sábado, 30 de novembro de 2013

DICIONÁRIO DO MORCEGO TRAZ TUDO E MAIS UM POUCO SOBRE O BATMAN


Você sabe quem é Byron Keith? Ora, o prefeito de Gotham City no seriado de 1966. E "A Esfinge"? Trata-se de uma das traduções que o Charada teve no Brasil. E quem em Camburi/ES o quiosque Batmar é identificado com o símbolo do Morcego? Estas divertidas curiosidades integram os quase 1,5 mil verbetes do completíssimo Dicionário do Morcego, (formato 16 x 23 cm, 276 páginas, R$ 35,00), lançado pela Flama Editorial e à venda em livrarias e gibiterias.

O autor é o jornalista mineiro Silvio Ribas, grande conhecedor do universo do Cavaleiro das Trevas. Na obra, além de falar sobre todas as várias versões da Dupla Dinâmica, os coadjuvantes das HQs, criadores, obras estreladas pelo Morcego, atores que participaram de filmes do herói, desenhos animados, games e muito mais, são levantadas "pérolas" como a do fã pernambucano Edmar de Oliveira, que se vestiu como o herói para pedir votos nas eleições de 1994.

Ribas ainda lista uma série de números (teses em universidades, empresas que usam sua marca, bilheterias no cinema etc.) sobre o Batman, classificado como o mais lucrativo, reproduzido e adaptado produto da indústria do entretenimento em todos os tempos.

Por ser tão abrangente, o Dicionário do Morcego tem tudo para agradar até quem não é iniciado no Cavaleiro das Trevas, além de servir como excelente fonte de referência para pesquisas e trabalhos jornalísticos.

Por Sidney Gusman

WIZARD BRASIL #22 - Julho de 2005 - Panini Comics.

A VOLTA DO CAVALEIRO DAS TREVAS

Por Richard Ho

A Wizard e o diretor Christopher Nolan dão 16 razões por que Batman Begins será um sucesso!

Christian Bale

Os números não mentem: 66 anos de quadrinhos. Quatro filmes anteriores. Oito anos em desenvolvimento. Expectativa infinita. E um filme que faz tudo isso valer a pena. Em junho, os sonhos de milhões de fãs do Morcego se tornarão realidade quando Batman Begins finalmente chegar à tela grande.

Quer mais números? Eis aqui 16 razões - com a aprovação do diretor Christopher Nolan - por que iremos saudar 2005 como o ano que marcou a volta do Cavaleiro das Trevas às telas dos cinemas.

1. CHRISTIAN BALE - O MELHOR BATMAN DE TODOS

Esqueça Keaton, Kilmer e Clooney. Christian Bale é Bruce Wayne, do jeitão de playboy ao físico bem talhado, e até mesmo no detalhe do olhar cheio de fúria - o que faz dele o melhor Batman que já existiu. Não acredita? Basta conferir as atuações intensas dele em filmes como Psicopata Americano, Equilibrium e O Operário para ver personagens que contem tanto a obsessão quanto a eficiência mortal do Homem-Morcego.

"Acho que a coisa mais importante a respeito de Christian é a intensidade de sua concentração, a determinação que Bruce Wayne deve ter para convencer as pessoas de que pode mesmo fazer as coisas que faz sem nenhum superpoder", explica Nolan.

WIZARD BRASIL #21 - Junho de 2005 - Panini Comics.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

BESOURO AZUL / Crisis On Infinite Earths 1, página 18

(N.E.: essa foi a primeira aparição do personagem na DC; a editora havia acabado de adquiri-lo e outros personagens, como o Capitão Átomo e o Questão, da Charlton Comics.)

Mystery Men Comics Vol 1 #7
Fox Comics
February, 1940

WOLFMAN: O Besouro Azul foi um dos personagens mais duradouros da história dos quadrinhos, com sua encarnação original datando do começo dos anos 40. A versão de Steve Ditko que usamos aqui é bastante divertida. Até essa página, a trama vinha sendo pesada, sombria e intensa. Precisávamos quebrar esse clima bem nesse ponto, e o Besouro Azul era perfeito para isso.


PÉREZ: Eu me diverti bastante desenhando um personagem que nunca pensei que fosse fazer profissionalmente. Não estava tão familiarizado assim com os gibis do Besouro Azul, mas usei o trabalho de Ditko com o Homem-Aranha como guia para desenhar essa cena. Afastei meu enfoque para retratar a ação integralmente. É como Fred Astaire costumava coreografar suas danças. Ele sempre insistia para que as câmeras enquadrassem seu corpo inteiro.

WOLFMAN: Vemos seus pés em todas as tomadas, eles nunca eram cortados.

PÉREZ: Na verdade, tive de desenhar uma tomada da sola do pé. Isso era uma marca registrada de Ditko.

WOLFMAN: Com certeza.

Fonte: Wizard Brasil # 27 - Dezembro de 2005 - Panini Comics.

THE WIND RISES - OFFICIAL TRAILER



YouTube: The Wind Rises Official Trailer. A look at the life of Jiro Horikoshi, the man who designed Japanese fighter planes during World War II. Written and Directed by Hayao Miyazaki.

O QUE ACONTECERIA SE O QUARTETO FANTÁSTICO NÃO TIVESSE ADQUIRIDO SUPERPODERES?

(What if vol. 1 #36; no Brasil, Superaventuras Marvel 96, Abril)

What If? 36-A
Comic Book by Marvel
Dec 1982
"What if the Fantastic Four had not Gained Their Powers?"

EQUIPE DE CRIAÇÃO: John Byrne (roteiro e arte)

A HISTÓRIA: O que define um grupo de heróis?

Será a habilidade para se esticarem, ficarem invisíveis, gritarem "Em chamas!" e... bem, você já entendeu onde queremos chegar. Essas questões candentes (perdoe o inevitável trocadilho) e suas respostas não são tão deprimentes quanto se possa pensar.

Escrita e ilustrada por John Byrne, esta história reimagina o gibi seminal Fantastic Four 1 (a primeira aventura do Quarteto Fantástico), criado por Lee e Kirby, com algumas diferenças de monta: a missão espacial exploratória de Reed é um completo sucesso e, como consequência, nenhum deles é bombardeado por raios cósmicos superpoderosos.

Você poderia pensar que essa mudança nos acontecimento levaria Reed, Sue, Johnny e Ben a um estilo de vida mais mundano, em que trabalhariam em horário comercial e sairiam para comer fora aos domingos, mas é aí que se engana!

Embora a vida para nossos quatro amigos tenha se tornado normal (e completamente custeada pelo governo, graças ao êxito de sua viagem espacial), isso não impede que o Toupeira solte sua fera subterrânea no mundo da superfície, como fez antes.

A família heroica forma, então, um esquadrão para investigar o horror subterrâneo. Desta vez, empregam armas laser para matar o monstro, em vez de usar seus poderes para feri-lo. Esta história não apenas mostra que o Toupeira continua o mesmo em qualquer realidade, mas também prova o quanto o Quarteto Fantástico pode ser dinâmico e eficiente como personagens e como equipe - com ou sem moléculas instáveis.

A abordagem de Byrne foge ao convencional, já que são poucas as histórias alternativas em que os personagens não morrem tragicamente ou o planeta não explode! Na verdade, esta aventura curta deixa o leitor com vontade de ver como seria uma versão alternativa de Fantastic Four 2.

Por Chris Ward

WIZARD BRASIL #17 - Fevereiro de 2005 - Panini Comics.


LEGIÃO URBANA - ANGRA DOS REIS

 

TAA 

2611

domingo, 24 de novembro de 2013

COMO FUNCIONA OS ANÉIS DO MANDARIM


Mão direita

Polegar: Matéria - reordena moléculas de forma simples, como transformar uma grande pedra em uma mão rochosa.

Indicador: Força - gera rajadas de impacto, além de vibrações sônicas e ondas magnéticas.

Médio: Vento - cria pequenos tufões, usados para levitar objetos, voar ou como arma.

Anelar: Desintegrador - rajadas de alto poder destrutivo, pode ser acionado a cada 20 min.

Mínimo: Escuridão - gera um campo temporário de escuridão que absorve toda a luz.

