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sábado, 31 de dezembro de 2011

XXV


ANTES de amar-te, amor, nada era meu:
vacilei pelas ruas e as coisas:
nada contava nem tinha nome:
o mundo era do ar que esperava.

E conheci salões cinzentos,
túneis habitados pela lua,
hangares cruéis que se despediam,
perguntas que insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo,
caído, abandonado e decaído,
tudo era inalienavelmente alheio,

tudo era dos outros e de ninguém,
até que tua beleza e tua pobreza
de dádivas encheram o outono.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

GÊNESIS


É uma palavra que significa origem, nascimento, e que dá nome ao primeiro livro da "Bíblia" (e também da "Torá" judaica). Faz parte do conjunto dos cinco primeiros livros biblícos, conhecido como "Pentateuco", cuja autoria é atribuída a Moisés. Formado por 50 capítulos, ele contém uma história da criação do planeta, da humanidade, da queda do homem e da escolha da nação de Israel por Deus. No Gênesis estão alguns dos personagens e histórias mais conhecidos da "Bíblia", como Adão, Eva, Jacó, Abraão, a Criação, o Jardim do Éden, Caim e Abel, a Arca do Noé e a Torre de Babel.

LOST de A a Z - Um guia para decifrar o enigma
pág. 6

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

XXIV


AMOR, amor, as nuvens à torre do céu
subiram como triunfantes lavadeiras,
e tudo ardeu em azul, foi tudo estrela:
o mar, a nave, o dia se desterraram juntos.

Vem ver as cerejeiras da água constelada
e a clave redonda do rápido universo,
vem tocar o fogo do azul instantâneo,
vem antes que suas pétalas se consumam.

Aqui não há senão luz, quantidades, cachos,
espaço aberto pelas virtudes do vento
até entregar os últimos segredos da espuma.

E entre tantos azuis-celestes, submergidos,
se perdem nossos olhos adivinhando apenas
os poderes do ar, as chaves submarinas.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

XXIII


FOI luz o fogo e pão a lua rancorosa,
o jasmin duplicou seu estrelado segredo,
e do terrível amor as suaves mãos puras
deram paz a meus olhos e sol a meus sentidos.

Oh amor, como de repente, dos rasgos
fizeste o edifício da doce firmeza,
derrotaste as unhas malignas e zelosas
e hoje diante do mundo somos como uma só vida.

Assim foi, assim é e assim será até quando,
selvagem e doce amor, bem-amada Matilde,
o tempo nos assinale a flor final do dia.

Sem ti, sem mim, sem luz já não seremos:
então mais além da terra e a sombra
o resplendor de nosso amor seguirá vivo.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

XXII


QUANTAS vezes, amor, te amei sem ver-te e talvez
sem lembrança,
sem reconhecer teu olhar, sem fitar-te, centaura,
em regiões contrárias, num meio-dia queimante:
era só o aroma dos cereais que amo.

Talvez te vi, te supus ao passar levantando uma taça
em Angola, à luz da lua de junho,
ou eras tu a cintura daquela guitarra
que toquei nas trevas e ressou como o mar desmedido.

Te amei sem que eu o soubesse, e busquei tua memória.
Nas casas vazias entrei com lanterna a roubar teu retrato.
Mas eu já não sabia como eras. De repente

enquanto ias comigo te toquei e se deteve minha vida:
diante de meus olhos estavas, regendo-me, e reinas.
Como fogueira nos bosques o fogo é teu reino.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

Os cabalistas acreditam em Deus?


SIM, mas é um Deus um pouco diferente daquele com o qual estamos acostumados. Dentro das religiões tradicionais, Deus é visto como um ser onipotente, criador de todas as coisas. A cabala tem outra visão: Deus, que eles preferem chamar de Ein Sof, ou Deus-Infinito, não tem corpo ou forma, e nem pode ser pensado de maneira separada do Universo. Quer dizer; não existe Criador e Criação: a Criação faz parte de Deus. Segundo uma das correntes cabalísticas mais difundidas, a luriânica, o Universo teria surgido da seguinte forma: em algum momento, Deus-Infinito decidiu criar o mundo. Para isso, teve que se contrair, abrindo mão de um espaço dentro de si mesmo. Nesse vácuo, ele teria lançado um raio de luz, que se partiu. Boa parte dele voltou para a fonte; o restante caiu como centelhas, que ficaram presas no mundo material - são os seres humanos, que passam toda a sua vida tentando retornar à luz divina.

Fonte: Especial Cabala edição #281-A
pág. 7

VINGADORES


E HOUVE UM DIA COMO NENHUM OUTRO, QUANDO OS MAIORES HERÓIS DA TERRA SE VIRAM UNIDOS CONTRA UMA AMEAÇA COMUM...

Um punhado dos mais notáveis aventureiros sobre-humanos do planeta reuniu-se por acaso quando o patife asgardiano Loki tentou colocar seu heróico irmão adotivo, Thor, em rota de colisão com o Hulk. Rick Jones, parceiro do Gigante Verde, emitiu então um pedido de socorro, respondido pelo Homem de Ferro, Homem-Formiga e Vespa. Ao lado de Thor, os três heróis rastrearam o Hulk e desvendaram o plano de Loki.

Naquele dia, nasceram os Vingadores - para combater inimigos que nenhum herói poderia enfrentar sozinho.

A recém-formada equipe reuniu-se algum tempo depois, em pleno centro de Manhattan, na mansão do industrial Anthony Stark, alter ego do Homem de Ferro. Stark cedeu a propriedade para uso exclusivo dos Vingadores e criou uma fundação para cobrir todas as despesas operacionais do grupo não-lucrativo.

