quinta-feira, 7 de novembro de 2013

DAN DIDIO - O HOMEM DO ANO

O diretor editorial da DC foi o responsável pelas manchetes que colocaram a editora de volta à linha de frente do mercado

Batman (1940) 608-C
Comic Book by DC
Dec 2002

"Hush, Chapter 1 of 12: The Ransom"

Por Richard Ho

Dê uma olhada em algumas das principais manchetes de 2003 no mercado de quadrinhos. "Batman: Silêncio bate recordes de vendas!"; "Greg Rucka assume o título da Mulher-Maravilha"; "Os Novos Titãs retornam com Geoff Johns"; "Jim Lee desenha Superman!"; "Grant Morrison e Jeph Loeb são alguns dos criadores de primeira linha que assinaram contratos de exclusividade!"

Notou um padrão? Isso mesmo - tudo está ligado à DC.

E não é só isso. O domínio da editora nos meios de comunicação começou pouco depois de uma notícia que ninguém deu muita atenção: "Dan Didio assume as rédeas da DC!"

Em meio à crescente batalha entre a DC e a Marvel pela supremacia nas vendas, a notícia mais importante de 2003 foi, indiscutivelmente, o monopólio da indústria pelas mãos da editora de Superman. Quer uma prova? Basta conferir o sucesso sem precedentes de Batman, que ficou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos durante dez meses, e rompeu a marca de 250 mil cópias.

Teen Titans (2003) 1-A
Comic Book by DC
Sep 2003

"Teen Titans" 

"Dan Didio está levantando o universo todo", declarou o roteirista Geoff Johns, artista exclusivo da editora, que escreve as aventuras de Flash, Sociedade da Justiça, Gavião Negro e Novos Titãs. "Hoje, os escritores da DC estão cheios de energia."

Para Didio, as coisas não se resumem a poder, vendas ou negociações contratuais. Trata-se, na verdade, de agarrar uma companhia de grande porte pelas unhas - em meio a um mercado que nos últimos anos tem sido dominado pelo Homem-Aranha, Joe Quesada e pela letra X - e colocá-la de volta no cercado. E foi exatamente o que ele fez, depois de assumir a supervisão editorial do Universo DC, a partir de fevereiro de 2003.

Batman já era um enorme sucesso quando Didio passou pela porta de entrada - mas todos os demais títulos da editora estavam pedindo socorro. Sua estratégia inicial para deter a Marvel? Amarrar os criadores mais badalados da indústria a contratos de exclusividade.

Embora esses acordos tão alardeados possam ser creditados à sua postura pró-ativa e à sua excelente habilidade para recrutar talentos, Didio fechou muitos deles prometendo liberdade criativa para contar grandes histórias - um promessa que os autores levaram bastante a sério.

"A melhor coisa que se pode oferecer para um criador é proteção", insiste Rucka, outro dos contratados exclusivos de Didio. "Queremos ter certeza de que poderemos criar nosso próprio trabalho, e que ele não será sempre submetido aos caprichos das políticas corporativas ou de marketing. E foi isso o que Didio nos ofereceu. Ele é o tipo de líder que uma editora precisa. Tem coragem, esperteza e entusiasmo."

E o resultado tem sido mesmo um grande êxito, com uma produção constante de histórias aclamadas pela crítica e grandes eventos, que mostram que Silêncio foi apenas o começo.

Para manter a locomotiva de Batman a todo vapor, Didio escalou Brian Azzarello e Eduardo Risso - a dupla cujo trabalho ousado em 100 Balas, da Vertigo, tinha tudo a ver com o território do Cavaleiro das Trevas - para assumirem o título depois da saída de Loeb e Lee.

Superman: Birthright 1-A
Comic Book by DC
Sep 2003

"In the Beginning"

Em seguida, o executivo dedicou-se a revitalizar outro ícone da DC: o Homem de Aço. O diretor editorial deu sinal verde para a minissérie Superman: Birthright, na qual o roteirista Mark Waid - aplicou a fórmula de sucesso da série de TV Smallville aos gibis - e suas mudanças criativas se estenderão a toda a linha do personagem, a partir de abril.

Foi esse tipo de postura que trouxe de volta o entusiasmo não apenas com os personagens considerados ícones da editora, mas com toda a galeria DC. "Quando Batman e Superman brilham, todos os outros crescem", concorda Johns. Dos títulos Flash, Mulher-Maravilha e Novos Titãs a Renegados, Losers e Asilo Arkham, antigos favoritos e novos conceitos tem florescido sob o comando de Didio.

"Agradeço a força que ele tem dado", acrescenta Johns. "Didio ajudou muito para que eu me tornasse um roteirista melhor. Adoro quando ele me chama e diz algo do tipo: 'Vamos levantar o Gavião Negro'. Gosto de desafios. Não importa o que façamos, sempre podemos aprender algo. Quando paramos de aprender, os roteiros começam a ficar uma droga."

Naturalmente, nunca vamos ouvir isso da boca de Didio. O modesto diretor não gosta de levar o crédito pela fabulosa ressurreição da DC - principalmente com tantas pessoas talentosas dando-lhe apoio a cada dia que passa. A renovação do Superman teve início quando ele desafiou seus editores a levar o personagem de volta ao topo, mas foram os editores que selecionaram a dedo as equipes criativas que levaram a cabo a tarefa.

Ainda assim, não há como negar que, numa indústria tão sujeita a abalos, Didio provocou uma grande comoção em 2003, aprovando projetos revolucionários e disparando as ações que eclipsaram todo o restante do mundo dos quadrinhos.

"Ele não conhece suas limitações", explica Loeb. "Sendo assim, acredita no impossível. Quando se trabalha com super-heróis, é uma coisa muito saudável para se crer. Em qualquer outro ramo, acho que o teriam prendido numa camisa-de-força."

Podem chamá-lo de louco, ou de "o cara". Mas a Wizard encontrou um epíteto melhor. Nós o chamamos de "Homem do Ano".
Fonte: Wizard Brasil # 5 - Fevereiro de 2004 - Panini Comics.