domingo, 22 de janeiro de 2012

XLVII


DETRÁS DE MIM no ramo quero ver-te,
Pouco a pouco te converteste em fruto.
Não te custou subir das raízes
cantando com tua sílaba de seiva.

E aqui estarás primeiro em flor fragrante,
na estátua de um beijo convertida,
até que o sol e terra, sangue e céu,
te concedam a delícia e a doçura.

No ramo verei tua cabeleira,
teu sinal madurando na folhagem,
acercando as folhas a minha sede,

e tua substância encherá minha boca,
o beijo que subiu da terra
com teu sangue de fruta enamorada.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Meio-Dia

L&PM Pocket
julho de 2011