O rol do esquadrão expandiu-se muito desde seu surgimento, sofrendo inúmeras mudanças. E, embora tenham enfrentado incontáveis desafios tanto internos quanto externos ao longo dos anos, os Vingadores sempre estiveram à altura de sua missão, encontrando e derrotando todas as ameaças ao planeta.

Enciclopédia Marvel - março/2005 - Panini Comics
pág. 6

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

XXI


OH que todo o amor propague em mim sua boca,
que não sofra um momento mais sem primavera,
eu não vendi senão minhas mãos à dor,
agora, bem-amada, deixa-me com teus beijos.

Cobre a luz do mês aberto com teu aroma,
fecha as portas com tua cabeleira
e em relação a mim não esqueças que se desperto e choro
é porque em sonhos apenas sou um menino perdido

que busca entre as folhas da noite tuas mãos,
o contato do trigo que tu me comunicas,
um rapto cintilante de sombra e energia.

Oh, bem-amada, e nada mais que sombra
por onde me acompanhes em teus sonhos
e me digas a hora da luz.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Gothan City


Aos 15 anos eu nasci em Gothan City
Era um céu alaranjado em Gothan Clty
Caçavam bruxas nos telhados em Gothan City
No dia da Independência Nacional

Cuidado há um morcego na porta principal
Cuidado há um abismo na porta principal

Eu fiz um quarto bem vermelho em Gothan City
Sobre os muros altos da tradição em Gothan City
No cinto de utilidades as verdades Deus ajuda
A quem cedo madruga em Gothan Clty.

Cuidado há um morcego na porta principal
Cuidado há um abismo na porta principal

No céu de Gothan City há um sinal
Sistema elétrico nervoso contra o mal
Tem um sambinha, futebol e carnaval
Todos estão dormindo em Gothan City

Cuidado há um morcego na porta principal
Cuidado há um abismo na porta principal

Os mortos vivos perambulam em Gothan City
Agora vivo o que vivo em Gothan City
Chegou a hora da verdade em Gothan City
A saída é a porta principal

Cuidado há um morcego na porta principal
Cuidado há um abismo na porta principal.


Marcelo Nova

XX


MINHA FEIA, és uma castanha despenteada,
minha bela, és formosa como o vento,
minha feia, de tua boca se podem fazer duas,
minha bela, são teus beijos como frescas melancias.

Minha feia, onde estão escondidos teus seios?
São mínimos como dois vasos de trigo.
Me agradaria ver-te duas luas no peito:
as gigantescas torres de tua soberania.

Minha feia, o mar não tem tuas unhas em sua tenda,
minha bela, flor a flor, estrela por estrela,
onda por onda, mensurei teu corpo:

minha feia, te amo por tua cintura de ouro,
minha bela, te amo por uma ruga em tua fronte
amor, te amo por clara e por escura.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

domingo, 25 de dezembro de 2011

XIX


ENQUANTO a magna espuma de Ilha Negra,
o sal azul, o sol nas ondas te molham,
eu contemplo os trabalhos da vespa
empenhada no mel de seu universo,

Vai e vem equilibrando seu reto e ruivo vôo
como se deslizasse de um arame invisível
a elegância do baile, a sede de sua cintura,
e os assassinatos do ferrão maligno.

De petróleo e laranja é seu arco-íris,
busca como um avião entre a erva
com um rumor de espiga, voa, desaparece,

enquanto tu sais do mar, nua,
e regressas ao mundo cheia de sal e sol,
reverberante estátua e espada da areia.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

sábado, 24 de dezembro de 2011

XVIII


PELAS MONTANHAS vais como vem a brisa
ou a corrente brusca que baixa da neve
ou melhor tua cabeleira palpitante confirma
os altos ornamentos do sol na espessura.

Toda a luz do Cáucaso cai sobre teu corpo
como numa pequena vasilha interminável
em que a água se muda de vestido e de canto
a cada movimento transparente do rio.

Pelos montes o velho caminho de guerreiros
e embaixo enfurecida brilha como uma espada
a água entre muralhas de mãos minerais,

até que tu recebes dos bosques de repente
o ramo ou o relâmpago de umas flores azuis
e a insólita flecha de um aroma selvagem.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

XVII


NÃO TE AMO como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

XVI


AMO o pedaço de terra que tu és,
porque das campinas planetárias
outra estrela não tenho. Tu repetes
a multiplicação do universo.

Teus amplos olhos são a luz que tenho
das constelações derrotadas,
tua pele palpita como os caminhos
que percorre na chuva o meteoro.

De tanta lua foram para mim teus quadris,
de todo o sol tua boca profunda e sua delícia,
de tanta luz ardente como mel na sombra

teu coração queimado por longos raios rubros,
e assim percorro o fogo de tua forma beijando-te,
pequena e planetária, pomba e geografia.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

XV


DE HÁ muito tempo a terra te conhece:
és compacta como o pão ou madeira,
és corpo, cacho de segura substância,
tens peso de acácia, de legume dourado.

Sei que existes não só porque teus olhos voam
e dão luz às coisas como janela aberta,
mas porque de barro te fizeram e cozeram
no Chile, num forno de adobe estupefato.

Os seres se derramam como ar ou água ou frio e
vagos são, se apagam ao contato do tempo,
como se antes de mortos fossem fragmentados.

