quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sandman

Sandman (1989) 1-A
Comic Book by Vertigo, Jan 1989


Prefácio para a edição brasileira

Os brasileiros foram os primeiros a descobrir Sandman e o encontraram quase imediatamente. Além disso, desde o início, os editores brasileiros sempre tentaram adicionar alguma coisa especial ou extra ao que as pessoas estavam recebendo. (Eu tenho um pôster brasileiro de Sandman emoldurado ao lado da minha banheira.) Mas, acima de tudo, os leitores brasileiros pareciam responder a Sandman e desfrutar do que eu escrevia com o entusiasmo e o deleite que, para mim, sempre caracterizaram o Brasil.

No Brasil, vi pessoas interpretando o duelo de Morpheus com o demônio Choronzon num palco. (Mais tarde, subi ao mesmo palco para responder a perguntas e, quando terminei, passei pela experiência desconcertante de perceber que toda a audiência avançava em minha direção, enquanto um segurança me pegava e me passava a outro segurança, que me empurrou para a luz do sol e fechou a porta nas minhas costas. O dia continuava como se nada tivesse acontecido, como que por mágica).

Em minha última visita ao país, estive em uma noite de autógrafos - para Sandman: Os Caçadores de Sonhos - à qual compareceram 1.200 pessoas (a livraria pediu aos últimos 500 que fossem embora, mas eles não foram, então distribuí autógrafos a eles também), e fui para a Argentina no dia seguinte, completamente sem voz.

Eu amo o Brasil. Eu amo os brasileiros. Suspeito que uma das razões pelas quais Sandman tem sido tão popular no Brasil ao longo dos anos é que os brasileiros compreendem a confluência - eles entendem que muitas correntes de arte e cultura e de crença podem se unir e criar algo vivo e vital. Sandman sempre teve tudo a ver com confluência. Tudo no que você sempre acreditou é verdade, em Sandman, porque você acreditou. Os sonhos importam.

Os sonhos sempre importam.

Fico feliz que esteja lendo este livro. Espero que goste, que seja o início de uma longa jornada para você e que o torne, ainda que seja só um pouco, diferente de quando você iniciou.

Eu sinto falta da mágica do Brasil, do entusiasmo e da compreensão de seu povo. Então, pense neste livro como uma carta minha para você.

Neil Gaiman