domingo, 25 de dezembro de 2011

XIX


ENQUANTO a magna espuma de Ilha Negra,
o sal azul, o sol nas ondas te molham,
eu contemplo os trabalhos da vespa
empenhada no mel de seu universo,

Vai e vem equilibrando seu reto e ruivo vôo
como se deslizasse de um arame invisível
a elegância do baile, a sede de sua cintura,
e os assassinatos do ferrão maligno.

De petróleo e laranja é seu arco-íris,
busca como um avião entre a erva
com um rumor de espiga, voa, desaparece,

enquanto tu sais do mar, nua,
e regressas ao mundo cheia de sal e sol,
reverberante estátua e espada da areia.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011