Tu cairás comigo como pedra na tumba
e assim por nosso amor que não foi consumado
continuará vivendo conosco a terra.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

PRIMEIROS TRABALHOS

Hulk Magazine 13-A
Comic Book by Marvel, Feb 1979

Em 1978, Sienkiewicz levou seu portfólio à DC Comics, em busca de trabalho. A essa altura, seu traço era influenciado pelo de outro quadrinhistra: o famoso Neal Adams. Na DC, o jovem artista conheceu o diretor de arte Vince Colleta, que gostou do trabalho do rapaz mas não tinha nada para oferecer a ele no momento. Colleta entrou em contato com Neal Adams e falou sobre Sienkiewicz. Adams, por sua vez, indicou o rapaz a Jim Shooter, editor-chefe da Marvel. Shooter precisava de um desenhista para uma das séries da revista Hulk Magazine (uma publicação bimestral em formato maior, metade colorida e metade em preto e branco), e contratou o jovem após alguns testes. Dessa forma, em fevereiro de 1979, Sienkiewicz viu seu primeiro trabalho profissional publicado na edição 13 da revista Hulk. Era uma história de 20 páginas do Cavaleiro da Lua escrita por Doug Moench.

Moon Knight (1980) 7-A
Comic Book by Marvel, May 1981

Sienkiewicz passou um bom tempo desenhando o Cavaleiro da Lua mas, como a revista era bimestral, ele começou a fazer trabalhos para outros títulos da editora - desenhou e criou capas para as revistas Spider-Woman, Marvel Spotlight, Ghost Rider e Tomb of Dracula, entre outras. Mas seria o Cavaleiro da Lua - que muitos diziam ser uma mera cópia de Batman - o personagem mais associado a Sienkiewicz no início de sua carreira. O artista desenhou suas histórias em seis edições de Hulk, continuou com ele quando as aventuras foram transferidas para a revista Marvel Spotlight e foi o desenhista regular da revista do personagem por quase 30 edições.

Moon Knight (1980) 2-A
Comic Book by Marvel, Dec 1980

Mundo dos Super-Heróis - Número 15 - março/abril de 2009
pág. 69

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

XIV


ME FALTA tempo para celebrar teus cabelos.
Um por um devo contá-los e louvá-los:
outros amantes querem viver com certos olhos,
eu só quero ser penteador de teus cabelos.

Na Itália te batizaram Medusa
pela encrespada e alta luz de tua cabeleira.
Eu te chamo brejeira minha e emaranhada:
meu coração conhece as portas de teu pêlo.

Quando tu te extraviares em teus próprios cabelos,
não me esqueças, lembra-te que te amo,
não me deixes perdido ir sem tua cabeleira

pelo mundo sombrio de todos os caminhos
que só sombra, transitórias dores,
até que o sol suba à torre de teu pêlo.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

O RESTAURANTE DO FIM DO UNIVERSO

Volume Dois da Série
O Mochileiro das Galáxias
Douglas Adams


introdução

Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável.

Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.

capítulo 1

Resumo dos últimos capítulos:

No início, o Universo foi criado.

Isso irritou profundamente muitas pessoas e, no geral, foi encarado como uma péssima ideia.

Muitas raças acreditam que o Universo foi criado por alguma espécie de Deus, embora os jatravartids, habitantes de Viltvodle VI, acreditem que, na verdade, o Universo inteiro tenha escorrido do nariz de um ser chamado Megarresfriadon Verde.

Os jatravartids, que vivem constantemente com medo de uma era chamam de A Chegada do Grande Lenço Branco, são pequenas criaturas azuis que têm mais de cinquenta braços, sendo assim absolutamente únicos por terem sido a única raça em toda a história a inventar o desodorante em spray antes da roda.

Contudo, a teoria do Megarresfriadon Verde é pouco aceita fora de Viltvodle VI e, sendo o Universo um lugar tão extraordinariamente estranho, outras explicações vêm sendo procuradas.

Há, por exemplo, uma raça de seres pandimensionais hiperinteligentes que uma vez construiu um supercomputador gigantesco chamado Pensador Profundo para calcular de uma vez por todas a Resposta à Questão Fundamental da Vida, do Universo e Tudo Mais.

O Pensador Profundo computou e calculou durante sete milhões e meio de anos, e no final anunciou que a resposta de fato era "Quarenta e Dois". Assim, outro computador ainda maior teve que ser construído para descobrir qual era exatamente a pergunta.

Esse computador, que foi chamado de Terra, era tão grande que frequentemente era confundido com um planeta - especialmente pelos estranhos seres simiescos que perambulavam por sua superfície, completamente alheios ao fato de que eram apenas parte de um gigantesco programa de computador.

Isso é muito estranho, na verdade, pois, sem o conhecimento desse fato bastante simples e um tanto óbvio, nada do que acontecia na Terra tinha o menor sentido.

Infelizmente, porém, pouco antes do momento crítico do término do programa e apresentação do resultado, a Terra foi inesperadamente demolida pelos vogons para que fosse construída uma via expressa interestelar - ou pelo menos foi o que eles alegaram. Sendo assim, qualquer esperança de descobrir um sentido para a vida se perdeu para todo o sempre.

Ou quase.

Duas dessas estranhas criaturas simiescas sobreviveram.

Arthur Dent escapou no último minuto porque um velho amigo seu, Ford Prefect, subitamente declarou vir de um pequeno planeta próximo a Betelgeuse, e não de Gildford, como até então havia alegado. Não apenas isso, mas ele também sabia pegar carona em discos voadores.

Tricia McMillan - ou Trillian - tinha dado o fora do planeta seis meses antes com Zaphod Beeblebrox, que nessa época ainda era presidente da Galáxia.

Dois sobreviventes.

É só o que resta da maior experiência já realizada para descobrir a Questão Fundamental e a Resposta Final sobre a Vida, o Universo e Tudo mais.

