quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tudo?... Nada?...

Que hei de dizer-te se nada te posso dizer?
Se tudo sabes sem uma palavra em meus lábios...
Se meus olhos toda vez que te encontram
se confessam como um pecador,
e eu não posso evitar que eles falem por mim
e revelem aos teus olhos
meu segredo de amor?...

Que hei de dizer-te? Se nada te posso dizer...
Se devo parecer um incoerente, um tolo...
Se só me resta afinal esse consolo
de em silêncio, me confessar
toda vez que meu olhar
encontra teu olhar...

Há tanta coisa ao redor... Tanto cenário inútil
Ao nosso encontro,
- Encontro só meu,
Pois que afinal nem sei se ao me veres,
me vês,
ao cruzar meu passo com o teu...

Tão complicada esta vida... E como seria simples
amar-te,
tomar-te como uma criança em meus braços,
beijar-te;
(perdoa, amor, estas coisas que penso
e a estas horas tardes, componho...)
- Tomar-te só para mim, e dividir contigo
pedaço por pedaço, inteirinho, este amor,
este sonho...

Chamo sonho a este amor com que me embriago,
amargo pensamento onde apenas é doce
a tua presença,
perdoa, amor: pensar em ti, era a princípio, vago
no começo, nem supus que importante isto fosse,
hoje, pensar em ti já é quase uma doença...

Que hei de dizer-te, afinal, se nada posso esperar...
Se temo que tudo se desmanche...
Receio pronunciar qualquer palavra, a palavra
que seria essa pequena pedra deslocada,
capaz de provocar uma avalanche,
... e sepultar
este sonho, e fazer de tudo...
... nada!