domingo, 6 de novembro de 2011

Um giro pelo mundo

Elis voltou de sua primeira turnê de dois meses por Lisboa e Luanda em 1966 para lançar seu segundo álbum da fase madura. Em Elis, o disco daquele ano, já havia sinais da intérprete que viria a se tornar exuberante na próxima década, não só na técnica, emoção, timbre e afinação, mas principalmente na sabedoria em escolher repertório.

Naquele ano defendeu três músicas diferentes nos festivais da TV Record e da TV Rio, e lançou mais dois volumes do 2 na Bossa, um indo na direção da nova geração de Chico Buarque e Gilberto Gil no repertório, e outro engatando marcha a ré no tempo com um pot-pourri romântico que incluía canções de Roberto Menescal com o galã e seu ex-diretor no Beco das Garrafas, Ronaldo Bóscoli - com quem se casaria.

A artista termina 1966 com um show vibrante na boate Zum-Zum, no Rio de Janeiro, acompanhada por Baden Powell, o violão deste e composições inacreditáveis.

Como todos os novos intépretes de sua geração, em 1967 Elis seguia competindo em festivais. "O Cantador", de Dori Caymmi e Nelson Motta, foi para a finalíssima do III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record e a própria Elis levou o título de Melhor Intérprete. No mesmo ano, a artista lançou com grande repercussão nacional o compacto de "Upa, Neguinho", da parceria Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, e outro compacto, com menos visibilidade, tinha "Travessia", que Milton Nascimento eternizara no mesmo ano.

Fonte da imagem: Té la mà Maria - Reus


Ainda em 1967, Elis viaja para a feira musical Midem, apresentando-se em várias TVs europeias para, em 6 de março, estrear acompanhada pelo Bossa Jazz Trio no Olympia de Paris, bisando a temporada no final daquele ano. No Brasil, venceu a primeira Bienal do Samba com "Lapinha", de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, e integrou o júri internacional do III Festival Internacional da Canção da TV Globo, que deu a vitória a "Sábia", de Tom e Chico.

Em meados daquele 1968 de tantos acontecimentos, Elis foi a Londres gravar com o maestro inglês Peter Knight o disco Elis Regina in London, que só seria lançado no Brasil em 1972. Engatou registrando com o gaitista belga Toots Thielemans o LP Aquarela do Brasil, e ainda teve fôlego para lançar o brasuca Elis, Como & Porque, no qual, sobre a base moderna da combinação do piano de Antonio Adolfo e do agora guitarrista Roberto Menescal, revoluciona com coragem e talento ao dividir a faixa de abertura com um medley de "Aquarela do Brasil" e "Nega do Cabelo Duro", de Ary Barroso e da parceria de Rubens Soares e David Nasser. Isso sem falar em "O Barquinho", de Menescal e Bôscoli, navegando em águas jazzies e Baía de Guanabara.

Os sete fôlegos da Pimentinha - como o poeta Vinicius de Moraes a apelidara - ainda permitiram o show Elis com Miele & Bôscoli no Teatro da Praia, no Rio de Janeiro, que viraria disco no ano seguinte, e um compacto em dueto com o Rei do Futebol, que se preparava para o triunfo canarinho de 1970. "Vexamão" e "Perdão Não Tem", ambas de autoria do craque, estão registradas em Tabelinha Pelé e Elis.

Fonte da imagem: Té la mà Maria - Reus