Em meio à profunda escuridão do espaço, a nave espacial onde se encontram Zaphod, Ford, Trillian e Arthur se move calmamente. A menos de meio milhão de quilômetros dali, uma nave vogon se deslocava inexoravelmente em sua direção.

págs. 7-11

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

XIII


A LUZ que de teus pés sobe a tua cabeleira,
a turgência que envolve tua forma delicada,
não é de nácar marinho, nunca de prata fria:
é de pão, de pão amado pelo fogo.

A farinha acumulou seu celeiro contigo
e cresceu incrementada pela idade venturosa,
quando os cereais duplicaram teu peito
meu amor era o carvão trabalhando na terra.

Oh, pão tua fronte, pão tuas pernas, pão tua boca,
pão que devoro e nasce com luz cada manhã,
bem-amada, bandeira das fornadas,

uma lição de sangue te concedeu o fogo,
da farinha aprendeste a ser sagrada,
e do pão o idioma e o aroma.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

Gibi é cultura. Eu provo

Capitão América 70
Editora Abril - março de 1985

Em dezembro, o jornalista Gilberto Dimenstein fez um comentário polêmico em sua coluna na Folha de S. Paulo. Com o intuito de criticar um projeto do governo que pretende distribuir quase R$ 7 bilhões para a população gastar em cultura. Dimenstein pegou na veia de muitos fãs de quadrinhos. "O dinheiro do vale-cultura seria mais bem usado se focado nos estudantes das escolas públicas. Desde ontem, meu receio aumentou ainda mais, pela possibilidade de que, com esse benefício, mulher pelada também seja cultura. Ou gibi", diz o jornalista, preocupado que as pessoas gastem a tal verba com revistas como a Playboy ou com gibis.

Rapidinho, diversos blogueiros cairam de pau em cima do Dimenstein. A defesa era óbvia: quem faz um comentário desses não conhece os trabalhos de Will Eisner, Art Spiegelman ou Alan Moore, nem acompanha as recentes obras literárias adaptadas para os quadrinhos. Também nunca refletiu sobre "ler é mais importante que estudar", uma conhecida frase creditada ao Ziraldo.

Gilberto Dimenstein, 52 anos, tem uma carreira voltada para a cidadania. Acompanho seus textos na Folha e, entre um congestionamento e outro, ouço seus comentários na rádio CBN. Geralmente gosto do conteúdo, pois Dimenstein se esforça em divulgar ações e bons exemplos relacionados à educação e cultura. Seguindo ele, cultura é essencial para melhorar a vida dos cidadãos. Nesse aspecto, Dimenstein está certíssimo. Seu comentário sobre os gibis é que foi infeliz, infeliz e errado, pois sou exemplo de como os quadrinhos podem ajudar na educação de uma pessoa. Se não fossem os quadrinhos, minha vida seria outra.

HQs: minha salvação

Venho de família humilde, como boa parte da população brasileira. Meu pai era motorista de ônibus e minha mãe cuidava da casa. Tenho dois irmãos e durante muito tempo vivemos na periferia de São Paulo, numa casa de três cômodos.

Sempre estudei em escolas públicas fraquíssimas. Poucas casas que frequentei na infância, seja de amigos ou parentes, tinham livros. Assinatura de jornal, então, nem sabia que existia. Mesmo assim, passei boa parte da minha adolescência lendo. Foram os quadrinhos que me despertaram esse prazer.

Quando criança, eu já lia Disney e Turma da Mônica, mas sem muito compromisso. Eu preferia os desenhos animados da TV. Mas lembro bem de uma cena que mudou minha vida: estava na 5a. série e alguns amigos apareceram com diversos gibis de super-heróis. Um deles era Capitão América 70, da Ed. Abril. Foi amor à primeira vista e nunca mais parei: li tudo que pude de super-heróis. Como não tinha dinheiro, comprava um gibi por vez e, sempre que juntava dois, trocava-os por um terceiro numa banca de revistas usadas perto de casa. Por conta disso, nunca consegui montar uma coleção durante a adolescência. Para manter meu hobby, muitas vezes vendia latas e garrafas para um ferro-velho. Uma vez encontrei alguns gibis bem interessantes em meio ao lixão. Lembro bem de um Heróis da TV como o Conan na capa...

O prazer de ler esses quadrinhos me levou a buscar coisas mais sofisticadas. Dos super-heróis convencionais pulei para as HQs mais adultas, como Cavaleiro das Trevas, Batman Ano Um... Depois, conheci o humor brasileiro (Henfil, Ziraldo, Jaguar) e aprendi a questionar os problemas do nosso país. Já com Laerte, Angeli e Robert Crumb comecei a questionar o próprio ser humano. Foi um passo para também me interessar por literatura, cinema, música e jornalismo.

Eu curtia tanto os quadrinhos que comecei a fazer meus próprios gibis - não vou detalhar o caso, pois já comentei essa história algumas vezes aqui e vocês devem estar cansados. Inspirado pelos gibis, decidi estudar desenho e trabalhei como design gráfico. Virei repórter e editor. Hoje sou um profissional bem pago, com mais informação que a média das pessoas e ainda tenho o privilégio de editar uma revista sobre minha paixão. Os gibis me acompanharam por todo esse tempo.

É injusto acusar os quadrinhos de futilidade. Seria como condenar o cinema apenas pelo conteúdo discutível de filmes de besteirol ou produções malcuidadas. Seria como rebaixar a literatura por conta de livros oportunistas de auto-ajuda.

