sábado, 30 de maio de 2009

Na poesia,

a reação ao primado da razão sustentada pelos neoclássicos, necessidade imperiosa de equilibrá-la organicamente ao sentimento, eclodiu na mitologia pessoal, profética e selvagem de William Blake (1757-1827), pronto a promover O matrimônio do céu e do inferno. Na sua esteira, os românticos, a começar por William Wordsworth (1770-1850) e Samuel T. Coleridge (1772-1834), buscarão casar o impulso construtivo, consciente, e a força do inconsciente a partir de uma aproximação da natureza, plataforma que alça o artista ao reino das ideias e à qual ele retorna, dele impregnado. "A poesia é emoção recolhida na tranquilidade", escreveu Wordsworth, afirmação que Coleridge e sua imaginação exaltada corrigiram com elementos de grandiosidade incomum, sobrenatural e sublime, matéria de sua reflexão teórica na Biografia literária e dos versos de A Balada do velho marinheiro. Exaltação que está, também por trás da lenda de Lorde Byron, cuja biografia agitada e atitudes românticas (morreu combatendo os turcos na Grécia) não impediram a reaproximação dos neoclássicos.


William Blake