quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

LI


TEU RISO pertence a uma árvore entreaberta
por um raio, por um relâmpago prateado
que do céu tomba quebrando-se na copa,
partindo em duas a árvore com uma só espada.

Nas terras altas da folhagem com neve apenas
nasce um riso como o teu, bem-amante,
é o riso do ar desatado na altura,
costumes de araucária, bem-amada.

Cordilheirana minha, chillaneja* evidente,
corta com as facas de teu riso a sombra,
a noite, a manhã, o mel do meio-dia,

e que saltem ao céu as aves da folhagem
quando como uma luz esbanjadora
rompe teu riso a árvore da vida.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Meio-Dia

L&PM Pocket
julho de 2011