quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

L


COTAPOS disse que teu riso tomba
como um falcão de alguma brusca torre
e, é verdade, atravessas a folhagem do mundo
com um só relâmpago de tua estirpe celeste

que cai, e corta, e saltam as línguas do orvalho,
as águas do diamante, a luz com suas abelhas
e ali onde vivia com sua barba o silêncio
rebentam as granadas do sol e as estrelas,

vem abaixo o céu com a noite sombria,
ardem à lua cheia, sinos e cravos,
e correm os cavalos dos talabarteiros*,

porque tu sendo tão pequeninha como és,
do teu meteoro deixas cair o riso
eletrizando o nome da natureza.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Meio-Dia

L&PM Pocket
julho de 2011