terça-feira, 17 de janeiro de 2012

XLII


RADIANTES dias balançados pela água marinha,
concentrados como o interior de uma pedra amarela
cujo explendor de mel não derrubou a desordem:
preservou sua pureza de retângulo.

Crepita, sim, a hora como fogo ou abelhas
e é verde a tarefa de submergir em folhas,
até que para a altura é a folhagem
um mundo cintilante que se apaga e sussura.

Sede de fogo, abrasadora multidão do estio
que constrói um Éden com algumas quantas folhas,
porque a terra de rosto escuro não quer sofrimentos,

mas frescor ou fogo, água ou pão para todos,
e nada deverá dividir os homens
senão o sol ou a noite, a lua ou as espigas.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Meio-Dia

L&PM Pocket
julho de 2011