Mão esquerda

Polegar: Luz - trabalha com o espectro de luz, de clarões cegantes a raios laser.

Indicador: Fogo - gera de ondas de calor a rajadas de fogo.

Médio: Eletricidade - geração de rajadas elétricas.

Anelar: Mente - controle mental limitado de uma pessoa por vez.

Mínimo: Gelo - cria ondas de frio.

Por André Morelli

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #10 - Maio/Junho de 2008 - Editora Europa.

MAIS UM CANCELAMENTO

The Teen Titans (1966) 53-A
Comic Book by DC
Feb 1978
"In the Beginning..."
Final issue!

Foi em 1978 que a última edição de Teen Titans, a de número 53, chegou às bancas. O fim súbito da revista frustrou os planos do escritor Bob Rozakis, que pretendia dar mais destaque para a Arlequina e criar um triângulo amoroso entre ela, Robin e Bat-Girl. Mas já que o fim era inevitável, Rozakis decidiu fechar sua fase forma diferente: recontando a origem dos Titãs.

Essa nova versão do primeiro encontro dos jovens heróis se passa antes da primeira história do grupo, publicada em The Brave and The Bold 54, e mostra os heróis contra seus tutores, que foram dominados pelo vilão Antítese, um ser de energia de outra dimensão, e começaram a agir de forma criminosa. A história também definiu Ricardito com um dos membros fundadores, fato que foi incorporado desde então à cronologia do grupo.

Falando em cronologia, é interessante notar que quase todos os elementos dessa fase foram revistos após a saga Crise nas Infinitas Terras, que reescreveu a história de todo o universo DC. Pós-Crise, Gnarrk se tornou um homem das cavernas que ficou congelado até os dias de hoje e tinha poderes mentais graças à exposição a um meteorito. Betty Kane nunca foi a Bat-Girl; ao invés disso, era a heroína Labareda, uma tenista que assumiu o uniforme numa tentativa de chamar a atenção de Robin, seu ídolo. Mal Duncan nunca foi o Guardião e sempre agiu como o Arauto. E o Águia Dourada era um herói em busca de fama e fortuna, ao invés do dedicado aliado do Gavião Negro pré-Crise.

Por Antônio Santos

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #12 - Setembro/Outubro de 2008 - Editora Europa.

A FASE DE ANN NOCENTI

Daredevil (1964) 254-A
Comic Book by Marvel
May 1988
"Typhoid!"
First appearance of Typhoid Mary.

Frank Miller teve dois grandes períodos na revista do Demolidor. O último se encerrou com a saga A Queda de Murdock (Daredevil 227 a 233, fevereiro a agosto de 1986), talvez uma das melhores fases do herói.

Com a saída de Miller, nos anos seguintes o Demolidor passou por três autores de destaque: Ann Nocenti, Dan G. Chichester e Karl Kesel.

Nocenti foi responsável por diversas tramas psicológicas e emocionantes, com destaque para a criação da vilã Mary Tyfoid (Mary Walker), uma das paixões bandidas do Demolidor. Foi também no período escrito por Nocenti que o herói teve sua licença de advogado cassada após os eventos de A Queda de Murdock. Com o nome sujo e sem dinheiro, Matt Murdock decidiu advogar clandestinamente sem cobrar por seus serviços na Cozinha do Inferno, o bairro onde morava. Isso até resolver realizar uma viagem de autoconhecimento pelo interior dos Estados Unidos. Nesse período, o herói despertou o interesse do demoníaco Mefisto e de seu filho Coração Negro, por conta do aguçado senso de justiça do herói.

Outro destaque dessa fase foi a eficiente arte de John Romita Jr. que ajudou a elevar as vendas do título. Romita ficou no título da edição 250 (janeiro de 1988) até 282 (julho de 1990).

Por Kildare Ferreira de Almeida

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #13 - Novembro/Dezembro de 2008 - Editora Europa.

PANTERA NEGRA, UM HERÓI DIFERENTE

Fantastic Four (1961) 52-A
Comic Book by Marvel
Jul 1966
"The Black Panther!"
1st Appearance of the Black Panther.

Em julho de 1966, em Fantastic Four 52, Stan Lee e Jack Kirby deram aos quadrinhos algo que estava faltando: um super-herói negro. Claro, heróis negros já haviam aparecido antes nos quadrinhos, mas em grande parte como parceiros cômicos ou em papéis sem importância. Mas o Pantera Negra era diferente.

O herói era o rei T'challa, soberano da supertecnológica nação africana de Wakanda. A princípio ele pareceu ser um inimigo do Quarteto, mas logo mostrou-se um poderoso aliado. Culto e dono de uma inteligência que quase poderia rivalizar à de Reed Richards, o Pantera Negra apareceu em várias histórias do Quarteto ao longo dos anos, tornou-se membro dos Vingadores e, como era praxe, ganhou algumas tentativas de séries próprias.

Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS #14 - Janeiro/Fevereiro de 2009 - Editora Europa.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

TALENTO BRASILEIRO AO QUADRADO

Os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, os autores da série 10 Pãezinhos e que agora estão começando suas carreiras no exterior, contaram à Wizard um pouco de sua trajetória no mercado

Por Sidney Gusman e Levi Trindade

Autobiographix
Dark Horse Comics
2003

Tirando os irmãos Caruso, que trabalham mais com desenho de humor, eles são possivelmente os únicos gêmeos quadrinhistas do planeta. Mas não é isto que faz de Fábio Moon e Gabriel Bá destaques do traço nacional. Fanzineiros, batalhadores e muito talentosos, eles estão entrando no mercado norte-americano por um caminho diferente do habitual: o das histórias autorais.

Recentemente, o álbum Ursula, lançado pela AiT/Planet Lar, recebeu elogios até da revista Variety. Antes disso, estiveram ao lado de Will Eisner e Frank Miller na edição Autobiographix, da Dark Horse.

10 Pãezinhos - Meu Coração, Não Sei Por Que
Editora: Via Lettera
junho de 2001

No Brasil, além de muitos zines, publicaram algumas HQs na Front, da Via Lettera, e dois álbuns da série 10 Pãezinhos - Meu coração, Não sei por que (que nos Estados Unidos foi batizado como Ursula) e O Girassol e a Lua, pela mesma editora. Além disso, lançaram as revistas independentes Feliz aniversário, meu amigo e Rock'N' Roll. E mais: fizeram uma HQ para esta Wizard, na qual "brincam" no mundo dos super-heróis.

Nesta entrevista, Bá e Moon contam que só talento não basta para conseguir o que se almeja. Perseverança é fundamental. Especialmente nos quadrinhos.

Wizard: O que vocês liam na infância, quando decidiram ser quadrinhistas?

Moon: Nós crescemos numa época ótima para os quadrinhos. Eles tinham destaque nas bancas, não ficavam escondidos e se encontrava de super-heróis a Chiclete com Banana.

Nós líamos quase tudo. Muito super-herói e bastante HQ nacional. E a Editora Abril estava começando com as graphic novels que publicavam tanto super-heróis como quadrinhos europeus.

Bá: Naquele tempo, não tínhamos muito senso crítico. Por isso, gostávamos de tudo. Ficávamos admirados tanto com as baixarias do Laerte e do Angeli quanto com o Homem-Aranha do Todd McFarlane.

Vocês são da geração que fez curso de quadrinhos. Há alguma vantagem nisso?

Bá: Não é um curso que vai formar um quadrinhista, é a vontade que a pessoa tem de fazer aquilo. Fizemos um de um mês com o Luiz Gê, loucos pra desenhar super-heróis. Aí, nós pegávamos folhas de papel sulfite dobradas ao meio, colávamos umas bolinhas de contact preto e tínhamos que contar a história da bolinha através das páginas.

Fizemos outro curso de três anos no Estúdio Pinheiros com o Tak (Domingos Takeshita). Não tinha programa, nem ensinava ninguém a desenhar. Os alunos ficavam lá duas tardes por semana lendo revistas, desenhando e discutindo ideias, pensando as histórias e como fazê-las de formas diferentes.

