domingo, 14 de junho de 2009

Biblioteca FOLHA

JOSEPH CONRAD

A Linha de Sombra

(1917)

2003

Joseph e James Joyce são com frequência citados como os principais escritores do século 20 não premiados com o Nobel de Literatura, apesar de provavelmente o terem merecido mais do que muitos agraciados.
O grande escritor argentino Jorge Luís Borges (que também não ganhou o Nobel) admirava Conrad por enxergar nele a capacidade de criar personagens "próximos do herói da tragédia" em vez de se ocupar, como a maioria dos romancistas, com "as tragédias dos homens". E também porque o fazia sem recorrer a narrativas fantásticas. Seus personagens eram "habitantes do mundo".
O prefácio de A Linha de Sombra era citado por Borges com exemplo de modo de produzir ficcção relevante: "O mundo dos vivos já contém suficientes maravilhas e mistérios sendo como é; maravilhas e mistérios agindo sobre nossas emoções e inteligência de modos tão inexplicáveis que quase justificam a concepção da vida com um estado de encantamento".
Relato de uma experiência pessoal, este livro demonstra por que Conrad tem sido objeto de grande deferência da parte de seus pares (Graham Greene, Henry James, H.G. Wells e Ford Maddox Ford também eram seus fãs e Hitchcock, Ridley Scott e Francis Ford Coppola, entre outros, fizeram filmes inspirados em seus livros).
A Linha de Sombra comprova a competência com que Conrad extraía da realidade profundas reflexões de ordem psicológica e moral, relatadas com sofisticada técnica narrativa e extrema elegância de estilo.

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
Diretor-Adjunto de Redação do Valor

(159 págs.)