domingo, 7 de junho de 2009

COLEÇÃO FOLHA
GRANDES ESCRITORES BRASILEIROS

6

RACHEL DE QUEIROZ

Memorial de
Maria Moura

(1993)

2008

Titular dos direitos de edição: NOVA FRONTEIRA S.A.

Para a guerreira Maria Moura, o "não matarás" tornou-se apenas uma questão relativa. Jamais um mandamento soprado pelos céus tingidos de urubus e misérias daqueles sertões do século 19. A obediência e o "sim, senhor", mesmo naquele mundo em que as mulheres nasciam e morriam de cabeças abaixadas, não lhe caíam bem, não ornavam com a personalidade feita de pedra e teimosia.
Maria Moura fincou pé contra todos os mandamentos, fossem das "leis de Deus" ou código implacável dos homens. Rude como a terra em que vivia, enfrentou jagunços e traições. Logo aos 17 anos, depara-se com a mãe morta. Teria cometido suicídio. Cai nas mãos do padrasto, Liberato, que a seduz, torna-se seu amante e lhe toma a propriedade deixada pela família. O mesmo Libertato, sabe-se mais adiante, tirara a vida da mãe.
Sem os pais, sem honra e sem terra, a sertaneja, à frente de um grupo de bandoleiros, vaga pelos sertões, comete atrocidades e vinga-se. Numa luta sem fim, teria que enfrentar ainda os primos, que cobiçam a herança.
Heróica, a trajetória de Maria Moura, neste último e melhor romance de Rachel de Queiroz, é narrada de forma simples e direta, jamais enfadonha.
Muito pelo contrário: com a marca do neo-realismo e com o suspense de folhetim, o livro é emocionante do começo à última página.
Não à toa que, Memorial de Maria Moura foi transformado em uma das minisséries de maior sucesso da Rede Globo. E sabem em quem a escritora se inspirou para contruir a sua heroína? A rainha da Inglaterra, Elizabeth 1a., que reinou de 1558 a 1603.


XICO SÁ
Colunista da Folha
(606 págs.)