Mas em cursos se conhece mais gente que gosta da mesma coisa que você, e é possível fazer contatos que te ajudarão. Caso contrário, é provável que fique em casa sozinho, desenhando em cima da prancheta, no frio e no escuro da noite, enquanto as outras pessoas estão namorando, jogando futebol ou dormindo.

A profissão de quadrinhista é muito solitária, e devemos aproveitar todas as chances de compartilhar nossa paixão com outras pessoas.

Moon: O importante nas aulas de quadrinhos é ensinar o aluno a pensar sobre a página que ele vai desenhar e a história que vai contar.

continua...

WIZARD BRASIL # 12 - Setembro de 2004 - Panini Comics.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O HOMEM MISTERIOSO

DURANTE TRÊS ANOS, NO FINAL DA DÉCADA DE 60, NENHUM OUTRO DESENHISTA MUDOU TANTO A FACE DOS QUADRINHOS QUANTO JIM STERANKO, MAS SUA INFÂNCIA VIOLENTA E A VIDA COMO ARTISTA DE FUGAS TALVEZ SEJAM TÃO INCRÍVEIS QUANTO SEUS FEITOS NOS QUADRINHOS

Por Todd Casey

Nick Fury, Agent of S.H.I.E.L.D. (1968) 1-A
Comic Book by Marvel
Jun 1968
"Who Is Scorpio?"

Uma brisa suave espalha o cheiro de algodão-doce e pipocas em meio a uma multidão de pessoas que se apertam em volta de uma colossal roda-gigante num parque de diversões a leste da Pensilvânia. Sem que elas saibam, em poucos minutos um homem arriscará a própria vida apenas para lhes proporcionar entretenimento.

Jim Steranko, um adolescente vestido de smoking, desafia a multidão, dizendo que não existe nada - sejam cadeados, cordas, algemas, caixões, caixotes, malas ou correntes - capaz de prendê-lo. Está tão seguro de sua habilidade sobre-humana para escapar, que chega a oferecer mil dólares a quem conseguir prendê-lo, mas o autoconfiante artista não diz de que forma o vencedor poderia apanhar seu prêmio, caso ele morresse.

Noite após noite, Steranko se livrava de grilhões enferrujados, se esquivava de camisas-de-força e esgueirava-se para fora de sacos firmemente amarrados sem ter de entregar os mil dólares.

Nesta noite de verão de 1955, enquanto é iluminado por dois enormes holofotes, ele encara um dos mais difíceis desafios de sua carreira, ao se oferecer como voluntário para ser amarrado em mais de 30 metros de cordas, cheias de laços e nós, em meio às vigas de aço da roda-gigante em movimento.

Ao contrário de suas escapadas anteriores, nunca antes ele havia tentado algo tão arriscado. Embora já tivesse se livrado de cofres, celas de prisão, caixotes atirados no fundo de rios e até mesmo sido enterrado vivo, nada o preparou para o que aconteceria naquele fatídico e inesquecível momento.

As luzes de neon da roda-gigante iluminavam o céu noturno enquanto Steranko lutava para se libertar de seu emaranhado de cordas. Depois de duas voltas, ele se esgueirou por um punhado de nós, deixando as pontas dançando no ar à sua volta enquanto se remexia. Mas na terceira volta o inesperado ocorreu.

As cordas que envolviam seu corpo também o mantinham preso à roda-gigante e, quando vários nós foram desfeitos ao mesmo tempo, ele despencou lá de cima. O som das engrenagens abaixo foi abafado pelos gritos da multidão. Steranko caiu de cerca de cinco metros de altura e atingiu uma das cadeiras do brinquedo, que não estava ali um segundo antes.

Um manto de silêncio recaiu sobre os espectadores - silêncio que Steranko transformou num coro ensurdecedor de aplausos e assobios, quando emergiu da cadeira, com o rosto cortado, os pulsos feridos, o corpo machucado e mil dólares no bolso.

Jim Steranko era capaz de ir até esse ponto para entreter, atitude que reforçaria 20 anos depois, quando ameaçou atirar um funcionário da Marvel de uma janela do décimo andar do prédio da editora, durante uma discussão a respeito de uma sequência silenciosa na revista Nick Fury: Agent of S.H.I.E.L.D.

Steranko começou a desenhar e arte-finalizar os trabalhos de Jack Kirby em
Strange Tales (1951) 151-A
Comic Book by Marvel
Dec 1966
"Umar Strikes!"
featuring Doctor Strange.

Artista nato, Steranko tornou-se um dos cinco nomes mais influentes dos quadrinhos ao revolucionar o gênero com apenas 29 histórias, a maioria delas na Marvel, durante um período de três anos no final da década de 60.

Como um incrível artista de fugas, ele deixou os leitores atordoados com sua estonteante gama de técnicas e estilos jamais vistos antes, incluindo a primeira sequência inteiramente muda, uma inacreditável splash page de quatro páginas, layouts complexos que misturavam ilusões de ótica, mensagens ocultas e até mesmo labirintos. Steranko levou um toque cinemático às suas narrativas, que sacudiram a indústria para sempre - e isso porque os quadrinhos nem sequer eram sua única ocupação.

WIZARD BRASIL # 13 - Outubro de 2004 - Panini Comics.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

WILL EISNER

Spirit by Alex Ross' Official Web Site

EMBORA SEU NOME ESTEJA ETERNAMENTE LIGADO AO SPIRIT, WILL EISNER É CONSIDERADO O BENJAMIN FRANKLIN DOS QUADRINHOS, POR INVENTAR O TERMO GRAPHIC NOVEL, ALÉM DE TER SIDO O PRIMEIRO CRIADOR A SER DONO DE SEU PERSONAGEM E AJUDADO A MOLDAR O SISTEMA DE ESTÚDIOS

Por Mike Cotton

Ele ofereceu ao jovem Joe Kubert o primeiro trabalho na área de quadrinhos: varrer o chão de seu estúdio. Alan Moore afirma que ele "é o principal responsável por dar um cérebro ao gênero". Lendas como Jack Kirby, Lou Fine e Bob Kane iniciaram suas carreiras com ele, desenhando charges e tiras por alguns dólares por dia.

Quando Will Eisner estreou nos quadrinhos, em 1936, mal havia uma "indústria" do gênero, por assim dizer, mas este futuro ícone ainda iria deixar sua marca nela.

Eisner liderou uma revolução nos gibis ao proclamar que "os quadrinhos são uma forma literária válida e uma grande forma de arte", desenvolvendo a moderna graphic novel, que levou a uma evolução no campo das artes sequenciais. Mas não fez apenas isso na vida.

Ele trabalhou para o Pentágono, criando manuais de treinamento para o exército e chegou a voar até o Vietnã, com tiroteios e explosões acontecendo sob seus pés, apenas para sentir o clima do conflito. Também voltou-se para as ruas de Nova Iorque, e chegou a ver pessoas saltando das janelas dos arranha-céus de Manhattan durante a Grande Depressão, enquanto vendia jornais nas ruas abaixo. Provavelmente, foi a única pessoa a dizer não a Stan Lee, rejeitando a oportunidade de assumir o cargo de editor-chefe da Marvel.

Embora seus contemporâneos estivessem aposentados ou mortos, até o fim da vida Eisner, com 87 anos, continuava trabalhando oito horas por dia, cinco dias por semana, em seu estúdio nos arredores de Fort Lauderdale, na Flórida.

No decorrer da vida, fez de tudo. Era uma virtual enciclopédia viva de quadrinhos, com enorme conhecimento da área; o que leva à indagação: por que Hollywood nunca bateu às portas de Will Eisner com maletas cheias de dinheiro vivo na esperança de contar a história de sua vida? Será que Tom Hanks ou Kevin Spacey não disputariam o papel do homem que é unanimemente reconhecido como o mais influente criador a se sentar diante de uma prancheta, e cuja vida foi uma montanha-russa de gêneros tão variados quanto o drama, a ação, o romance e a violência? Isso sem mencionar sua mais conhecida e revolucionária criação - o Spirit.

WIZARD BRASIL # 18 - Março de 2005 - Panini Comics.

