domingo, 19 de fevereiro de 2012

LXXV


ESTA é a casa, o mar e a bandeira.
Errávamos por outros longos muros.
Não achávamos a porta nem o som
desde a ausência como desde mortos.

E ao fim a casa abre seu silêncio,
entramos a pisar o abandono,
os momentos mortos, o adeus vazio,
a água que chorou no encanamento.

Chorou, chorou a casa noite e dia,
gemeu com as aranhas*, entreaberta,
se desgastou desde seus olhos negros,

e agora de repente a revolvemos viva,
a povoamos e não nos reconhece:
tem que florescer, e não se acorda.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Tarde

L&PM Pocket
julho de 2011