domingo, 25 de janeiro de 2009

Um Conto de Duas Cidades


Um Conto de Duas Cidades
Charles Dickens

Título Original: A Tale of Two Cities
Nacionalidade: Inglesa
Ano de Publicação: 1859


Publicado em folhetins durante os anos de 1858 e 1859, "Um Conto de Duas Cidades" viria mostrar Charles Dickens em sua melhor forma. A obra possui um profundo realismo, demonstrando preocupação com as desigualdades sociais e precisão histórica. Não é a toa que o próprio Dickens considera essa obra como a sua maior e melhor criação.

"Um Conto de Duas Cidades" narra a estória dos Manette, uma família nobre francesa, que como muitas outras, se exilou na Inglaterra antes da Revolução Francesa. Os acontecimentos se desenrolam simultaneamente em Londres e Paris, contando a vida dessa família e as peripécias da Revolução e seus antecedentes, incluindo o sentimento de vingança que se apossou da população pobre da França.

O chefe da família, Doutor Manette, foi um prisioneiro da bastilha por 15 anos durante o reinado de Luís XVI, e isso trouxe sérias conseqüências à sua sanidade mental. Quando finalmente conseguem tirá-lo da prisão, levam-no para a Inglaterra, onde fica morando com a filha. Diante da situação da França durante a Revolução e da prisão de um leal funcionário, Charles, o marido da filha do Doutor Manette, se vê obrigado a ir a França para resgatar esse amigo, mas ele também é preso e fica aguardando processo por traição à pátria (por viver fora do país), o que o pode levar à guilhotina. Com isso toda a família Manette, junto com seus criados e amigos íntimos, é forçada a ir até França para salvar Charles e acaba se defrontando com os horrores da Revolução.

Dickens explora com minúcias o momento histórico que foi a Revolução, a histeria coletiva que se apossou da população francesa, a sede por sangue que todos pareciam demonstrar, o medo, a inconstância psicológica, a naturalidade com que a morte era vista e as dificuldades em se viver em um ambiente assim. Dickens não fala da revolução de forma genérica e nem faz menção a seus líderes ou seu cunho político, ele evidencia a situação social e as conseqüências físicas e atemporais que aquele momento histórico estava trazendo.

"Um Conto de Duas Cidades" é uma obra densa e com forte teor histórico-realista (tem como base o clássico livro "A Revolução Francesa" de Thomas Carlyle). Lendo essa grandiosa obra de Dickens, facilmente se perceberá que os ideais da Revolução: Liberdade, Igualdade e Fraternidade não foram respeitados e a Razão, como tanto proclamavam, foi pouco usada.

Luís Cristóvão
Publicado no Recanto das Letras em 01/09/2008

Fonte: www.recantodasletras.uol.com.br