EDIOURO LANÇA OBRA DE NEIL GAIMAN

Criaturas da Noite
agosto de 2005
Editora: Ediouro
Licenciador: Dark Horse
Número de páginas: 60
Formato: Americano (17 x 26 cm)

Para os fãs do roteirista inglês Neil Gaiman e de bons quadrinhos vale conferir Criaturas da Noite, lançada pela Ediouro. A edição tem duas histórias publicadas em prosa no livro Fumaça e Espelhos (Via Lettera). Os belos desenhos são de Michael Zulli.

Em O Preço, um gato preto sempre volta ferido para casa e, quando seu dono descobre contra quem o "bichano" está lutando, tem uma terrível surpresa. A Filha das Corujas narra a história de uma menina recém-nascida que, por ter sido abandonada à porta de uma igreja foi considerada amaldiçoada e fechada num convento. Linda, quando completou 16 anos, recebeu a visita de homens da cidade, que não tiveram tempo de se arrepender de seus atos.



Além da qualidade gráfica, merece destaque o trabalho editorial, pelos vários diferenciais em relação à revista original. Frases de autores como Scott McCloud e Allan Sieber sobre Neil Gaiman; prefácio do escritor e dramaturgo Mário Bortolotto; uma caricatura do roteirista assinada pelo ótimo Loredano; a letra da música The Lovecats, do The Cure, e uma citação de Oscar Wilde precedendo cada história; e, na última página, cinco títulos de Gaiman publicados por outras editoras. Um grande serviço ao leitor.

Por Sidney Gusman

WIZARD BRASIL # 24 - Setembro de 2005 - Panini Comics.

PRIMEIROS HERÓIS

Em 1981, Moore deu uma entrevista ao jornal da The Society of Comic Strip Ilustrators em que perguntaram sobre qual projeto ele gostaria de cuidar. Como resposta, ele citou Marvelman (Miracleman), um antigo herói muito popular na Inglaterra. Por coincidência, nessa época o editor Dez Skinn preparava-se para lançar a revista em quadrinhos Warrior e uma de suas intenções era relançar Marvelman, Skinn contatou Moore e convidou-o a participar do projeto.

Miracleman 1-A
Comic Book by Eclipse
Aug 1985

Lançada em março de 1982, a Warrior trazia duas séries criadas por Alan Moore. A primeira, Marvelman (Miracleman), desenhada por Garry Leach e Alan Davis, contava a história de como o jornalista fracassado Mick Moran redescobriu sua identidade de Marvelman e voltou à ativa para enfrentar antigos inimigos.

V For Vendetta 1-A
Comic Book by DC
Sep 1988

Já V de Vingança, desenhada por David Lloyd, era bem diferente e mostrava a Inglaterra como um Estado totalitário no qual apenas um homem misterioso se opunha à opressão. Moore usou a série para comentar tudo de errado que acreditava existir na Inglaterra do começo dos anos 80. O sucesso foi tremendo e, logo, vários editores passaram a oferecer serviços a Moore.

Marvel Super-Heroes (UK) Vol 1 #387
July, 1982

O próximo passo do roteirista foi com o Capitão Bretanha, herói da Marvel UK. A partir da edição 387 da revista Marvel Super-Heroes, datada de julho de 1982, Moore assumiu os roteiros e já revolucionou a vida do herói, matando o personagem para trazê-lo de volta à vida como novos rumos e vilões ensandecidos e assassinos. Ness período, Moore ainda escreveu algumas histórias ocasionais e muito elogiadas para as revistas Star Wars, Doctor Who e Epic Illustraded.

Epic Illustrated 34-A
Comic Book by Epic
Feb 1986

De olho na fama de Moore, em 1983 a revista 2000 AD aprovou duas propostas do escritor para séries regulares na revista: Skizz, desenhada por Jim Baikie, sobre um extraterrestre perdido na Terra; e D.R. & Quinch, ilustrada por Alan Davis, sobre dois arruaceiros espaciais que viviam divertidas aventuras através do tempo e do espaço.

Skizz (part 1) (Alan Moore - Jim Baikie)
2000 AD #308
March 19, 1983

Por Maurício Muniz

MUNDO DOS SUPER-HERÓIS # 4 - Abril/Maio de 2007 - Editora Europa Ltda.

domingo, 17 de novembro de 2013

LIVRO DE NEIL GAIMAN BATE HARRY POTTER


O livro Anansi Boys, escrito pelo inglês Neil Gaiman, o criador da versão mais famosa de Sandman, foi lançado em setembro nas livrarias americanas e já conseguiu um feito e tanto: bater o último volume da saga de Harry Potter, Harry Potter and the Half-Blood Prince, figurando no primeiro lugar na lista dos mais vendidos da revista Publishers Weekly.

Já na terceira reimpressão, com cerca de 165 mil cópias, o livro é a primeira obra cômica de Gaiman. "Finalmente escrevi meu livro cômico. Tinha vontade de fazer um desde que escrevi Belas Maldições, com Terry Pratchett", afirmou o autor ao site Sci Fi Wire.

Mas, segundo ele, trata-se também de um suspense, "com uma história de fantasmas e um pouco de horror. Tentei  colocar um pouquinho de tudo nele. E tem um final que faz as pessoas se sentirem bem. Deuses Americanos (a obra anterior de Gaiman, lançada no Brasil pela Conrad, em 2002) conseguiu um monte de coisas, mas um final feliz não foi uma delas".

A trama do livro gira em torno de "Fat Charlie" Nancy, um workaholic (viciado em trabalho) londrino que certo dia recebe a notícia de que seu pai morreu na Flórida, Estados Unidos. Ao chegar para o funeral, porém, descobre dois fatos que alterarão sua vida para sempre.

Primeiro, seu pai era uma das formas humanas do deus africano Anansi; segundo, Nancy tem um irmão, chamado Aranha, que é dotado de algumas características divinas de seu progenitor. E isso é só o começo.

By Marco Moretti

WIZARD BRASIL # 26 - Novembro de 2005 - Panini Comics.

sábado, 16 de novembro de 2013

VALE A PENA LER DE NOVO (ou pela primeira vez)

UNIVERSO
HQ

Por Sidney Gusman

O tema desta coluna surgiu em meados de dezembro, quando comecei a fazer o listão de tudo de bacana publicado no ano passado, para escolher os melhores (confira a matéria nesta edição). Durante a seleção, notei que uma tendência iniciada em 2004 ganhou ainda mais força: a republicação de obras consagradas.

Maus 

Primeira revista em quadrinhos a ganhar um prêmio Pulitzer. 
Publicado em: junho de 2005 
Editora: Cia. das Letras 
Licenciador: Art Spiegelman 
Número de páginas: 300 
Formato: (16 x 23 cm)

Na lista dos 20 melhores especiais e minisséries, simplesmente metade já havia saído (ao menos parcialmente) no Brasil: Maus, Sandman, Tintim, Planetary, Tom Strong, as histórias de Carl Barks, Sin City, Elektra Assassina, Batman - Ano Um e Marvels! Isso sem contar que ficaram fora da lista Watchmen, as HQs clássicas dos Novos Titãs e Quarteto Fantástico, Top 10, o primeiro arco de 100 Balas, Authority e outros.

Sandman 01 - Prelúdios e Noturnos

Publicado em: junho de 2005
Editora: Conrad
Licenciador: DC (Vertigo)
Categoria: Álbum de Luxo
Gênero: Fantasia
Status: Edição única
Número de páginas: 252
Formato: (19 x 28,5 cm)
Colorido/Capa dura

Até nos títulos de periodicidade regular isso vem acontecendo. Lobo Solitário (de forma incompleta, é verdade), Dragonball e Ken Parker já estiveram em nossas bancas tempos atrás. E vale lembrar que Cavaleiros do Zodíaco, Vagabond e Evangelion já entraram pelo mesmo caminho. E deve vir mais por aí.

Lobo Solitário n° 1
Publicado em: março de 1988
Editora: Cedibra
Licenciador: First
Número de páginas: 100
Formato: Americano (17 x 26 cm)

O assunto chamou tanto a atenção, que já estamos cogitando na redação criar uma categoria à parte para as republicações entre os melhores de 2006.

