de aparatos tecnológicos, quase todos devidamente acondicionados no batcinto.

Em 65 anos de combate ao crime, o Cavaleiro das Trevas já tirou do batcinto (quase) tudo que se possa imaginar: produtos químicos, chaves mestras, kit de primeiros-socorros, rádio, máscara de gás, comunicador, respirador para mergulhos, ácidos, cordas, ganchos para escaladas, lanternas, sinalizadores, gases soníferos e de pimenta, batarangues (bumerangues em forma de morcego) e outras parafernálias.

Agora, como tudo isso cabe nos compartimentos do cinto (sem falar no peso extra desses apetrechos) nenhum roteirista até hoje explicou de maneira convincente.

Batman

Fonte: Coleção 100 Respostas - Super-Heróis (Mundo Estranho) 2004

SPAWN # 2
(abril/1996)
R$ 6,00

História:

QUESTÕES – PARTE II
Argumento & Arte:
Todd McFarlane
Cores:
Steve Oliff & Reuben Rude
Letras:
Gisele Tavares

O “Cirurgião Cardíaco”, assassino misterioso que elimina suas vítimas arrancando delas o coração, volta a atacar em Nova Iorque, deixando a polícia cada vez mais perplexa.

Enquanto a imprensa e a população especulam sobre a autoria dos crimes, Spawn continua vagando pelos becos da cidade, ainda tentando remontar seu passado para poder localizar a esposa.

Ele é abordado por um baixinho gorducho que, além de lhe fazer uma série de ameaças sem sentido, também revela que Spawn é a “Cria do Inferno na Terra”. Spawn despreza as ameaças e dá as costas ao estranho, sem saber que aquele baixinho, aparentemente indefeso, é a monstruosa criatura que anda arrancando corações...

Dedicada a
STEVE DITKO

Pintura de capa por Ken Steacy sobre arte de Todd McFarlane.



Capa original:


Jun 1992
"Questions Part II"
SUPER-HOMEM # 15 (Setembro de 1985)
R$ 8,50
Editora Abril










A HISTÓRIA DE STEVE LOMBARD
(Super-Homem)
Argumento: Cary Bates
Desenhos: Curt Swan
Arte-final: Murphy Anderson
Letras: José Luiz
Cor: Cleusa






















MORTE NO FRIO E NO FOGO
(Legião dos Super-Heróis)
Argumento: Paul Levitz
Desenhos: Keith Giffen
Arte-final: Bruce Patterson
Letras: José Luiz
Cor: C. Tzanno






















INSANIDADE
(Legião dos Super-Heróis)
Argumento: Paul Levitz
Desenhos: Carmine Infantino
Arte-final: Larry Mahlstedt
Letras: José Luiz
Cor: Cleusa






















O SEGREDO DA IDENTIDADE SECRETA
(Clark Kent)






















A AMEAÇA DO OUTRO MUNDO
(Super-Homem versus Solomon Grundy)
Argumento: Gerry Conway
Desenhos: José García López
Arte-final: Bob Oksner
Letras: José Luiz
Cor: C. Tzanno