Os quadrinhos são uma linguagem complexa e rica. Ao mesmo tempo, são acessíveis e ideais para ajudar no desenvolvimento das crianças. Quando eu tiver filhos, com certeza os estimularei a ler quadrinhos.

Outra coisa, Dimenstein: não tenho nada contra revistas de mulher pelada. Na adolescência, também aprendi muito com elas.

Manoel de Souza é editor da Mundo dos Super-Heróis

Mundo dos Super-Heróis - Número 20 - janeiro/fevereiro de 2010
pág. 98

BARBEADOR ELÉTRICO

Jacob Schick

O tenente-coronel Jacob Schick, do exército americano, não estava muito satisfeito com o resultado das lâminas de barbear que recebera. Quando não havia água ou creme, ele não conseguia fazer a barba. Durante o inverno, quando a água quente acabava, era outro sacrifício. Ao deixar o exército, em 1918, ele pensou em um "barbeador a seco", operado por um motor elétrico, inicialmente patenteado no ano de 1923. Seu barbeador elétrico foi lançado comercialmente em 1931, depois de ele hipotecar sua casa e se afundar em dívidas. No primeiro ano, Schick vendeu trezentos barbeadores elétricos. Em 1937, os números já haviam saltado para 2 milhões.

O Guia dos Curiosos - Invenções
Marcelo Duarte
Panda Books

pág. 12

domingo, 18 de dezembro de 2011

XII


PLENA MULHER, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
Que antiga noite o homem toca com seus sentidos?

Ai, amar á uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos
e dois corpos por um só mel derrotados.

Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia

corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra um raio.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

XI


TENHO fome de tua boca, de tua voz, de teu pêlo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado em tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas

E faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratúe.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

X


SUAVE é a bela como se música e madeira,
ágata, telas, trigo, pêssegos transparentes,
tivessem erigido a fugitiva estátua.
Para a onda dirige seu contrário frescor.

O mar molha polidos pés copiados
à forma recém-trabalhada na areia
e é agora seu fogo feminino de rosa
uma borbulha só que o sol e o mar combatem.

Ai, que nada te toque senão o sal do frio!
Que nem o amor destrua a primavera intacta.
Formosa, revérbero da indelével espuma,

deixa que teus quadris imponham na água
uma medida nova de cisne ou de nenúfar
e navegue tua estátua pelo cristal eterno.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

Abusus optimi pessimus

O abuso do ótimo é péssimo
Papa Gregório I
c.540-604

Quanto maiores forem os valores ou mercadorias que sofreram abuso por parte de alguém, pior é a avaliação desse crime. Esta máxima foi citada muitas vezes pelo filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860) em suas obras. Ela se encontra no comentário 35 sobre o Livro de Jó (Moralia in Job), do Antigo Testamento, de autoria do papa Gregório Magno.

Fonte da imagem: Wikipédia

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

IX


AO GOLPE da onda contra a pedra indócil
estala a claridade e estabelece sua rosa
e o círculo do mar se reduz a um cacho,
a uma só gota de sal azul que tomba.

Oh radiante magnólia desatada na espuma,
magnética viageira cuja morte floresce
e eternamente volta a ser e a não ser nada:
sal roto, deslumbrante movimento marinho.

Juntos tu e eu, amor meu, selamos o silêncio,
enquanto o mar destrói suas constantes estátuas
e derruba suas torres de enlevo e brancura,

porque na trama destes tecidos invisíveis
da água entornada, da incessante areia,
sustentamos a única e acossada ternura.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

FINAL FANTASY VII


O Planeta... Um astro que vaga pelo espaço, gravitando em uma órbita definida. Uma massa de terra e areia. Mas não como asteróides, meteoros ou cometas. Diante de um Planeta estes últimos têm tanta importância quanto poeira espacial.

"Mas o que faz de um planeta algo tão importante assim?", você deve estar se perguntando. A resposta é simples: tudo. Tudo é "o motivo". Porém, talvez, o mais importante dentre tantos é o destino para o qual ele fora designado em tempos imemoriais... Um Planeta possui um grande motivo para existir: o de possuir vida, de dar abrigo e proteção àqueles que possuírem vida... E apenas eles têm o poder de CRIAR a vida. Contudo, ao se fazer isso, os Planetas sacrificam sua própria energia, mesmo que por um curto período de tempo (de um ponto de vista universal, claro). Utilizam-se de seu fluxo de vida para criar outros... Sangue de seu sangue... Parte de seu Lifestream... Até que estes seres voltam de sua jornada e se tornem, novamente, um só com o Planeta... Isso é o que faz os planetas serem Planetas.

Entretanto, estes seres normalmente não sabem disso. E no topo de todos eles, estão os humanos... Os mais condenáveis dentre todos, pois, mesmo com sua inteligência superior, NÃO SE IMPORTAM COM ESSE SACRIFÍCIO. E dessa forma utilizam de sua sapiência para depredar o Planeta e roubar seu Lifestream para uso próprio. Para satisfazer seus desejos mesquinhos... E adquirir poder...

Mas, antes deles, existiram outros. Outros que consideravam um Planeta o dom máximo de qualquer ser vivente... Que reconheciam todo o esforço realizado pelo local onde viviam. Um povo nômade, que acreditava no encontro da Terra Prometida, onde finalmente receberiam a felicidade suprema. A felicidade de retornar ao Planeta. Estes foram chamados de Cetra. Os verdadeiros habitantes do Planeta...

Mas aqueles que não concordavam com a jornada dos Cetra surgiram. Assim, cessaram a migração e deram início a uma vida sedentária. Uma vida fácil. Removendo tudo do Planeta sem dar nada em troca... Estes eram os humanos.