Mas o que importa mesmo é discutir as razões para tantas republicações. A primeira e mais óbvia é a qualidade inquestionável dessas obras. Prova disso é que todas as editoras que as lançaram tiveram excelentes resultados de vendas (algumas já tiveram até reimpressões) - mesmo quando as edições saíram mais caras, em função do requinte gráfico.

O mercado brasileiro descobriu o que o norte-americano e o europeu sabem há anos: sempre haverá demanda para materiais de qualidade e existe toda uma geração de novos leitores que não teve a chance de acompanhá-los, que só ouvia falar o quanto eram bons. Agora, estão comprovando.

Grandes Clássicos DC n° 3 - Batman Ano Um - Edição Definitiva

Acompanha poster tamanho 52 x 67 cm.
Arte de David Mazzucchelli
Publicado em: julho de 2005
Editora: Panini
Licenciador: DC Comics
Número de páginas: 148
Formato: Americano (17 x 26 cm)

Não estranhe se, em breve, copiarmos o que acontece em mercados mais poderosos, republicando clássicos como O Cavaleiro Trevas, Watchmen, Corto Maltese, Asterix etc, a cada década (ou em intervalos mais curtos até). Por serem atualíssimos, esses títulos sempre serão garantia de retorno financeiro. Basta verificar que dois dos melhores lançamentos do ano passado já tiveram quatro edições no Brasil, em menos de 20 anos: Sandman e Batman - Ano Um. E continuam fazendo sucesso.

Agora, se por um lado essa demanda tem todo o lado positivo de apresentar essas obras a novos fãs, por outro escancara algo que está evidente há anos: a crise criativa que atinge os quadrinhos no mundo todo - alguns creem que foi esta a razão para o êxito dos mangás. E não porque as HQs japonesas são todas brilhantemente escritas, mas pelo fato de terem começo, meio e fim, serem sempre de um único autor e "enrolarem" menos.

No mercado que é mais próximo do leitor brasileiro, o de super-heróis, isso é ainda mais evidenciado. Atualmente, sempre que se fala de uma história bem engendrada (note que não escrevi "brilhante"), ela é quase sempre é assinada por Brian Michael Bendis, Mark Millar, Garth Ennis, Grant Morrison, Geoff Johns, Mark Waid, Kurt Busiek ou algum autor "importado" de outras mídias, como cinema, TV e literatura.

Claro que as razões para isso renderiam páginas de discussão, pois vão do fast-food que se tornou a indústria dos comics, entupindo o mercado com títulos muitas vezes questionáveis (leia-se ruins) apenas para "ocupar espaço", à pura e simples falta de talento de alguns escritores.

E uma mudança desse quadro passa por uma reestruturação radical da forma como as editoras norte-americanas enxergam o negócio quadrinhos. E todos nós sabemos que isso é uma utopia das grandes.

Por isso, não é à toa que Marvel e DC se engalfinham para garantir contratos de exclusividade com alguns dos autores acima citados. Afinal, hoje, eles são as únicas garantias de que, daqui a 20 anos, o time dos títulos que merecem ser republicados periodicamente ganhe alguns novos integrantes.

WIZARD BRASIL # 28 - Janeiro de 2006 - Panini Comics.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

KEEP WALKIN', SENHOR WALKER!

"O Espírito-Que-Anda", "O Homem-Que-Nunca-Morre", "Guardião das Trevas Orientais"... são muitos os seus títulos; mas é como o primeiro personagem uniformizado dos quadrinhos que entrou para a História. Ele é o Fantasma, que completou 70 anos

Fantasma n° 259
by RGE
agosto de 1977

Por Thiago Rique

Tudo começou na manhã de 17 de fevereiro de 1936. Há mais de 70 anos, as HQs não tinham capas com efeitos holográficos nem eram impressas com luxo, e se limitavam a trazer apenas compilações, em papel barato, da fonte onde "nasciam": as tiras de jornais norte-americanos. Naquele dia, porém, os periódicos não trouxeram só animais falantes, marinheiros comedores de espinafre e detetives. Havia em suas páginas um personagem único, destinado a inaugurar um novo segmento de heróis: o Fantasma.

Ele era a nova criação de Lee Falk (cujo nome real, revelado recentemente, era Leon Harrison Gross) para o King Features Syndicate. Com apenas 24 anos, o jovem autor já fazia sucesso com o mágico Mandrake, criado dois anos antes. Mas o Fantasma era diferente de seu "irmão mais velho" e de todos os demais aventureiros de então, pois usava uniforme e máscara no combate ao crime. O que há de original nisso? Ora, na época não havia nenhum vigilante uniformizado nos quadrinhos!

O Espírito-Que-Anda, como também ficou conhecido, inaugurou a galeria dos "cuecas de fora", sendo seguido pelo Superman (1938), Batman (1939) e uma leva de tantos outros que copiavam o padrão de sua roupa ou a simples ideia do vigilante uniformizado.

Phantom (1962) 38-A
Comic Book by Gold Key
Jun 1970

O Fantasma não tem superpoderes (esse pioneirismo ficou para o último filho de Krypton), mas é ágil, calculista e sem-igual no combate corpo-a-corpo. Seu esconderijo e lar é a Caverna da Caveira, onde registra suas aventuras, vividas ao lado de seu fiel lobo Capeto e do corcel branco Herói. Sua maior arma contra os criminosos é a superstição (tem fama de ser imortal), além de estigmatizá-los com a temida marca da caveira, deixada pelo seu anel após nocauteá-los.

Mas o Fantasma não é imortal. Seu nome é Kit Walker e ele é o 21o. descendente de uma linhagem de defensores cuja história começou em 1534, nas remotas praias de Bengala, onde um navio mercante inglês foi atacado, pilhado e incendiado por piratas da Confraria Singh. Só um passageiro escapou da chacina: o primeiro Kit Walker, filho do capitão.

Harvey Hits 1-A
Comic Book by Harvey
Sep 1957

O jovem alcançou a praia e foi socorrido por pigmeus da tribo Bandar. Pouco depois, encontrou o corpo do assassino de seu pai e fez o famoso Juramento da Caveira sobre o crânio do criminoso, prometendo dedicar sua vida e a de seus descendentes a lutar contra a pirataria, crueldade e injustiça. A ideia do uniforme veio de uma divindade local.

Assim, o filho sucede o pai através dos séculos, criando a lenda do Homem-Que-Nunca-Morre. O "nosso" Fantasma realizou façanhas dignas de seus mais heroicos antepassados e figura como um dos mais valorosos membros da família. Em 1977, ele e Diana Palmer, sua amiga de infância, casaram-se e tiveram um casal de gêmeos, Kit e Heloise, a vigésima segunda geração da família Walker. Mas como nas HQs o tempo passa num ritmo mais lento, para os personagens passou-se apenas uma década, aproximadamente.

Nunca houve uma galeria fixa de vilões do herói, que enfrenta de chantagistas a feiticeiros loucos. Ainda assim, alguns inimigos ganharam destaque. Os Singh, adversários seculares dos Fantasmas, são os mais temíveis. O general Bababu, aspirante a tirano de Bengala, também causou várias dores de cabeça nas tiras e figurou como seu algoz numa minissérie publicada pela Marvel.

Invejável mesmo é sua galeria de grandes roteiristas e desenhistas. Lee Falk foi um fenômeno das tiras, escrevendo-as por simplesmente 63 anos, só parando em 1999, quando faleceu. Mas foi Ray Moore, seu antigo colaborador no Mandrake, quem desenvolveu o visual do Fantasma, definindo melhor suas feições e o uniforme, dando-lhe inclusive o famoso calção listrado. Depois dos dois, vieram nomes como Wilson McCoy, Carmine Infantino, Joe Orlando, Peter David, Steve Ditko, Jim Aparo, Sy Barry, George Olessen e, atualmente, Paul Ryan e Graham Nolan.

Em outras mídias, o Fantasma teve um seriado de cinema pela Columbia Pictures em 1943 e estrelou duas animações, Defensores da Terra e Fantasma 2040, esta última teve o desenho de produção feito por Peter Chung (Aeon Flux) e mostrava o 24o. Fantasma. O Espírito-Que-Anda chegou até a fazer uma ponta no desenho Yellow Submarine dos Beatles. Mais pop, impossível.

