sexta-feira, 16 de março de 2012

O QUE QUER O SENHOR DAS REDES - 2


Com 800 milhões de usuários em seu Facebook, o americano Mark Zuckerberg é o homem mais poderoso da internet. Há alguns dias ele mudou as regras da sua rede social. Saiba como tirar proveito delas

JADYR PAVÃO E RAFAEL SBARAI


Quando as novidades do Facebook estiverem todas implantadas, o usuário daquela rede social poderá facilmente construir, em um espaço chamado Linha do Tempo, sua própria biografia, com textos e imagens. Para Zuckerberg e o time de engenheiros que dão vida ao serviço a partir de Palo Alto, na Califórnia, é a oportunidade de realizar um objetivo grandioso: transformar o Facebook, em uma espécie de internet dentro da internet. Será um ambiente em que usuários encontrarão tudo o que procuram - amigos, informações, emprego, produtos, recomendações, diversão.

A ascensão do Facebook pode significar uma profunda transformação na internet - a passagem definitiva da era das buscas para a era social. O surgimento do Google na década de 90, com seu genial mecanismo de consulta, permitiu organizar o acesso à míriade de informações esparsas do mundo virtual. Para realizar sua tarefa, o Google usa cálculos matemáticos que levam em conta dezenas de fatores para indicar quais páginas são mais relevantes para quem faz a busca. O Facebook dá um passo além: são as interações pessoais do usuário - aquilo que seus amigos indicam, curtem, reprovam - que conferem peso a uma informação. É uma mudança tão relevante que até o Google decidiu introduzir o fator humano em suas pesquisas. Criou uma rede social, a Google+, e um botão, o +1, que permite recomendar conteúdos na web. Isso influi no resultado da busca.

O sucesso do Facebook no território ainda em exploração das redes sociais se deve à intransigência com que Zuckerberg e seu time defenderam algumas posições que, com o passar do tempo, se mostraram acertadas, e à rápida correção de equívocos. Entre os acertos está a convicção de que era preciso em primeiro lugar conquistar a confiança do usuário. Desde os primeiros anos, Zuckerberg elegeu como prioridade a estabilidade do sistema - o site jamais pode sair do ar. Ele também aprendeu com os erros do MySpace, ex-rei das redes, comprado pelo magnata Rupert Murdoch em 2005 por 580 milhões de dólares e negociado seis anos depois por menos de 10% daquele valor. Ao contrário do MySpace, o Facebook permitiu que pessoas e empresas desenvolvessem aplicativos de forma independente e os inserissem em seu ambiente. É o caso de jogos com o CityVille, da Zynga, um blockbuster que chegou a contar com 100 milhões de usuários. A correção de rumos mais importante foi assegurar o sigilo dos dados pessoais carregados no site. Em maio do ano passado, o Facebook tornou públicas algumas informações que os usuários, anteriormente, mantinham restritas. Houve gritaria. A rede voltou atrás, evitando um êxodo. O tempo mostrou que os caminhos estavam corretos. Sete anos depois de surgir em um dormitório estudantil da Universidade Harvard, a empresa se prepara para lançar ações na bolsa, o que deve ocorrer no segundo semestre de 2012. O valor estimado: 100 bilhões de dólares. Pode ser a maior oferta pública de ações da história.

Fonte: Veja - Número 40 - edição 2237 - ano 44 - 5 de outubro de 2011
págs. 91-95