Diferentes dos Cetra, este novo povo não se arriscaria pela segurança do Planeta. Não moveria um dedo. E foi o que fizeram (ou "não" fizeram...). Há muito tempo atrás, um desastre se abatera sobre o Planeta. Um desastre forte o bastante para levar consigo parte do Planeta. E toda a vida seria extinta. Os humanos, com suas vidas cômodas, aceitaram de cabeça baixa. Mas os Cetras enfrentaram esse destino, sacrificando-se para que o Planeta recuperasse suas energias e fosse capaz de cicatrizar o ferimento. E assim, poucos Cetras sobreviveram... Enquanto os humanos continuaram a crescer em número, tornando-se a raça dominante.


Uma raça com os mesmos ideais de milhares de anos atrás...

Desde então os humanos tentam, através de sua ciência, atingir a capacidade e o poder dos Cetra... O conhecimento supremo da força misteriosa conhecida como Mágica. E assim descobrem as chamadas Materias, Lifestream cristalizado, portadoras do conhecimento dos antigos, aprendendo, em seguida, a produzir tais pedras.

Com todo o poderio, a humanidade começa a se rebelar contra as demais raças. Destroem tudo e até a si mesmos. Humanos sobrepõem humanos... E num ciclo imortal de poder e ódio, nascera a companhia de energia conhecida como Shinra, que, com seu sistema de absorção de Lifestream (energia Mako para eles) para sua utilização como fonte de energia para seus aparelhos e sua vida fácil, passa a dominar a todos os ramos da sociedade... E agora avança com seu monopólio, sobre a natureza, criando armas biológicas...

Nesse meio tempo surge um homem que se diz superior aos Cetras... Um homem que se tornara um Viajante do Lifestream, absorvendo todo o conhecimento dos Ancients (como os humanos chamavam os Cetra). Um homem... Não um homem... Um ser. Fruto da falta de ética dos humanos, que ousaram brincar de Planeta... Sephiroth.

Todavia, nem tudo está perdido. Existem, entre muitos, uns poucos que conhecem os ideais dos Cetra e o seguem, tentando impedir a inevitável morte do Planeta... Quando todo o Lifestream é drenado, deixando-o seco. Sem a capacidade de criar, de renovar a vida...

E é exatamente no período de transição de um desses humanos, que passa de um simples membro da SOLDIER, a divisão de elite de soldados da Shinra, para um guerreiro que luta pelo Planeta e pela sobrevivência da humanidade, que se situa esta magnífica história. Uma história que mescla um enredo perfeito a personagens de grande carisma (apesar de não superar os de seu predecessor, Final Fantasy VI), onde Cloud, o mercenário de Nibelheim, passará por todos os seus temores... Conhecerá o pavor de não conhecer a si mesmo, de saber que existe algo ou alguém dentro de si que não conhece ou mesmo controla... Conhecerá o amor e o desespero de perdê-lo diante de seus olhos... Tudo isso com a amizade de seus companheiros, que o acompanharão durante a árdua batalha à procura de Sephiroth, de si mesmo e de uma ameaça que põe em risco todo um Planeta...


Gamers Book - Ano I - Número 1
pág. 05

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

VIII


SE NÃO FOSSE porque têm cor-de-lua teus olhos,
de dia com argila, com trabalho, com fogo,
e aprisionada tens a agilidade do ar,
se não fosse porque uma semana és de âmbar.

se não fosse porque és o momento amarelo
em que o outono sobe pelas trepadeiras
e és ainda o pão que a lua fragrante
elabora passeando sua farinha pelo céu,

oh, bem-amada, eu não te amaria!
Em teu abraço eu abraço o que existe,
a areia, o tempo, a árvore da chuva,

e tudo vive para que eu viva:
sem ir tão longe posso ver tudo:
vejo em tua vida todo o vivente.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

HOMEM-ARANHA 83

NOV 2008
PANINI COMICS
R$ 6,90
100 págs.

Spider-Man: Swing Shift n° 1
2008 - Marvel Comics

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA
MUDANÇA DE RUMO

Roteiro: Dan Slott
Arte: Phil Jimenez
Arte-final: Andy Lanning & John Dell
Cores: Jeromy Cox
Editor original: Tom Brevoort
Editor-chefe original: Joe Quesada
Tradução & adaptação: Mario Luiz C. Barroso
Letras: Marcos Valério
Editor: Rogerio Saladino

Amazing Spider-Man (1963) 546-A
Comic Book by Marvel, Feb 2008

O NOVO STATUS QUO DO HOMEM-ARANHA

Arte de John Romita Jr.
Klaus Janson e Dean White
Texto de Bob Gale (com ajuda de Marc, Dan e Zeb)
Versão brasileira de Barroso, Valério e Saladino.

INTERLÚDIO
ESTRELANDO: LOTERIA
Park Avenue Interlude

Roteiro: Marc Guggenheim
Arte: Greg Land
Arte-final: Jay Leisten
Cores: Justin Ponsor
Editor original: Tom Brevoort
Editor-chefe original: Joe Quesada
Versão brasileira: Barroso, Valério e Saladino

A SURPREENDENTE TIA MAY!
The Astonishing Aunt May

Uma produção de Gale, Winslade, Chuckry, Barroso, Valério & Saladino!