No entanto, não só de sucessos vive um personagem. O constrangedor filme O Fantasma, de 1996, com Billy Zane no uniforme roxo, foi uma sucessão de equívocos, mostrando vilões caricaturais, cenários pobres e afastando o público juvenil ao situar a trama nos anos 30.

Phantom (1988) 2-A
Comic Book by DC
Jun 1988

Foi nas versões para HQs que o herói realmente brilhou. No final da década de 80, a DC fez uma corajosa abordagem ao colocá-lo frente aos problemas econômicos e sociais da África moderna. E de 1994 a 1995, a Marvel lançou uma polêmica série na qual o Espírito-Que-Anda aparecia trajando equipamentos e indumentária high-tech.

Ainda assim, o Fantasma não emplacou nos Estados Unidos nas últimas décadas. Atualmente cabe à editora independente Moonstone a tarefa de publicar suas HQs por lá, com um sucesso modesto.

Por outro lado, o sr. Walker é imensamente popular em países como Suécia, Noruega, Austrália, Índia e Finlândia, muito devido à editora Egmont, que vem produzindo ótimas HQs há mais de três décadas, chegando a criar uma versão própria de sua mitologia, destoante das tiras em alguns pontos. Uma das últimas sagas editadas foi a aclamada Ano Um, produzida a diversas mãos para contar os primórdios de Kit Walker XXI como Fantasma.

Phantom: Ghost Who Walks (2009) 4-B
Comic Book by Moonstone
Jan 2009

Uma das maiores curiosidades sobre o personagem é o fato da cor do seu uniforme variar de país para pais. No Brasil, durante muito tempo, ele foi vermelho (como na Itália, na França e na Espanha). Pelo mundo, foi verde (Austrália), marrom (Nova Zelândia) e azul (Escandinávia). Isso porque não havia uma guia-cor a ser seguida. O que poucos sabem, contudo, é que a ideia original de Falk para o traje seria cinza e o personagem seria chamado de Grey Ghost (Espírito Cinzento).

No Brasil, após passagens pela RGE, Globo e Saber, o Fantasma é hoje editado pela Opera Graphica, que vem investindo no personagem desde 2001. Sua última aparição foi na revista Stripmania 3, mas a editora promete dois livros para comemorar mais um aniversário do personagem.

Last Phantom 9-A
Comic Book by Dynamite Entertainment
Jan 2011

Hoje, o Fantasma é publicado diariamente em 15 países. Passou pelo cinema, TV, games, foi transformado em bonecos, adesivos, estatuetas... Difícil nomear algo em que não teve seu rosto estampado. Afinal, o que nasceu naquela manhã de 17 de fevereiro de 1936, não foi só um personagem de quadrinhos, mas sim uma lenda... Uma das primeiras do século XX. A lenda do Fantasma de Lee Falk.

Thiago Rique jura que nunca viu o Fantasma, mas tem uma estranha marca de caveira do seu queixo.

WIZARD # 30 - Março de 2006 - Panini Comics.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

SUPERMAN - O MAIOR DE TODOS

Action Comics 1 (DC Comics)
June 1938

Há leitores que desdenham do Superman, mas é sempre bom lembrar que o gênero de super-heróis só existe porque ele foi criado. Confira nesta matéria a evolução do Homem de Aço nos quadrinhos

Por Fabio Alexandre Rocha Marques

A história do Superman, o primeiro e maior super-herói do mundo, começou bem antes de 1938, quando surgiu nas páginas de Action Comics 1. Fruto da imaginação de dois adolescentes judeus de Cleveland, o escritor Jerry Siegel e o artista Joe Shuster, ele foi criado em 1933 e teve um processo de desenvolvimento complicado e demorado.


Ainda o colegial, os autores publicaram um fanzine de contos de ficção científica chamado Science Fiction que era mimeografado e distribuído para os leitores pelo correio. No terceiro número, em janeiro de 1933, Siegel escreveu o conto The Reign of the Super-Man, sob o pseudônimo de Herbert S. Fine, ilustrado por Shuster. A história futurista lembrava 1984, de George Orwell, e era sobre um vilão careca com poderes mentais sobre-humanos que dominava uma cidade.

Inspirado até certo ponto pelos textos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, Siegel era fascinado pelo conceito de um ser com habilidades fantásticas. Ao final do mesmo ano, com a ajuda de seu amigo Shuster, o roteirista transpôs o personagem para a mídia que estava tomando os corações e mentes dos jovens norte-americanos: as histórias em quadrinhos.

Para isso, desenvolveram uma nova versão. O vilão careca foi abolido, pois Siegel e Shuster sabiam que não teria apelo suficiente. Então, bolaram uma HQ completa com um herói de cabelos negros e força sobre-humana: The Superman. Empolgados, levaram a criação para um editor, que recusou o trabalho na hora! Segundo ele, apesar do óbvio talento de ambos, o personagem era fantástico demais para ter sucesso.

Revoltado, Shuster destruiu toda a revista. Sobrou apenas a capa. Mesmo assim, ele e seu parceiro acreditavam que o personagem eventualmente poderia vingar. Dessa forma, partiram para uma outra reformulação e uma nova mídia: as tiras de jornais.

A versão final do Superman surgiu numa noite de 1934, quando Siegel, febril, acordou no meio da madrugada com novas ideias tão fantásticas e que surgiam em sua mente tão rapidamente, que ele não conseguia voltar para a cama. Então, ele escreveu material suficiente para várias semanas em tiras de jornais e as levou para Joe Shuster, que no mesmo dia as desenhou. 24 horas depois estava tudo pronto. Faltava "apenas" convencer alguém a publicar.

Clark Gable

Agora, o Superman era um ser de outro planeta. Siegel foi um dos primeiros a criar um alienígena benevolente. Outra característica distinta dessa nova versão foi o uso de uma identidade secreta. Tímidos, porém criativos, os autores eram o estereótipo do fã de ficção científica: imaginavam que mesmo atrás de uma aparência pacata, poderiam ter habilidades e poderes maravilhosos. Por isso criaram Clark Kent, um tranquilo repórter de jornal cujo nome homenageava dois astros de Hollywood, Clark Gable e Kent Taylor.
 
Kent Taylor

Ao desenhar um personagem tão espetacular, Shuster imaginou que as roupas usadas por acrobatas circenses, coladas ao corpo e com uma sunga sobre as calças, seriam futuristas e definiriam bem o corpo super desenvolvido. Dessa forma, com a intenção de fazer o herói "pular" para fora das páginas dos jornais, o desenhista usou as cores primárias da impressão colorida (vermelho, azul, preto e amarelo) e acrescentou uma capa para expressar movimento e velocidade.

Nos meses e anos seguintes à sua criação, o Superman foi apresentado a praticamente todos os editores de jornais e syndicates dos Estados Unidos, e foi sempre recusado. Apesar disso, Shuster e Siegel conseguiram empregos para criar histórias em quadrinhos para uma editora de revistas, a National Comics (atual DC Comics).

Certo dia, em 1938, as tiras do Superman estavam sobre a mesa de Sheldon Mayer, editor do McClure Syndicate, empresa que distribuía tiras para vários jornais norte-americanos, que estava tentando convencer seu chefe Max Charles Gaines a publicar a criação de Shuster e Siegel em algum periódico. Então, Jack Liebowitz, dono da National telefonou para Gaines em busca de novos personagens para uma nova revista chamada Action Comics.

M.C. Gaines enviou as páginas do Superman para Vin Sullivan, editor da National, que achou o personagem diferente e resolveu lhe dar uma chance. As tiras totalizaram 13 páginas e foram publicadas na edição de estreia da Action Comics.

O sucesso foi estrondoso. Os 200 mil exemplares de tiragem se esgotaram nas bancas e milhares de cartas de leitores chegaram aos escritórios da National. Os distribuidores ficaram sedentos por novas revistas. Rapidamente, os editores perceberam que tinham algo grande nas mãos e pagaram a mísera quantia de 130 dólares pela primeira história e pelos direitos do Superman. Siegel e Shuster aceitaram em troca de um contrato de trabalho e exclusividade por dez anos.

Whiz Comics 2 (Fawcett Comics)
fevereiro de 1940

Após sete edições, a revista que deveria trazer HQs de ação com vários personagens passou a ser só do Superman. Logo, todas as editoras de quadrinhos dos EUA miraram no novo gênero. Nos anos seguintes, dezenas de seres superpoderosos pintaram nas bancas. A Fawcett Comics bolou o Capitão Marvel em 1940; e a própria National, para ampliar os negócios, encomendou ao artista Bob Kane um outro herói. E surgiu o Batman, com a ajuda do escritor Bill Finger.

O Superman ainda não era o personagem de hoje. Ele não voava, apenas dava saltos enormes sobre os prédios de Metrópolis, baseada na cidade do clássico filme mudo de Fritz Lang. Também não era um campeão do politicamente correto - em muitas das primeiras histórias, tratava os vilões de forma irresponsável e perigosa. Vários terminavam machucados e praticamente aleijados! Para Siegel e Shuster, era uma punição justa pelos crimes cometidos.

Apesar do herói nunca ter matado ninguém nessa época, a editora decidiu que ele deveria ter uma conduta mais condizente com seus poderes incríveis. Para tal, escalou Whitney Ellsworth como editor do personagem. Siegel e Shuster foram proibidos de produzir histórias em que o Superman fizesse uso excessivo de sua força.

O herói ainda não tinha visões de raios-X ou de calor. Esses poderes só surgiram com a série de rádio que ganhou em 1940, na Mutual Network. Dos coadjuvantes conhecidos atualmente, apenas Lois Lane apareceu desde a primeira Action Comics. Ela e Clark trabalhavam no jornal metropolitano Daily Star para o editor George Taylor.

Jimmy Olsen, Perry Whyte e o Planeta Diário também seriam criados nos episódios de dez minutos da série radiofônica. Até a kryptonita, fragmento do planeta Krypton que explodiu, utilizando de forma ostensiva na atual série Smallville, foi apenas um artifício usado pelos escritores do rádio para dar uma semana de folga ao ator Bud Collyer, que fazia a voz do Superman. Assim, após ser afetado pelo minério alienígena, o herói ficou sete dias sofrendo e gemendo para os ouvintes - tudo feito por outra pessoa, enquanto o astro principal curtia seu merecido descanso.

continua...

WIZARD BRASIL # 31 - Abril de 2006 - Panini Comics.

OS MORTOS-VIVOS ESTÃO NAS GIBITERIAS

Os Mortos-Vivos n° 1
Volume 1: Dias Passados

Vencedor do Troféu HQ Mix de Melhor Publicação de Terror em 2006

Publicado em: maio de 2006
Editora: Hq Maniacs Editora
Licenciador: Image.

Depois da boa estreia com Invencível, a HQ Maniacs Editora lançou seu segundo título no mercado: Os Mortos-Vivos - Dias Passados (formato 16,5 x 24 cm, 144 páginas, R$ 27,90), escrito por Robert Kirkman e desenhado por Tony Moore.

Na série, elogiadíssima pela crítica norte-americana, o policial Rick Grimes acorda de um estado de coma e estranha o hospital abandonado. Pra piorar, descobre que o mundo inteiro está tomado por zumbis que misteriosamente voltaram à vida e se alimentam de carne humana. E quem é mordido vira um deles! Os poucos sobreviventes, se escondem nas sombras, com medo. É só o começo de uma trama envolvente.

Mortos-vivos já renderam diversos filmes de cinema, livros e HQs. Na melhor linha do terror, Kirkman constrói uma história com muito sangue e tripas voando pra todo lado. A diferença está nas críticas ao comportamento humano que coloca em vários momentos da trama.

O álbum está à venda em gibiterias, livrarias e pelo site http://www.hqmaniacs.com/editora/default.asp?acao=publicacao&id_publicacao=4

By Sidney Gusman

WIZARD BRASIL # 33 - Junho de 2006 - Panini Comics.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

JOHN WESLEY SHIPP (THE FLASH)


Antes que se espremesse dentro do traje vermelho com músculos falsos para a série do Flash dos anos 90, John Wesley Shipp era um veterano de novelas de TV norte-americanas, tendo passado um longo tempo em Guiding Light.

O papel de Barry Allen o seriado de curta duração da CBS pode ter transformado Shipp em um ícone dos nerds, mas não o catapultou exatamente para o estrelato - seu papel como Mitch Leery em Dawson's Creek, sete anos depois de THE FLASH, acabou sendo seu trabalho de maior destaque.

O mais interessante é que, imediatamente depois que sua fase como o Homem mais Rápido do Mundo se encerrou, em 1991, Shipp apareceu em um episódio de The Human Target, outra tentativa fracassada de criar uma série baseada em um personagem da DC.

Desde então, o ator regressou às novelas com All My Children e fez algumas aparições em episódios de Nova York contra o Crime, antes de ser convidado para Dawson's Creek. Depois que seu personagem foi morto na quinta temporada, Shipp apareceu em JAG, no curta Starcrossed, de 2005, e atualmente pode ser visto na série Palmetto Pointe.

Para sorte dos fãs de THE FLASH, a série foi finalmente lançada em DVD no começo deste ano nos Estados Unidos (no Brasil, ainda não). Contudo, para aqueles que ainda guardam a esperança de que Shipp volte a vestir o colante vermelho, não esperem por um relâmpago dos céus ou coisa do gênero. "Foi meio que um alívio quando aconteceu o cancelamento", declarou o ator. "Creio que existe uma armadilha inerente em interpretar um super-herói por muito tempo. Você acaba ficando marcado pelo papel."

By Jesse Thompson

WIZARD BRASIL # 34 - Julho de 2006 - Panini Comics.

COWBOY DE BROKEBACK MOUNTAIN SERÁ O NOVO CORINGA NO CINEMA


Agora é oficial. A Warner Bros. anunciou na Califórnia que o vilão do próximo filme do Batman será mesmo o Coringa e que o ator escolhido para encarná-lo será Heath Ledger, um dos cowboys do filme O Segredo de Brokeback Mountain.

Intitulada apenas de The Dark Knight (O Cavaleiro das Trevas), a segunda parte das aventuras cinematográficas do Homem-Morcego manterá Christopher Nolan na direção e Christian Bale no papel título. "Estou muito entusiasmado para continuar a história que começamos a contar em Batman Begins", declarou Nolan, também um dos co-roteiristas, ao lado de David Goyer, da série Blade, e de seu irmão, Jonathan Nolan.

"Nosso desafio ao escolher quem faria o Coringa era encontrar um ator não só extraordinariamente talentoso, mas também sem medo. Assistir à interpretação de Heath Ledger para um personagem tão célebre frente ao Batman de Christian Bale será incrível", acrescentou o diretor.

Ledger, indicado ao Oscar por seu papel em Brokeback Mountain, também recebeu elogios do presidente de produção do estúdio, Jeff Robinov, para quem "a visão única de Chris Nolan foi exatamente o que transformou Batman Begins num trabalho tão espetacular, e não poderíamos sequer cogitar a hipótese de outro nome na direção desta continuação. Estamos ansiosos para ver dois atores tão formidáveis quanto Christian Bale e Heath Ledger enfrentando-se como Batman e Coringa".

Mas isso terá de esperar um bom tempo, pois, segundo a Warner, The Dark Knight só começará a ser filmado no começo de 2007.

By Marco Moretti

WIZARD BRASIL # 36 - Setembro de 2006 - Panini Comics.

AGENTE AMERICANO

(U.S. Agent)

U.S.Agent (1993) 1-A
Comic Book by Marvel
Jun 1993

"Road to Redemption"

É conhecido como a versão anos 90 do Capitão América. O nome verdadeiro do Agente é John F. Walker, um soldado do governo americano que utiliza métodos bem violentos para combater o crime. Graças a isso, o Agente Americano e o Capitão América já se confrontaram várias vezes. Durante um período em que Steve Rogers abandonou a identidade de Capitão América, Walker o substituiu. Mentalmente instável e fidelíssimo ao governo, o Agente Americano foi membro provisório dos Vingadores da Costa Oeste e dos Invasores.