HARRY E OS HOLLISTER
Harry and the Hollisters

Por Zeb Wells, Mike Deodato, Rainer Beredo, Studio M17, Marcos Valério e Rogerio Saladino

Spider-Man Family (2007) 6-A
Comic Book by Marvel, Feb 2008

HOMEM-ARANHA, KAZAR E ZABU
ESPÉCIE EM EXTINÇÃO

Roteiro: Tom Bellano
Arte: David Hahn
Editor original: Mark Paniccia
Editor-chefe original: Joe Quesada
Tradução & adaptação: Mario Luiz C. Barroso
Letras: Marcos Valério
Editor: Rogerio Saladino

Amazing Spider-Man (1963) 546-E
Comic Book by Marvel, Feb 2008

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA
UM NOVO DIA
Brand New Day

Roteiro: Dan Slott
Arte: Steve McNiven
Arte-final: Dexter Vines
Cores: Morry Hollowell
Editor original: Tom Brevoort
Editor-chefe original: Joe Quesada
Tradução & adaptação: Mario Luiz C. Barroso
Letras: Marcos Valério
Editor: Rogerio Saladino

Amazing Spider-Man (1963) 547-A
Comic Book by Marvel, Mar 2008

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA
CRIMES DO CORAÇÃO
Crimes of the Heart


Roteiro: Dan Slott
Arte: Steve McNiven
Arte-final: Dexter Vines
Cores: Morry Hollowell
Editor original: Tom Brevoort
Editor-chefe original: Joe Quesada
Tradução & adaptação: Mario Luiz C. Barroso
Letras: Marcos Valério
Editor: Rogerio Saladino
Casa das Ideias Aracnídeas: Gale, Guggenheim, Slott, Wells

SUPERAVENTURAS MARVEL 50

08/08/86
Editora Abril
R$ 3,90

Daredevil (1964) 209-A
Comic Book by Marvel, Aug 1984

DEMOLIDOR, O Homem Sem Medo
O PERIGO NUNCA MORRE
Blast From The Past


Argumento: Arthur Byron Cover
Desenhos: David Mazzucchelli
Arte-final: Danny Bulanadi
Letras: Lilian Toshimi
Cor: Carmen Octaviano

Marvel Team-Up (1972) 122-A
Comic Book by Marvel, Oct 1982

O HOMEM-COISA
PELAS MÃOS DO... DESTINO!

Argumento: J. M. DeMatteis
Desenhos: Kerry Gammill
Arte-final: Mike Esposito
Letras: José Luiz
Cor: Flora Schuch

Master of Kung Fu 107-A
Comic Book by Marvel, Dec 1981

Mestre do KUNG FU
DESFECHO INDOLOR DE UMA VIDA
A Painless Result of Having Lived


Argumento: Doug Moench
Desenhos: Gene Day
Arte-final: Armando Gill
Letras: E. Gasparim
Cor: Cleusa Acosta

ENTRADA DO FRANK MILLER NO TÍTULO

Dossiê DEMOLIDOR
Anos 80 até hoje

Daredevil (1964) 151-A
Comic Book by Marvel, Mar 1978

Período de renovação

A partir do trabalho do então novato Frank Miller,
o Homem Sem Medo ganhou novo fôlego

Por Kildare Ferreira de Almeida

Mesmo com os esforços do então roteirista Roger McKenzie, a revista Daredevil não andava nada bem de vendas e beirava o cancelamento, chegando a ter somente 17 páginas de quadrinhos em sua edição 151. Felizmente, nem tudo estava perdido para o Homem Sem Medo. Em 1979, na edição 158, um jovem talentoso fez sua estreia na publicação e deu novo rumo à revista graças à sua narrativa arrojada e histórias criativas e verossímeis, muitas delas ambientadas em Nova York. Esse jovem desenhista era Frank Miller, o futuro pop star dos quadrinhos.

Daredevil (1964) 158-A
Comic Book by Marvel, May 1979

De início, Miller limitou-se a desenhar as HQs de Roger McKenzie, que manteve-se como roteirista de Daredevil por alguns números. Mas logo Miller já aparecia como co-roteirista e na edição 168 (janeiro de 1981), assumiu os textos e desenhos da revista, com Klaus Jason na arte-final. Foi o início da chamada "Era Miller", que revitalizou o Demolidor a ponto de torná-lo um dos mais populares dos anos 80 e criar uma mitologia seguida até os dias de hoje.

Daredevil (1964) 168-A
Comic Book by Marvel, Jan 1981

O Sucesso desse trabalho deve-se à sofisticada mistura de estilos que Miller adotou, da narrativa de Will Eisner e seu clássico The Spirit a Corto Maltese, de Hugo Pratt e os quadrinhos japoneses.

Mundo dos Super-Heróis - Número 13 - novembro/dezembro de 2008
pág. 24

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

VII


"VIRÁS comigo", disse, sem que ninguém soubesse
onde e como pulsava meu estado doloroso
e para mim não havia cravo nem barcarola,
nada senão uma ferida pelo amor aberta.

Repeti: vem comigo, como se morresse,
e ninguém viu em minha boca a lua que sangrava,
ninguém viu aquele sangue que subia ao silêncio.
Oh amor, agora esqueçamos a estrela com pontas!

Por isso quando ouvi que tua voz repetia
"Virás comigo", foi como se desatasses
dor, amor, a fúria do vinho encarcerado

que de sua cantina submergida soubesse
e outra vez em minha boca senti um sabor de chama,
de sangue e cravos, de pedra e queimadura.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

BASTIDORES DAS FILMAGENS

DOSSIÊ STAR WARS
UMA NOVA ESPERANÇA - 1977


O maior desafio para a produção de Star Wars foi criar tudo que o roteiro de George Lucas pedia. Mesmo prestes a ser filmado, Star Wars ainda não era bem compreendido pela Fox. Para ajudar o estúdio a entender o aspecto visual do filme e a grandiosidade que queria transmitir, Lucas contratou Ralph McQuarrie, um ilustrador da Boeing que também criava cartazes de filmes e animações. Quando viram os desenhos de McQuarrie, os executivos da Fox passaram a compreender melhor o que tinham nas mãos e liberaram um orçamento de 8 milhões de dólares para a produção. No final, o orçamento acabaria próximo dos 11 milhões. Atualizando a inflação, esse valor hoje equivaleria a cerca de 45 milhões de dólares.