Captain America (1968) 323-A
Comic Book by Marvel
Nov 1986

"Super-Patriot is Here"

Criado por Mark Gruenwald e Paul Neary, o personagem surgiu na revista Captain America 323, de novembro de 1986.

Mundo dos Super-Heróis # 6 - Setembro/Outubro de 2007 - Editora Europa.

domingo, 10 de novembro de 2013

NEAL ADAMS - A LENDA

Ele reviveu o Batman, salvou os X-Men, desafiou o sistema e mudou os quadrinhos para sempre

Por Christopher Lawrence

Brave and the Bold (1955) 75-A
Comic Book by DC
Jan 1968

Batman and the Spectre in
"The Grasp of Shahn-Zi"

Neal Adams se recosta em sua poltrona e pondera a resposta. Ele foi apontado como o terceiro artista mais influente dos quadrinhos, perdendo apenas para Will Eisner e Jack Kirby. Então, olha para o alto, como se mentalmente acessasse os nomes de outros desenhistas, e chega a uma conclusão.

"É isso mesmo", ele diz. "Eu concordo."

Essa falta de modéstia é mais do que costumeira em Adams. Na verdade, é até esperada. A autoconfiança desse artista de 62 anos tornou-se tão lendária quanto seu estilo. Mas será que ele é mesmo um egocêntrico? Ninguém diz isso ao encontrá-lo pela primeira vez. O dono dos estúdios Continuity, de Nova Iorque, é aberto e convidativo; e não costuma por no jornal suas qualidades.

Ele é. isso sim, honesto - talvez até demais - e jamais negou a reconhecer sua posição de destaque na história dos quadrinhos.

"Eu nunca existiria se antes não tivesse aparecido Neal", admite Alex Ross (LJA: Liberdade e Justiça / Marvels ). "Ele foi um pioneiro", acrescenta o editor-chefe da Marvel, Joe Quesada. "Se eu precisasse descrevê-lo em apenas uma palavra, ela seria 'gênio'."

Para Adams, a vida tanto dentro quanto fora dos quadrinhos - consiste em confiar em si mesmo e "traçar seu próprio destino".

ABRINDO PORTAS

Adams não perdeu tempo para forjar o destino por conta própria. Meses depois de ser contratado pela DC, no final dos anos 60, invadiu a sala do lendário editor Julius Schwartz exigindo uma chance de desenhar Batman.

A resposta de Schwartz?

"Caia hora da minha sala."

No entanto, o audacioso artista logo foi recompensado (em 1968) com a incumbência de desenhar e arte-finalizar regularmente a revista Brave and the Bold. Na melhor das hipóteses, tratava-se de um título complementar do Morcego, mas Adams - em seu estilo inimitável - aproveitou a oportunidade e marcou época.

Seu Batman, decidiu ele, seria um autêntico "Cavaleiro das Trevas". Os contemporâneos de Adams tendiam a situar as histórias do herói à luz do dia, algo que nunca agradou ao jovem artista. Para ele, seus colegas estavam apenas seguindo a série da TV e privando o personagem de todo o mistério.

Em Brave and the Bold, o autor devolveu o personagem ao cenário noturno, como um combatente do crime que aparecia e desaparecia entre as sombras. O expediente deu certo, para surpresa de Schwartz.

"Por que estou recebendo cartas dizendo que o único Batman verdadeiro da DC é o de Brave and the Bold?", perguntou o editor ao artista.

Adams não parou para pensar na resposta. Nem precisava. "Porque é o único Batman verdadeiro", disse.

Segundo as lembranças do artista, Schwartz teria dito então: "Você acha mesmo que sabe como Batman deve ser?"

"Julie, qualquer garoto na América sabe. As únicas pessoas que parecem não saber como Batman deveria ser são vocês da DC", ele respondeu.

Batman (1940) 244-A
Comic Book by DC
Sep 1972

"The Demon Lives Again!"

Não muito tempo depois, Neal Adams passou a cuidar dos principais títulos do Homem-Morcego e, em companhia de Denny O'Neil, conduziu uma das mais bem-sucedidas e influentes eras na longa história do Cavaleiro das Trevas.

"Neal sempre foi um dos meus artistas preferidos", afirma O'Neil. "Seus quadrinhos superavam qualquer coisa que estivesse em minha mente quando escrevia as histórias."

Praticamente sozinho, Adams libertou Batman dos elementos camp e cartunescos da série de TV, e deu ao Cavaleiro das Trevas um grau de realismo que não era visto havia décadas.

"Neal revolucionou o personagem", declara o ilustrador de 1602, Andy Kubert. "É seguindo seu estilo que as pessoas retratam Batman hoje". Essa, ironicamente, foi a razão pela qual Adams encerrou seu período no gibi. "Todo mundo começou a fazer o meu Batman", relembra. "Então, eu não precisava mais fazê-lo".

Fonte: Wizard Brasil # 4 - Janeiro de 2004 - Panini Comics.

LIGA DA JUSTIÇA VS. GALACTUS

OS MAIORES CONFRONTOS JAMAIS VISTOS

Os contendores...

Formada pelos maiores heróis do universo DC - Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Flash, Homem-Borracha e Caçador de Marte - a Liga da Justiça não hesita diante de nenhum inimigo.

Origin of Galactus 1-A
Comic Book by Marvel
Feb 1996

Nascido no mundo utópico de Taa, o ser conhecido com Galan testemunhou a destruição de seu universo pelo mesmo Big Bang que originou o nosso. Renascido nesta realidade com um apetite insaciável pela energia vital de planetas inteiros, ele vaga pelas galáxias como Galactus, o Devorador de Mundos!

A batalha...

Expandindo sua busca por mundos que possam ser consumidos para dimensões alternativas, Galactus localiza um planeta repleto de energia vital: a Terra da DC. Ao penetrar em sua atmosfera, ele começa a construir a maquinaria necessária para absorvê-lo.

Depois de ser ignorada pela imensa criatura celestial, a Liga da Justiça suspeita de seus planos e entra em ação. A uma velocidade sobre-humana, o Flash cria um vórtice capaz de sugar o ar que envolve o alienígena, mas é derrubado por uma rajada disparada dos olhos do gigante. Em seguida, o Lanterna Verde lança um ataque maciço contra a parafernália de Galactus, mas a energia emitida por seu anel é rebatida contra o próprio herói. A Liga experimenta a derrota, mas tudo corre conforme o planejado.

Enquanto a equipe distrai a criatura e a força a empregar cada vez mais sua preciosa energia, o Caçador de Marte sutilmente sonda sua mente. Ele envia, então, uma mensagem telepática a seus companheiros, fazendo com que a Liga redirecione seu ataque. Superman, Mulher-Maravilha e Homem-Borracha investem contra a armadura que encerra a energia vital de Galactus. Forçando ainda mais seus limites, Flash usa a Força de Aceleração para implementar uma tática de guerrilha, com ataques relâmpagos ao equipamento do gigantesco ser, sabotando-o em centenas de pontos diferentes.

Reagindo às investidas, o inimigo abandona sua parafernália e começa a mergulhar no interior da Terra, preparando-se para absorver a energia do planeta sem "intermediários". Mas é então que o passado retorna para atormentá-lo: centenas de rostos esverdeados - das pessoas que ele conheceu e amou quando era simplesmente Galan de Taa - surgem diante dele, e o imenso ser hesita, com seus lábios balbuciando os nomes daqueles que há muito se foram. Por meio de sua conexão mental com o Caçador de Marte, o Lanterna recria as memórias de Galactus, enquanto o Homem de Aço e a Mulher-Maravilha desferem um golpe duplo contra o capacete da criatura.

Com a armadura danificada, a energia em seu interior começa a consumir o próprio Galactus. "Agora", ordenada telepaticamente o Caçador de Marte, e um sifão esmeralda lança o que restou do Devorador de Mundos no espaço, onde a energia vital em estado bruto revitaliza todos os planetóides que atinge.

"Conseguimos", diz Flash, enquanto apanha o corpo inconsciente do Lanterna, "Mas... a que preço? Nós tivemos que matá-lo!"

"Não", retruca o marciano, observando a dispersão de energia.

"Nós o libertamos."

Fonte: Wizard Brasil # 1 - Outubro de 2003 - Panini Comics.