A partir daí, uma das maiores necessidades de Lucas seria reunir bons técnicos em efeitos especiais, coisa rara naqueles tempos. Lucas buscou jovens que trabalhavam em comerciais de TV ou em filmes B e, para dar conta do recado, criou a Industrial Light and Magic, que viria a se tornar o mais importante estúdio de efeitos especiais do cinema. Entre os técnicos do filme estavam John Dykstra, inventor de uma câmera que permitia maior mobilidade para filmar cenas de ação com maquetes; Richard Edlund, um dos pioneiros em efeitos por computador; e Joe Johnston, criador de boa parte das naves e maquetes do filme e que, mais tarde, se tornaria diretor de Rocketeer (1991) e Capitão América (2011).

Boa parte das cenas com efeitos especiais foi rodada na Califórnia enquanto os atores trabalhavam em um estúdio na Inglaterra. Já as cenas passadas no desértico planeta Tattoine foram registradas na Tunísia, onde quatro anos mais tarde também seria rodada boa parte de Caçadores da Arca Perdida, produzido por Lucas. Mas as coisas não foram fáceis. As filmagens atrasaram, os efeitos especiais demoraram a funcionar a contento, a Fox ameaçou várias vezes parar as filmagens e cancelar o projeto. Lucas chegou aos limites do estresse e foi até hospitalizado, com sinais de que iria infartar. Mas tudo seria recompensado em breve.

Mundo dos Super-Heróis - Número 29 - setembro/outubro de 2011
pág. 28

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

VI


NOS BOSQUES, perdido, cortei um ramo escuro
e aos lábios, sedento, levantei seu sussurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
um sino fendido ou um coração cortado.

Algo que de tão longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um grito ensudercido por imensos outonos,
pela entreaberta e úmida escuridão das folhas.

Por ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avelã cantou sob minha boca
e seu vagante olor subiu por meu critério

como se me buscassem de repente as raízes
que abandonei, a terra perdida com minha infância,
e me detive ferido pelo aroma errante.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

Shakespeare

SHAKESPEARE |


Biografia enigmática


POR RICARDO LÍSIAS

Mesmo o sucesso não fez com que Shakespeare deixasse muitos rastros de sua vida. Se somarmos isso ao fato de que, do mesmo jeito, ele não se preocupava com suas peças, teremos armado o terreno para as sempre proficuas conspirações: até poucos anos estava na moda a listagem de evidências, sempre assombrosamente patéticas, que procuravam comprovar que o cidadão William Shakespeare nunca existiu ou que, se alguém tiver de fato vivido na Inglaterra com esse nome, seria apenas o autor de uma coleção de belos sonetos. Entre os nomes mais cotados para serem William Shakespeare estavam os de Marlowe e, com alguma vantagem, o do filósofo Francis Bacon. Por dois motivos, hoje nenhuma dessas teorias é levada a sério: primeiro, são poucos, mas há documentos que de fato comprovam a autoria das peças; por fim, argumento ligado ao anterior, os críticos notam uma enormidade de similitudes entre os textos, o que coloca em primeiro plano o grupo de peças que simplesmente se enfeixam no conjunto produzido por uma pessoa.


Shakespeare morre em 1616 já coberto de glória. A essa altura, conhecido em toda a Europa, ninguém contestava seu lugar como o dramaturgo mais importante do momento. O sucesso de suas peças, porém, vinha exclusivamente do palco, já que uma edição impressa saiu apenas anos depois de sua morte. A razão é simples: Shakespeare acreditava em um teatro para ser representado. Suas peças, embora não tenham sido concebidas para serem lidas, se tornaram um dos pontos altos da literatura universal, o que é outro sinal do seu gênio.

De fato, em vida Shakespeare publicou apenas uma coleção de sonetos. Rigorosamente construídos, seus poemas refletem os ideais clássicos, criando variações sutis com temas como o amor e a passagem do tempo. Seus sonetos acompanham a melhor produção do período, o que demonstra que, mesmo não tendo frequentado os centros de erudição da época, Shakespeare educou-se com o que havia de mais importante.


O dramturgo escreveu ao longo da vida, 39 peças, uma produção invejável. Se considerarmos que entre elas estão ao menos dez obras-primas, não resta nenhuma dúvida de que William Shakespeare é mesmo (e no mínimo) o maior dramaturgo de todos os tempos.



Cadernos Entre Livros - Número 1
págs. 16-17

domingo, 11 de dezembro de 2011

V


NÃO TE TOQUE a noite nem o ar nem a aurora,
só a terra, a virtude dos cachos.
as maçãs que crescem ouvindo a água pura,
o barro e as resinas de teu país fragrante.

Desde Quinchamalí onde fizeram teus olhos
aos teus pés criados para mim na Fronteira
és a greda escura que conheço:
em teus quadris toco de novo o trigo.

Talvez tu não saibas, araucana,
que quando antes de amar-te me esqueci de teus beijos
meu coração ficou recordando tua boca

e fui como um ferido pelas ruas
até que compreendi que havia encontrado
amor, meu território de beijos e vulcões.

Pablo Neruda
Cem Sonetos de Amor
Manhã

L&PM Pocket
julho de 2011

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